Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 02-08-2010

SECÇÃO: Reportagem

“INVESTIR NO ASSOCIATIVISMO É INVESTIR NAS PESSOAS”

ASSOCIATIVISMO
E CULTURA

A festa do associativismo e das colectividades, já lá vai, caros amigos. Como a parte dela assistimos, cá estamos para vos deixar a sensibilidade que dela nos ficou. Numa reportagem extensa, como é nosso hábito. No entanto, como o Ecos de Basto se publica de forma tri semanal, aos pouquinhos, ela (pensamos nós!) acabará por ser lida. Este tempo que já lá vai, terá sido um tempo que vocês, de certeza e na esmagadora maioria pois que era para vós a festa , viveram com a mesma intensidade e satisfação que nós vivêmos. Uma festa é isto: envolvência, em alegria, de uns com os outros e mostrar entre si, e aos demais, o que de melhor e mais lindo se tem. Associativismo e cultura são duas realidades que se geram uma à outra; almas gémeas siamesas inseparáveis. A sua festa, outra manifestação de cultura. Por isso, melhor que nós, nas entrevistas que gentilmente nos foram concedidas, os responsáveis pelos pelouros do associativismo e da cultura, disseram-nos o que pensam.
Culto e cultura têm a mesma raiz etimológica. Cultivando a terra e manifestando-nos através dos nossos usos e costumes, mesmo de forma inconsciente, estamos a prestar um culto. A agricultura (agri -do campo - e cultura) é esta associação de culto à terra, preparando-a e dela tirando o que ela dá. Na mitologia, a Terra era uma deusa. Também denominada de “Gaia”. Cultura será, assim, a “marca” de cada um ou de forma colectiva, na expressão do nosso quotidiano. Assim sendo, sejam associações ou colectividades, por elas “escrevemos” quem somos e como somos de geração para geração. Uma cultura empírica na sua forma pura. Mas que, depois, outros, seja a antropologia, a sociologia ou mesmo a psicologia, ou até a arqueologia, tratam e trabalham de forma científica.

Manuel Alves Ferreira
Manuel Alves Ferreira

O QUE NOS DISSE O VEREADOR DA CULTURA

A cultura, meus amigos, é o POVO e está no POVO. E as associações e as colectividades são o escaparate, a montra, a praça, onde se expõe da cultura do associativismo nas suas diversas expressões. Disse-nos o vosso vereador do pelouro da cultura, a propósito, o seguinte: “Nesta festa do associativismo, cada colectividade tem uma projecção cultural sui gneris (…). A cultura ao fim e ao cabo, está presente em todas estas associações. Embora algumas sejam mais marcadamente viradas para a preservação da identidade cultural do Município, outras (…) abrem novas portas a outro tipo de experiências culturais ( …). Foi criado recentemente o Centro de Teatro de Cabeceiras de Basto, que já fez um espectáculo. Exactamente amanhã dia dezassete fará um outro espectáculo. Sobretudo, são espectáculos que não são feitos no palco com, digamos assim, meia dúzia de actores profissionais, sendo os espectadores apenas uma entidade passiva que vê o que se desenvolve no palco mas no qual também se envolvem (…) colectividades e as associações: os bombeiros voluntários, o grupo de cantares, o grupo folclórico, o grupo do jogo do pau de Bucos. Quer dizer: as pessoas envolvem-se e são elas mesmas os intervenientes, os actores fundamentais e há, portanto, uma dinâmica que eu penso que não se pode perder. Até porque, a partir do momento em que se faz, responsabiliza-nos a todos, isto é, a partir da altura em que se atinge um determinado patamar, começa-se a sentir quando esse patamar não se volta a atingir. E portanto, o nível de intervenção é cada vez mais elevado e portanto penso que não haverá retrocesso a esse nível. Eu também aqui sou um pouco optimista no que diz respeito à própria sensibilidade cultural dos cabeceirenses e dos munícipes. Isto é, a cultura(…) está em todo o lado: qualquer pessoa é um ser cultural. Desde uma coisa tão simples como podar uma vide, como pintar um quadro, como tocar um órgão. Tudo isso é cultura. O homem é também um animal cultural. A política é essencialmente cultura(…)”.

