Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 12-07-2010

SECÇÃO: Opinião

Menino da Rua

Menino da rua
De olhar profundo
A culpa não é tua
De andares só no mundo

Quando a noite cai
A tristeza vem
Não sabe onde vai
Não tem pai nem mãe

Com as calças rotas
E os pés ao léu
Sem meias nem botas
E o destino seu

Sem eira nem beira
E com o seu passo lento
Acende uma fogueira
E dorme ao relento

Não vai a escola
Aprender a ler
Anda a pedir esmola
P’ra poder viver

Nem caldo nem pão
De barriga vazia
Só a solidão
Lhe faz companhia

E numa só mão
Poisa a cabecinha
Faz uma oração
A sua menzinha

Sua alma contem
Um grande desejo
Ter a sua mãe
P´ra lhe dar um beijo

Com um olhar sério
Lá transporta a dor
Vai ao cemitério
Dar-lhe uma flor

O natal chegou
P´ra ele é mais um dia
Nem nisso pensou
Não te alegria

Um natal d’esperança
Para toda a gente
E qualquer criança
Quer ter um presente

Menino da rua
Cansado e vencido
Olhando a lua
Faz também um pedido


Mais um natal sem sorte
E prendas não tem
Pede ao divino a morte
Para ir para ond’ à mãe

Fernando Carvalho

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