Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 02-08-2010

SECÇÃO: Opinião

Tradição da festa da Páscoa

Li com toda a atenção as palavras divulgadas por este leitor, que foram mencionadas neste jornal “Ecos de Basto” edição 368 de 21 de Junho de 2010, focando as tradições religiosas sobre a festa da Páscoa nos anos de 50, 60 e até 70.
Como uma grande parte da população existente nesses anos, sabe que é verdade tudo isto que este leitor focou. Talvez por lapso não tive-se dito tudo o que sabia, porque esse leitor também sabe que muitas vezes a população de cada lugar, incluindo o dele Lugar da Soalheira e o meu Lugar de Outeirinho, saíamos de casa com os nossos pais em direcção á Igreja para assistir às práticas feitas pelos sacerdotes pregadores, que ainda hoje me lembro de alguns nomes: padre Peixoto, padre Lima, padre Joaquim, padre Armindo, e outros que agora não me vem o nome à ideia; e então acendendo a luz de petróleo e levando a caixa de fósforos mas que por vezes não resulta mediante ao vento que superava a luz.
Por várias vezes que isso acontecia, que se chegava a caminhar na escuridão até próximo das fontes do seco, aí algumas senhoras mudavam de calçado assim como a minha avó, a sua irmã mariquinhas da serra, a Mirinha de paredes e outras e então a minha avó, levava a luz até esse local caso a mesma se mantivesse acesa, se a maré do vento a apaga-se escondia-a num buraco da parede para de regresso a levar.
Lembro também que participei alguns anos juntamente com o meu pai na visita Pascal.
O meu pai como já era muito antigo nessas andanças andava com a saca dos folares e eu como ainda não tinha experiência, e que quem chega-se primeiro é que tinha sorte, eu no sábado aleluia pedia ao senhor Arcipreste para levar a campainha e nesse mesmo momento com a autorização dele a punha de minha mão, caso assim não o fizesse sujeitava-me a chegar á sacristia no Domingo de manhã e outros já teriam pegado nela.
Ainda hoje uma grande parte das pessoas recorda as tradições, antigas e sabem que a Páscoa eram três dias aqui no nosso concelho de Cabeceiras de Basto.
No domingo de Páscoa a missa da manhã era celebrada na capela de Paredes; Quando terminava por volta das 8 horas duas cruzes saíam e percorriam os lugares de: Soalheira, Sefra, Alto do Monte, Freita e outros até as 11 horas. O senhor Arcipreste dizia a todos que o acompanhavam: os que quiserem vão a minha casa que as minhas irmãs dão-lhes alguma coisa para comer.
Por volta das 11,45h já estávamos junto da igreja para de novo sairmos, e por volta das 14 h ou 14,15h chegávamos à casa de Alvações onde então aí se almoçava com mais tempo. Permanecíamos ali mais ou menos 1,00 h e depois seguíamos para percorrer o resto dos lugares, até chegarmos mais uma vez à capela de Paredes onde as duas cruzes recolhiam, e o senhor Arcipreste rezava o terço e as suas orações juntamente com os que o acompanharam durante todo o dia. Seguia para a casa de Paredes. Ali permanecíamos um curto prazo de tempo e seguíamos EM DIRECÇÃO À Igreja colocar os objectos na sacristia para no dia seguinte começarmos de novo a tarefa que nos esperava.
Na segunda-feira de Páscoa as cruzes saíam por volta das 8 horas da Igreja, onde começávamos no Lugar de Fontão, Purgatório, Inferno, Maceiras, e ainda uma grande parte das casas do Lugar de Chacim.
Por volta das 12,00h ou 12,15h chegávamos à casa do senhor Joãozinho Venda-nova onde lá se almoçava, e se descansava mais ou menos uma hora.
De seguida dávamos início de novo à visita pascal, percorrendo assim as restantes casas do lugar de Chacim, Alem, Cerdeirinhas, Cruz do Muro, e quando chegávamos à capela da Senhora da Saúde já se encontrava a Banda Cabeceirense à espera da Visita Pascal, para assim fazerem o acompanhamento da mesma até ao Campo do Seco onde as duas cruzes se juntavam no quartel dos Bombeiros, que ainda hoje existe essa velha e antiga casinha de cor amarela, por de traz do novo quartel. Logo que as cruzes se aproximassem a sirene começava a tocar já estava o corpo activo dos Bombeiros todos preparados para receber a visita Pascal. Permanecíamos uns minutos e depois dávamos início de novo a percorrer toda a área do Campo da Feira, e o lugar da Cachada. Chegando ao final voltávamos para traz , fazia-mos toda a área da Praça da República e reuniam-se as duas cruzes na Igreja por volta das 8,00h da noite.
No Domingo de Pascoela começávamos de novo a tarefa na visita Pascal, percorrendo assim os restantes lugares pertencentes à freguesia de Refojos de Basto, onde nos primeiros anos se chegava por volta da 1,30 à casa do Barrosão, que ainda hoje existe, essa casa no caminho que sai da estrada nº311 em direcção a Alvite, que pertencia aos pais do Marcelinho que trabalhava no senhor Ferreira da sucata no campo do seco.
Aí se almoçava, e se descansava um pouco para de novo continuarmos. Depois mais tarde já se almoçava na casa do senhor Arcipreste (só no Domingo de Pascoela).

E assim está contada a tradição dos três dias de Páscoa dos anos de antigamente.

É uma pergunta que eu deixo no ar.
Para onde foram todas as tradições de antigamente?

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