O QUE NOS DISSE A VEREADORA DO ASSOCIATIVISMO

Os Cavaquinhos da Raposeira apresentaram o seu trabalho
Os Cavaquinhos da Raposeira apresentaram o seu trabalho
E que nos diz a responsável pelo associativismo a propósito das associações da festa?...
“(…) A festa do associativismo é uma iniciativa que recolhe o contributo das associações do concelho. É também uma oportunidade para as colectividades se relacionarem entre si, já que, normalmente, desenvolvem as suas actividades de forma individualizada. O objectivo deste certame é fazer com que as associações se interliguem e interajam entre si. Por outro lado, podem realizar actividades em conjunto, estabelecer parcerias e assim darem a conhecer o trabalho que desenvolvem, não só às outras associações, como ao público em geral.
O facto de juntarmos dezenas de associações e colectividades de natureza diversa, seja desportiva, cultural, recreativa, entre outras, permite fazer desta Festa, uma iniciativa abrangente e diversificada proporcionando aos Municípes um programa rico, com especial incidência na música, dança, teatro, no folclore e na etnografia,entre outras actividades sócio-culturais e recreativas. Em suma, esta é uma festa das e para as associações, onde todos os munícipes podem participar e assistir (…) (Esta) é uma festa, que de ano para ano tem vindo a crescer, seja no que ao número de presenças diz respeito, seja nos progamas que proporcionam e através dos quais mostram aquilo que fazem, na maior parte dos casos de forma voluntária .
É de destacar ainda neste certame, a componente gastronómica. Algumas associações vão dinamizar tasquinhas, onde as pessoas podem petiscar e saborear as iguarias locais.
Enfim, a realização de actividades diversas como o desporto, a dança, o teatro, os cantares, o folclore, entre outras, fazem igualmente parte do programa, que pela sua diversidade envolve muita gente e vai certamente atrair numeroso público(…)”.

VISITA AOS PAVILHÕES
RECORDAR É VIVER
ADIB agraciada com Medalha de Mérito Público - grau prata
ADIB agraciada com Medalha de Mérito Público - grau prata

E, meus amigos: se cultura e associativismo são uma espécie de fenómeno de gémeos siameses, não admira que os responsáveis da cultura e do associativismo, ainda para mais tratando-se da festa, se pronunciem transversalmente sobre ambas as áreas. E por isso, nos disse, o responsável pelo Pelouro da Cultura:”De todos os modos, este movimento de associativismo que se nota no nosso concelho (…) de alguma maneira a festa do associativismo é o clímax e o auge / de todo o trabalho) durante um ano.
Posto isto, vamos dar uma volta pelos pavilhões das colectividades culturais e associativas. Quais e quantos? Aqui representadas, cinquenta e cinco! Disse-nos a vereadora do associativismo, a propósito: “O concelho de Cabeceiras de Basto tem um movimento associativo muito rico e diversificado. Temos algumas freguesias que têm várias colectividades. É o caso da freguesia de Refojos, que terá seis, sete associações e que desenvolvem actividades desportivas, culturais ou recreativas. Mas basicamente, quase todas as freguesias têm uma ou mais associações. Refojos já falei, mas temos outros casos como Abadim e Arco de Baúlhe que têm duas ou três associações; Basto (Sta Senhorinha), Pedraça, Cavez também têm. Em Cavez, estou a lembrar-me, por exemplo, que há associações em diferentes lugares…Além de Cavez, Moimenta tem associação, Arosa também... Estes são alguns exemplos mas existem outros. Quase todas as freguesias têm uma associação(…)”.
Não vamos, aqui, não só por isso mas também por falta de espaço, inventariar as colectividades representadas nos respectivos pavilhões. No entanto, que as omissas nos perdoem de aqui nos referirmos apenas a algumas delas. Todas, aliás, merecem uma reportagem individualizada desenvolvida. E com todo o gosto nós esse trabalho faríamos , se tal nos fosse solicitado.
Referir-nos-emos, assim, à Associação de Caça e Pesca de Gondiães; ao grupo folclórico de “Os Camponeses de Arosa (Cavez); à representação do Colégio de Refojos. Evocando, por estas duas e ainda a Associação de Bucos, memórias já de mais de meio século. E ainda ao mítico “Grupo dos cavaquinhos da Raposeira”.
O Externato S. Miguel de Refojos apresentou o melhor stand
O Externato S. Miguel de Refojos apresentou o melhor stand
Comecemos pela Associação de Caça e Pesca de Gondiães. Num diálogo breve com Manuel Alves Ferreira, elementos desta Associação, ficamos inteirados e maravilhados com a dinâmica desta colectividade. Sobretudo sobre o seu cuidado pessoal com a fauna da região e recursos naturais, como são as linhas de água, ribeiros e regatos. Ficámos a saber onde pescar o melhor peixe e onde ele é mais abundante. Falou-nos este amigo do seu carinho pela ponte do Pontão que dá para Boticas; como também não só da ribeira de Gondiães como do rio Bessa Torneira. E disse mesmo :”Eu sou vigilante” destes cursos de água. De iniciativa própria. Por amor à preservação dos ribeiros e do território à volta. É que há pessoas que não sabem respeitar a Natureza…”.
Que pena, meus amigos! Estamos no ano internacional da biodiversidade, onde cada ser vivo ( animal ou planta) merecem cuidados especiais. Temos fé de que estes predadores não podem ser de Cabeceiras!
Rancho de Arosa recriou quarto à moda antiga
Rancho de Arosa recriou quarto à moda antiga

