Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 02-08-2010

SECÇÃO: Recordar é viver

PARABÉNS AO PADRE FERNANDO CASTRO

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Pelas Bodas de Ouro Sacerdotais

Caros leitores, hoje domingo, dia 18 de Julho, por volta das nove horas da manhã, enquanto tomava o pequeno almoço, no silêncio de uma casa em que os filhos já não moram nela, ouvi tocar o sino da minha Igreja. Muito cedo! Digo eu para os meus botões. Curiosa, chego junto à janela da minha varanda e verifico que se vão juntando muitas pessoas no adro do Mosteiro. Lembrei-me de repente, e até um pouco envergonhada pelo esquecimento, da procissão da Senhora da Saúde, a quem tanto recorremos no nosso dia a dia e, principalmente, quando a doença nos atinge a nós próprios ou a algum familiar.
Olhei com nostalgia, com saudade e com remorsos de não estar lá a participar. Deixei-me estar a contemplar aqui do alto do meu quarto andar a formação da procissão e esperei que a última pessoa que ia no fim a acompanhar o andor da Senhora da Saúde desaparecesse do alcance da minha vista.
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Lembrei-me de outras procissões longínquas orientadas pelo antigo Arcipreste Barreto, falecido vai já para trinta e seis anos. Ao mesmo tempo “vejo” a figura inconfundível do nosso querido e estimado Padre Fernando de Castro, que veio substituir o Padre Barreto desde a altura da sua morte. Era ainda um jovem padre!
Claro que todas as pessoas têm personalidades próprias e insubstituíveis. O Padre e Arcipreste Barreto era único na sua maneira de ser. Amado por uns e menos por outros. Um homem de ideias vincadas e muito frontais. Mas, não é bem do Padre Barreto que eu quero falar. Isto foi só um aparte. Como atrás referi, o Padre Fernando Castro, oriundo da freguesia de Painzela, que se me não falha a memória e perdoem-me se me engano, era sacerdote em Amares, veio pronto e muito justamente ou melhor dizendo veio bem encaminhado para “zelar” pelos paroquianos da freguesia de Refojos e naturalmente como Arcipreste orientar todas as freguesias do concelho pelo menos durante os anos do “mandato” se assim posso empregar este termo.
Como era um sacerdote de Cabeceiras e já com muito boas referências, o povo aceitou-o muito bem. Que me lembre não houve grande estranheza à presença do Padre Fernando. Diria até que os paroquianos tinham mais à vontade para se dirigirem a ele para tratar de qualquer assunto relacionado como por exemplo com os casamentos, baptizados, as comunhões, as missas das almas, bênçãos das casas a estrear, enfim tudo o que se relacionasse com os deveres dos paroquianos.
Esqueci-me de vos dizer no início desta crónica o porquê de estar a falar do “nosso” Padre Fernando Castro. Além das lembranças que me vieram hoje à memória da procissão da Senhora da Saúde, é que ele infelizmente está doente devido a um inesperado e traiçoeiro AVC, que o retirou do nosso convívio diário. Digo convívio diário porque o via todos os dias mesmo sem ir à Igreja do Mosteiro. Quem desse a volta à Praça da República via o Padre Fernando logo pela manhãzinha a atravessar o adro do Mosteiro ou para se dirigir ao seu carro ou ir a pé tomar um cafezinho logo ali em frente. O Padre Fernando gostava mais de andar a pé. Tinha mais contacto com as pessoas.
Infelizmente tenho falhado a algumas missas mas, às que assistia com o Padre Fernando davam-me que pensar. Não é que ele tivesse aquele dom de falar como alguns pregadores que são preparados para esse mesmo fim e, que muitas vezes as palavras desses “pregadores” soavam a “ameaças” tipo “cumpri senão o inferno estará à vossa espera!”. O Padre Fernando falava pausadamente como se estivesse a conversar connosco.
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Não pensem que ele também não “puxava” as orelhas quando achava que tinha que ser. Passava o sermãozinho mesmo parecendo dizê-lo com falas meigas. Quando tinha de intervir, não mandava recado por ninguém. Algumas vezes que ouvia assim umas achegas dele até dizia para os meus botões. “Credo, hoje o senhor Padre Fernando não está muito contente, acho que exagerou”.
Não tenho vergonha de dizer que já desabafei e chorei muitas lágrimas na sacristia ao contar-lhe as angústias da minha vida porque ninguém é de ferro e muitas vezes falamos mais facilmente com uma pessoa de fora do que os que nos são próximos. E, nisso tenho muito a agradecer ao Padre Fernando pelas palavras de esperança e os bons conselhos.
Ainda vos digo outra coisa! Alguns dos meus artigos de opinião escritos há já algum tempo foram inspirados nos temas de que ele falava nas homilias. Eram temas actualíssimos, que davam que pensar e nos faziam reflectir. Enquanto ele falava eu ia registando na minha memória e assim que chegava a casa ia logo para o computador e começava a escrever pegando nas palavras “chave” do assunto daquele Domingo.
Já vos tinha dito anteriormente que o Padre Fernando é um sacerdote deste tempo apesar de já ter uma certa idade. Servia-se das tecnologias dos tempos de hoje, como por exemplo o computador para manter os paroquianos informados quanto às actividades religiosas, assim como aos dias e horários das missas das almas mandadas rezar pelos familiares.
Pena é Padre Fernando, que não esteja ao serviço por força da sua doença.
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Pena foi, que não festejasse as suas Bodas de Ouro Sacerdotais no dia 10 de Julho com todos nós! Pena foi, que hoje não fosse a dirigir a procissão até à Senhora da Saúde.
Tenho a certeza que todos estão a “torcer” pelas suas melhoras mesmo que já não seja para nos olhar nos olhos de frente ao altar. Mesmo aqueles que, como eu, falham aos deveres como cristãos que somos. Deus sabe que não é por mal. Mas, todos juntos, aqueles que vão ou não à Igreja pelos mais variados motivos estão com o senhor Padre Fernando no pensamento a desejar-lhe que melhore e que volte à sua terra o mais breve possível.
Parabéns Padre Fernando Castro pelas suas Bodas de Ouro, as suas melhoras e, bem haja por tudo quanto contribuiu para a educação das nossas crianças em especial as da Freguesia de Refojos.
Uma paroquiana agradecida.

Por: Fernanda Carneiro

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