Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 02-08-2010

SECÇÃO: Opinião

CARLOS LOPES - ATLETA DO SÉCULO

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Corria o ano de 1964, Los Angeles engalanou-se para receber pomposamente os Jogos Olímpicos à boa maneira americana.
Na maratona masculina a dita prova rainha, a nossa delegação tinha um participante de nome Carlos Lopes natural de Vildemoinhoa – Viseu, atleta do S.C P e treinado pelo Professor Moniz Pereira.
Dada a diferença de horário a prova começou por volta das duas da madrugada. Pessoalmente não conhecia o Carlos Lopes, mas nessa noite não me deitei, mantive-me acordado até a prova começar. A expectativa era grande pois a par do nosso atleta estavam os maiores maratonistas da época, tais como o famoso Alberto Salasar.
Após o tiro de partida Carlos Lopes coloca-se à cabeça do pelotão sempre juntos dos adversários mais directos de vez enquanto passava por baixo dos chuveiros para se refrescar. A sua passada era firme e determinada, o peito projectado para a frente dava-lhe um estilo bonito e um porte altivo embora a sua estatura seja mediana.
O grupo da frente assim se manteve até ao Km 38, foi então que o Carlos tentou a fuga e testar a capacidade de resposta dos restantes concorrentes, mas nada aconteceu e o Carlos Lopes partiu a caminho da meta já completamente só. Foi então que eu fui junto dos meus filhos e de minha mulher que dormiam como justos e muito baixinho dizia “ O Carlos Lopes vai ganhar”.
Foi lindo, muito lindo ver o nosso atleta envolto na bandeira nacional dar a volta de honra ao Estádio Olímpico…. Estava assim ganha para Portugal a primeira medalha de ouro.
Carlos Lopes cometeu a proeza de correr os 42.194m. em 2h 9m 21s record que só foi batido vinte e tal anos depois.
Como é sabido a maratona vem da antiga Grécia e a distância mencionada foi percorrida pelo soldado Filipidez 490 anos antes de Cristo para levar a boa nova de que as tropas de Atenas tinham levado de vencida os Persas e tal foi o esforço que apenas balbuciou a palavra “Vencemos”… e logo caiu morto…
Ao tempo, morava eu no concelho da Maia onde estava sedeada uma importante indústria de vestuário para quem o Carlos Lopes fazia publicidade. O gerente Sr. Ferreira de Almeida fazia o favor de ser meu grande amigo e um dia prometeu trazer o Herói Nacional a minha casa embora nessa altura ele fosse solicitado por tudo quanto era sitio.
Até que um dia por volta da meia noite, alguém bateu à porta, quando perguntei quem era o amigo Ferreira de Almeida respondeu “está aqui o Carlos Lopes” …Todos saltamos da cama e quando eu julgava que ia ter na minha frente um super homem, tinha na verdade uma pessoa simples, afável e muito humilde quer a falar quer em outras atitudes. Ficou então combinado que na próxima vinda traria com ele a sua mulher de nome Teresa, o que na verdade aconteceu pouco tempo depois. Nunca mais vi pessoalmente o Carlos porque entretanto deu-se o meu regresso, a Cabeceiras de Basto.
Veio isto a propósito da notícia que circulou nos órgãos de informação que o Comité Olímpico Mocho agraciou Carlos Lopes com a distinta honra de “Atleta do Século”.
Para além de tudo o que fez como atleta de alta competição, não é menos importante o que fez pela nossa juventude despertando neles o gosto pelo atletismo coisa que até então estava um pouco adormecido.
Depois outros valores surgiram como Fernando Mamede, António Leitão, António Pinto, gémeos Castro, Rui Silva obviamente outros. No sector feminino também marcaram uma época grandes atletas como Rosa Mota, Aurora Cunha, Manuela Machado, Fernanda Ribeiro e outros valores que vão surgindo.
Hoje o gosto pelo atletismo já está tão nos nossos hábitos que por todo lado se vê gente a correr em provas, grupos ou separadamente e até a idade já não conta para o efeito.
Nós por cá também vamos tendo as nossas corridinhas e caminhadas que sendo um excelente exercício físico é, simultaneamente, saudável.

Por: Alexandre Teixeira

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