DOS CAMPONESES DE AROSA
AO COLÉGIO DE REFOJOS
E ASSOCIAÇÃODE BUCOS

Ui, meu Deus! Que de recordações nos vieram à memória, quando nos deparámos com o pavilhão do rancho folclórico das camponesas de Arosa! Num espaço tão exíguo, de tudo um pouco nós vimos e de tudo um pouco nos lembrámos dos recuados anos quarenta que no pavilhão se pretendia reviver: os tempos difíceis da segunda guerra, da fome, dos alimentos racionados; da água d’unto (em vez de caldo) com massinha a dançar na água – grãozinhos de massa rijos como olhos de peixe que nunca mais se mastigavam; e papas de milho, que nos deixavam de barriga enorme! No simulacro de quarto, a mesinha de cabeceira com o penico à mostra. Então, não havia “casas-de-banho na estrutura da casa: havia as retretes na horta para adubar os quintais. E de noite, para se ir ao quintal satisfazer as necessidades fisiológicas, sobretudo se chovia ou estava frio, era muito aborrecido. Então os penicos eram o recurso, mesmo que depois ficasse o aroma pestilento no quarto. Depois, o baú e a cómoda, onde se guardava o enxoval da rapariga casadoira, ou as melhores peças dos bragais. Depois, o lavatório e o jarro, um “luxo” para alguns nesses recuados tempos. A maioria ia-se mesmo lavar ao tanque ou à pia ou bebedouro dos bois. Depois, o colchão de colmo. Da palha do centeio, depois de malhado o grão na eira . Quem se lembra de como eram enchidos esses colchões? Isto tinha a sua técnica e “especialistas”. Um dos instrumentos indispensáveis era uma vara terminada em gancho curto. Para levar a palha bem aos cantos do pano do colchão. Depois, foram vindo os “molaflex”, os “açoflex” e quejandos. E o colchão de palha morreu. Versos havia, em quadras ou sem elas, na exposição: “Recordar é viver/Recordar aviva/Na corda se guardava/a roupa que havia. Era simples era prático/O modo como se vivia. Acama está bem fresquinha/Foi enchido mo colchão/A gancha deu uma ajuda/à palha que já foi pão”.
Todavia, amigos, as emoções não ficaram por aqui. Do outro lado, estava o pavilhão do Colégio de Refojos. Num simulacro de sala de aula, o tecto de masseira acastanhado; as janelas e os seus assentos de pedra, um de cada lado, abaixo do peitoril. Como era hábito em casas de um certo requinte e de posses. Uma” carteira” para os alunos, também usual nos anos quarenta. O quadro negro. Mas não estavam o tinteiro embutido na mesa da carteira, nem a “pena e o bico” de molhar no tinteiro e assim se escrever nos cadernos. Era o que havia! A lapiseira e a esferográfica ainda vinham longe! Jovens lindas, vestidas à colegial no seu vestido preto de golinha branca, ainda mais acentuavam o cenário estudantil de então.
E tanta coisa nos veio à memória! De professores! De colegas de estudo e de carteira! De peripécias de namoricos às escondidas! E dos chamados erros de palmatória! Erros que agora qualquer um faz a escrever. Sem problemas nem consequências. Mas naquele tempo, eram canadas tão fortes pelas orelhas abaixo e esticões delas mesmo; e reguadas de estalo tão sonoro que se ouvia cá fora!
Passámos para o pavilhão da associação de Bucos e lá vimos jogos populares tradicionais: jogo dos cantinhos, corrida de ganchas; corridas da roda guiada por um “guiador” de arame; jogo da malha ou chincalhão ou das patelas; jogo do pau; jogo do botão e do pião. Quem se lembra do pião de bico-de-lançadeira que era o terror dos putos que dele fugiam como o diabo da cruz?... “Nicada” que esse pião desse noutro, era pião rachado em dois. E quem fosse vítima dessa “desgraça” ia para casa num choro convulso com os restos do que fora o seu pião! E que dizer do jogo do botão? Quantos de nós íamos cheios de medo para casa segurando as calças na mão, porque todos os botões tinham sido arrancadas nas jogadas perdidas? E o que vinha a seguir? A tareia da mãe!

