Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 04-10-2010

SECÇÃO: Crónica

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AINDA O COLÉGIO DE S. MIGUEL DE REFOJOS
Naquela época distante de 1947

(continuação)

Caros leitores cá estou mais uma vez para dar continuação ao artigo começado no jornal anterior onde me debrucei mais uma vez sobre o Colégio de S. Miguel de Refojos. Embora não seja do meu tempo a sua criação e fundação pelo José Gonçalves Ferreira, seu proprietário, visto ser bastante mais nova, fui anos mais tarde aluna deste estabelecimentod e ensino durante três anos.
O que eu quero dizer é o seguinte; apesar de só mais tarde ter contacto com o Colégio achei interessante a história do seu início com os regulamentos criados na época para que tais fossem executados com o máximo rigor quer por alunos quer por professores. Por esse motivo sem me por com grandes considerandos vou deixar o espaço livre para dar seguimento ao texto anterior, agradecendo mais uma vez a gentileza da senhora Professora aposentada D. Irene Queirós, mais conhecida por Ireninha do Abilinho das Fazendas. Pelo menos eu sempre a associei assim.
Então com a devida vénia.
Só assim podemos registar nestas páginas o interessante movimento escolar do ano findo:
Irene Queirós Gomes
Irene Queirós Gomes
Passagens para a 3ª classe. Prim. 2
3ª classe primária… … … 3 aprovações
4ª» » … … 4 » e uma distinção
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Admissão aos Liceus … 19 »
1º Ano Liceal … … … 27 passagens ao 2ºano.
Maria Gonçalves Ferreira e Maria Carolina Gonçalves Ferreira filhas do proprietário do Colégio, José Gonçalves Ferreira
Maria Gonçalves Ferreira e Maria Carolina Gonçalves Ferreira filhas do proprietário do Colégio, José Gonçalves Ferreira
2º » » … … … 34 » 3º »
3º » » … … … 45 aprovações nas disciplinas do Primeiro ciclo.
4º » » … … … 10 passagens ao 5º ano.
Manuel Fernando Queiroz Gomes
Manuel Fernando Queiroz Gomes
6º » » … … … 18 aprovações nas disciplinas do segundo ciclo.

É nossa divisa querer sempre mais e melhor. Tudo quando se vai operando, pouco a pouco, é sempre no desejo de corrigir faltas e de assegurar melhor rendimento, sob todos os pontos de vista.
Há, porém, já casos que nos enchem de orgulho:
O facto dos nossos alunos se apresentar na sociedade e em exames desempoeiradamente, sem acanhamento, sem qualquer vestígio que lhes possa merecer o epíteto de serranos.
Como se tem conseguido esta grandiosa?
Todos os sabem.
Deve ser motivo de vaidade para vós, pais, assinalar que os vossos filhos ombreiam na sua desenvoltura e na sua apresentação social com os alunos que frequentam os melhores colégios citadinos, quer pela correcção de porte, quer pelos sinais de boa educação que eles têm dado, sempre que se deslocam deste meio.
Estamos satisfeitos com este resultado e desejamos melhorá-lo ainda mais por meio de preleções, regras e conceitos, para deste modo os colocar á vontade num meio mais elevado ainda, onde a etiqueta social seja mais exigente.
É por nós assim compreendida a educação dos vossos filhos. Como complemento, precisávamos também de lhes desenvolver o sentimento da caridade cristã, os sentimentos religiosos, puros, sem preocupações da sociedade, numa palavra, o ensino da doutrina cristã nas suas bases de formação moral.
Há ainda, para sermos leais connosco próprios, o caso da preparação das vossas filhas para boas donas de casa. Se alguma coisa já temos feito no ensino de corte, trabalhos, etc., começaremos em Outubro próximo a ministrar-lhes lições especiais do governo de casa, do conhecimento de géneros alimentícios e de sua preparação.
Nisto está toda a nossa boa vontade e já se tomaram medidas neste sentido.
Foi suficientemente ponderada e estudada a vida das alunas no pensionato, chegando-se á conclusão de que para melhor acautelar os seus interesses ficará essa casa entregue á direcção particular duma senhora religiosa, não só para as orientar em lições práticas do arranjo e asseio dessa casa. A parte oficial da direcção feminina ficará entregue a uma distinta professora do Colégio. Queremos assim assegurar maior vigilância e maior acção de contacto com as professoras internas.

Regulamento
Somos partidários de que um regulamento só deve ser afixado depois de ponderadas e estudadas as condições do meio, as faltas a corrigir e a prevenir, a psicologia dos aluno, as suas relações com o exterior e as consequências das penalidades a aplicar. Por tudo isto, só agora de publicar o nosso Regulamento interno.
SE seguíssemos o processo contrário, como tantos outros fazem – motivo enganoso de reclame – teríamos de registar o caso, pouco educativo, de tantos regulamentos considerados letras morta, ou pior ainda, como causa de indisciplina. Não é pedagógico habituarmos as crianças a não terem respeito por um regulamento estabelecido.
Não temos a pretensão de apresentar um regulamento impecável, mas afigura-se -nos que poderá ser respeitado e cumprido pelos nossos educandos.
Uma pergunta nos pode ser regulamento estabelecido durante três anos?
Respondemos: se o regulamento não estava afixado, ia sendo apresentado aos alunos por uma série de recomendações, conselhos e proibições e ao mesmo tempo se ia observando as reacções provocadas.
Consideramos péssimo regulamento, e tantos conhecemos já, aquele que, para ser respeitado e obedecido, provoca no espírito dos alunos revoltas íntimas, com graves prejuízos para o seu carácter. Preferimos apresentar, e não impor, um regulamento cuja necessidade seja reconhecida pelos alunos. Neste caso a obediência é suave, humana e educativa. Não podíamos pensar doutra forma porque temos afirmado publicamente que só aceitamos a disciplina criada no próprio espírito dos alunos, na necessidade concreta de se moverem e orientarem com ordem e respeito mútuo.
O nosso regulamento tem os seus alicerces nas bases em que se tem fundamento a nossa já longa vida de ensino.