O MÍTICO GRUPO DOS CAVAQUINHOS
A nossa admiração maior e mais feliz, foi, no entanto, a visita ao stand do para nós mítico Grupo de Cavaquinhos da Raposeira :Tantas foram as vezes que ouvimos falar dele; tantas e tão boas as referências a ele; tantos os elogios carregados de orgulho e saudade! Tantas as vezes que nos falaram da Raposeira, que, da Raposeira já temos uma ideia precisa. Agora é só ir lá e confirmá-la. Mas, como tomar conhecimento com este fabuloso grupo de cavaquinhos com que todas as pessoas enchem a boca, dele falando com tanta alegria e orgulho? Num instante, ei-lo aqui na nossa frente!
E trocámos impressões com um dos seus responsáveis e fundadores:
“Em primeiro lugar, não imagina a satisfação com que eu ouço dizer que a nossa associação é mítica (e sorri de satisfação ). Somos uma associação relativamente jovem. Nós, como grupo de trabalho, há já muitos anos que trabalhamos, desde andar a aprender… O cavaquinho foi o instrumento que nos uniu. Aliás, o nome de associação de cavaquinhos da Raposeira – e aqui uma homenagem ao cavaquinho – foi o instrumento que nos uniu. Eu ensinava cavaquinho. Um grupo que se formou gostou de aprender e a partir daí nós queríamos participar nas actividades oficiais, digamos assim, promovidas pela autarquia. E então criámos uma associação (…) E já agora, só duas palavras: a dinâmica aqui deste nome são os cavaquinhos e a Raposeira , que era um largo muito histórico aqui em Cabeceiras . Era um lugar com muita história mas estava a ficar assim um bocadinho como todos os lugares: as pessoas vão para fora… começa a haver menos natalidade… há menos crianças e, digamos, estes e outros começam a ficar infelizmente despovoados. E então, nós, como uma forma de dinamizar e conseguir que aquele lugar volte a ter a vida que tinha antigamente, nós criámos esta associação. Ali, se reparar, ali na foto do meio, está o pau de sebo que foi reintegrado na festa de S. Pedro que nós revitalizámos. Festa que já não se fazia há trinta e tal anos. De há dois anos para cá, oficialmente, fazemos a festa, sempre dentro do âmbito da música popular. Como grupo dos cavaquinhos já existimos há uns tempos. Nós até nos auto-denominámos o “ grupo de cavaquinhos da Raposeira” há uns cinco, seis anos atrás. Como associação, já estamos desde 2008. Embora jovem, a associação oficialmente como cavaquinhos da Raposeira, participámos já por duas vezes, três vezes aliás, nos encontros de janeiras , que cá se fazem com muita qualidade, diga-se de passagem. Certame organizado pela Câmara de Cabeceiras de Basto. Por duas vezes vencêmos o primeiro lugar. Com música e letra da nossa autoria. Tanto quanto nos é possível, fazemos uma recolha. Mas tentamos sempre que possível ir ao original. Canções com música e poemas tudo nosso. Já vencêmos dois primeiros lugares. Logo nas primeiras duas actuações. Organizadas pela Câmara de Cabeceiras de Basto. Já fomos convidados inclusive para participar e não pudemos ir por questões… Isto é voluntariado… Há pessoas que por vezes não estão disponíveis. Tivemos um convite da Câmara de Braga para participarmos num encontro de janeiras de Braga, que também souberam de nós… E tenho a certeza de que os convites continuarão. Pela nossa qualidade. A nossa associação já tem nome regional. Fomos também já convidados pela Câmara de Vieira do Minho, entre outros convites. Vamos ter uma actuação no dia 30 lá numa das freguesias de Vieira do Minho. E vamos tentando atender assim a todas as solicitações. Como sabe, isto é voluntário, as pessoas não ganham nada. Ganham, sim senhor, alegria, convívio, amizade. Valores que são riqueza e de vez em quando temos aí uns convívios que também fazem falta à mesa, digamos assim. E é isto que nos vai motivando (…).
E esta conversa ainda continuou por alguns bons minutos. Mas, com pesar nosso, não podemos transcrever tudo. E mesmo assim, passámos ao lado do stand da banda de música cabeceirense, uma associação que nos cativa e com a qual, por casualidade, encontrámos pontos e pessoas comuns, nas breves palavras trocadas com alguns dirigentes.
E sabem onde terminámos? Na Associação dos comedores e bebedores do Outeiro. Oficializada em Outubro de 2008. Que boa pinga! E que saborosas bifanas! Diga-nos lá, amigo leitor, se também por lá não passou!