I
Procurar formar em cada aluno um elemento basilar do espírito nacional que, amanha, integrado no dinamismo da vida, seja um elemento de ordem, de trabalho e de luta em prol do labor consciente dum povo que caminha na vanguarda da civilização europeia.
II
Que o aluno seja intermediário entre a família e o mundo exterior, de forma que, portador das qualidades ancestrais de um povo, das virtudes da família, seja pré-orientado com as indicações dimanadas do lar e por nós conduzido de forma que a família, em contacto connosco, numa ligação íntima de ideias, acompanhe de perto aquele que pretende a bem desempenhar o mister para que foi preparado.
III
Preocupámo-nos a formar um bom futuro chefe de família, um elemento portador duma actividade consciente, um crente e um bom que saiba defender-se dos abismos e cortar as arestas próprias da vida humana.
IV
Que o nosso sistema disciplinar não seja imposto pela autoridade dura e agressiva, mas criado pelos próprios alunos.
V
Na preparação moral dos nossos alunos contamos sempre com a coadjuvação das famílias, evitando, tanto quanto possível, criar qualquer conflito entre a nossa orientação e aquela que lhes é ministrada por seus pais.
VI
Que a comunhão de ideias entre o professor e o aluno seja dócil, mas ao mesmo tempo forte e vigorosa.

Ao apresentarmos o actual Regulamento vamos fazer mais uma exortação aos nossos alunos:
«À sombra deste estabelecimento de ensino vinde receber o melhor legado que a vossa família, embora com sacrifício, vos pode deixar: a instrução e a educação.
Para que este Colégio possa alcançar este fim deveis seguir os seus ensinamentos porque tudo neste estabelecimento subordina a vossa boa preparação para o futuro.
Não devereis esquecer que neste Colégio a massa juvenil que amanhã será moldada e preparada para sustentar com tenacidade, com orgulho e com altivez, o papel que o destino vos confiar.
Tratai este estabelecimento com carinho porque é vosso; como a vossa casa porque é a continuação dela como intermediária entre o mundo das ilusões de hoje e o dia das realidades de amanhã.
Procurai ter uma personalidade forte e vigorosa, sã e dócil, calma e firme.
Sede obedientes e não esqueçais que tudo no vosso Colégio se sacrifica para o vosso bem. Dai-lhe o ambiente expansivo da vossa alegria, calma e ordeira.
Em todos os vossos actos usai como arma de defesa a verdade. Servi sempre a verdade. Renegai a mentira.
Nas vossas relações com os colegas, com os vossos professores, etc., deveis ser leais, correctos e dignos.
Tomai sempre atitudes firmes e dignas em todas as situações em que vos encontrardes.
Desprezai as atitudes que denotam falta de respeito e desleixo ou abandono da vossa personalidade.
Combatei o vício e a desordem do vosso espírito.
Colocai a higiene no primeiro plano das vossas realizações diárias, dando-lhe o lugar primacial.
Deveis ser um carácter típico, cujos traços sejam fortemente unidos e subordinados a um elemento poderoso: um enérgico, um afectuoso, um leal».
Dr. Toulouse
«A verdade é a maior força dum carácter. Procurai impor-vos pela sinceridade, porque adquiris um poder verdadeiro.
Sede sempre bondosos porque a bondade é ainda a maior força do mundo».
António Cândido
«Tomai uma resolução com calma e reflexão e executai. A acção fixa o pensamento e contribue para a educação da vontade».
G.P
CAPITULO I
Do corpo Docente
O pessoal docente do Colégio de S.Miguel de Refojos é constituído por professores e professoras diplomados que têm a seu cargo a regência de uma ou mais disciplinas.
Artº2º
Os professores distribuem-se por grupos, conforme o Regulamento do Ensino Secundário.
Artº3º
No inicio de cada ano lectivo os professores ficam obrigados a assinarem o seu contacto de trabalho, assim como o compromisso de respeitar e cumprir as determinação deste regulamento que lhe digam respeito.
Artº4º
Os professores devem entrar para as aulas e sair das mesmas às horas afixadas no respectivo horário.
Artº5º
A Direcção enviará de 1 a 10 de Agosto, aos Srs. Professores, a nota de confirmação do seu contracto para o ano imediato e do mesmo modo, estes, no caso de não desejarem a renovação do seu contrato, devem comunicá-lo por escrito até 30 de Agosto.

(Continua)
fernandacarneiro52@hotmail.com

Por: Fernanda Carneiro

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