O CENTRO DE TEATRO DE CABECEIRAS

No entanto, o tal clímax, o auge da festa foi o espectáculo de sábado à noite e tão ansiosamente esperado e no âmbito do “centro de teatro de Cabeceiras de Basto. Por todos. E de um modo muito intenso pelos “actores pessoas colectivas e individuais, que nele iam participar. Do que nos disse o vereador da Cultura sobre este centro de teatro e seu espectáculo, já o revelámos a propósito do conceito de “cultura”. Vejamos agora o que nos disse a vereadora do associativismo:
“A criação deste centro de teatro resulta de um protocolo que a Câmara Municipal estabeleceu com o centro de criatividade da Póvoa de Lanhoso, um projecto cultural que agrega vários parceiros. Neste âmbito, dinamizou-se aqui em Cabeceiras de Basto, um centro de criatividade, que se designa por “Centro de Teatro da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto”. Está a ser dinamizado, como disse, envolvendo pessoas colectivas e singulares. Já se apresentou à população cabeceirense com a encenação de uma peça há uns tempos atrás que foi um êxito. Agora, pela segunda vez, vão subir ao palco, envolvendo ‘actores’ e ‘actrizes’ de Cabeceiras de Basto, que nos últimos meses têm vindo a desenvolver um trabalho intenso de cor, luz, movimento, dança e teatro.
- Há então, uma escola…
- Há uma escola, digamos, que são oficinas de aprendizagem, nas quais o centro de teatro, com a colaboração do centro de criatividade da Póvoa de Lanhoso, promove formação artística,seja ao nível da dança e movimento, máscaras e adereços, jogos dramáticos, interpretação teatral, expressão corporal, entre outros, inerentes a toda a dinâmica que um espectáculo de teatro necessita. Envolve além de muitos cabeceirenses, várias associações que neste caso concreto, vão participar na peça que será apresentada ao público durante a Festa do Associativismo e das Colectividades Locais. Este espectáculo tem a paricularidade de ser feito com gente da terra. Os participantes que fizeram uma aprendizagem durante agum tempo tendo em vista a sua realização " Ir e vir e ir" é o seu nome. Fala sobre a emigração.Vai ser certamente do agrado de todos (…).
Escusado será dizer, porque vocês, amigos leitores, disso foram testemunhas, este espectáculo do “ir, vir e ir” que glosou sobretudo o fenómeno da emigração, foi um espectáculo de sucesso e de deslumbramento. Pensámos que estes adjectivos chegam para o qualificar.

INVESTIMENTO FEITO NAS ASSOCIAÇÕES
É INVESTIMENTO FEITO NAS PESSOAS

E sobre a festa, no seu todo, o que disse o snr. Presidente da Câmara? Primeiro, que vale o esforço financeiro na aposta da promoção do associativismo. Vejamos…
- São muitas as associações no concelho o que é uma carga financeira muito grande para a autarquia, como é óbvio (…) Nós hoje temos um orçamento que investe nas associações à volta de 500.000 euros. Mas não estamos arrependidos por isso. Porque sabemos que o investimento feito nas associações é um investimento feito nas pessoas, é investimento feito em acções, em iniciativas sejam elas culturais , sejam elas sociais, sejam elas recreativas, sejam elas desportivas. Isto é investir nas pessoas e de acordo com aquilo de que elas mais gostam, que é desenvolver um objectivo ou uma acção de uma forma voluntária que os anima, que os motiva e sem horas. Mas apenas ( e só) por gosto e por amor à camisola(…)
E ficou um recado para alguns, no fim do agradecimento a todas as colectividades e associações, do quanto elas pesam na promoção e prestígio de Cabeceiras de Basto:
“Por último, minhas senhoras e meus senhores, caras amigas e amigos: não vou dar por encerrada a minha intervenção sem que agradeça às associações que estão aqui na festa do associativismo e das colectividades e que vão durante estes dias proporcionar um ambiente diferente, vão desenvolver actividades de cada associação ou colectividade ligadas ao seu sector. Entidades que vão não só mostrar à população de Cabeceiras de Basto, à população que vem de fora de Cabeceiras de Basto e do nosso movimento associativo. (Que) é um movimento associativo diversificado, é um movimento associativo que tem força, é um movimento associativo pujante que se recomenda e que de dia para dia nós vamos tendo mais associações. E eu acredito sinceramente que – isto é um pensamento meu e penso que partilhado por outras pessoas – uma terra que tem assim um movimento associativo e se este movimento associativo for desenvolvido no pressuposto dos objectivos que estão subjacentes a cada uma das colectividades e associações e se o fizeram também de uma forma voluntária e não… Deixem dizer que nós preocupamo-nos na Câmara, nós também temos cabeça para pensar – quando sentimos que alguém procura através das associações outros fins que sejam diferentes daqueles que estão nos estatutos, com o objectivo de obterem lucros, não contem com a Câmara Municipal. Então montem uma empresa. As associações são associações. As empresas são empresas. As empresas é que são criadas para dar lucro. As associações são criadas para fomentar o desporto, fomentar o associativismo, fomentar a cultura, fomentar a acção social, mas sempre com o espírito de entrega do voluntariado. E não com o espírito do lucro. Isto são as nossas balizas. Daí que nós hoje e como disse orgulhamo-nos, honramo-nos por haver tantas associações, com boas associações que promovem o desporto, promovem a cultura e promovem a parte social mas promovem também as pessoas que estão ligadas, que desenvolvem a actividade e promovem em última instância a sua terra”(…)
E, amigos meus, é isto o que fica do muito que se pôde ver e ouvir e apreciar nesta festa do associativismo e das colectividades, onde ao amigo leitor, pensamos que como nós, perante a “montra vasta e de muita riqueza da festa, lhe foi proporcionado ir e viajar no passado vir ao presente, vivê-lo. E com ele “ ir novamente” guardar na baú das memórias tudo quanto recordou.
Isto, uma vez mais no recinto do “Centro Hípico”, um espaço vosso da maravilha para estes eventos.
Duas perguntas ficam no ar: para quando uma associação de grupos corais?... Para quando uma festa do linho pela associação para isso mais vocacionada?...
Um abraço, amigo leitor!

Pedro Marques

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