Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 12-07-2010

SECÇÃO: Recordar é viver

A TRADICIONAL FESTA DO S. PEDRO DA RAPOSEIRA

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Meus caros amigos, neste momento em que estou a escrever esta crónica ou melhor dizendo a fazer a reportagem do evento que, a Associação dos Cavaquinhos da Raposeira levou a cabo mais uma vez, estou a poucas horas de embarcar para umas férias breves, mas julgo que merecidas.
Tenho fé que me irão fazer bem. Pelo menos foi o que o meu médico me receitou para que as minhas cordas vocais voltem ao que eram. Segundo ele “puxei” demais pela voz nas cantorias ou então meus amigos perdi o “pio” de vez. Que Deus não permita tal coisa! Ele sabe que eu gosto muito de cantar!
Mas, não vou falar de doenças. Vou falar do tema do título desta crónica/reportagem. A grande Festa do S. Pedro da Raposeira! Já falei bastante noutras vezes em crónicas anteriores sobre os antigos festejos do S. Pedro feitos pelas gerações anteriores. Para não ir mais longe falo por exemplo do tempo da “Micas Revolta”, “Adelina Jóia”, “ D. Maria, do Carneiro”, “D. Antoninha Ramos”, “A Milotinha Ferrugem”, “as filhas do Alfredo da Ribeira”, o Joaquim e o Adélio, filhos do senhor “António das Leiras”, e consequentemente toda a filharada das anteriores nomeadas. Esses “S. Pedros” do tempo dessas senhoras, não são do meu tempo, porque sou duma época mais nova. Como já uma vez tinha dito só colaborei (pouca coisa), no S. Pedro pela primeira vez em 1969 e depois, mais ou menos há trinta e cinco anos. O ano passado, a Associação dos Cavaquinhos da Raposeira, resolveu “levantar” a tradição há muito adormecida.
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Esta Associação, da qual eu faço parte como associada e fundadora, é vocacionada essencialmente para a música tradicional, daí o grupo residente que tem o nome de Grupo da Associação de Cavaquinhos da Raposeira, resolver, e muito bem, para a alegria dos mais antigos e saudosos cabeceirenses ou habitantes de Refojos, tentar recrear a Festa do S. Pedro mais ou menos como antigamente. E, por acaso, até correu muito bem! Mas, já sabeis que as festas não se fazem de ânimo leve! Têm que ter vários suportes: o humano, o monetário e logístico pelo menos os mínimos, para que se faça uma festa com dignidade. Como somos uma Associação legalizada como deve ser, já com dois anos e tal de existência e sem fins lucrativos, resolvemos pedir auxílio à Câmara Municipal e à EMUNIBASTO, E.M para ver se conseguíamos que este projecto tivesse viabilidade e responder assim aos anseios dos cabeceirenses. Como Cabeceiras de Basto, tem uma Câmara da qual nos orgulhamos e que está sempre atenta e pronta a promover a cultura, a tradição, a conservação do património histórico e cultural e que tem “desenterrado” a pouco e pouco, com a ajuda dos entendidos, a história dum povo que há muito estava esquecida, foi sensível aos anseios desta Entidade e louvou a coragem da “jovem” Associação dos Cavaquinhos por tentar “erguer” uma tradição há muito esquecida.
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Em Cabeceiras de Basto existem inúmeras associações e como sabeis a Autarquia faz o que pode e o que lhe é permitido apoiando-as a todas conforme a actividade de cada uma e com a máxima justiça.
É sabido que sem o apoio da nossa Câmara e da Emunibasto que, além do pecúlio monetário e do apoio logístico, como por exemplo, a colocação dum palco enorme coberto, da cedência da Polícia Municipal durante os dois dias e das devidas autorizações para a realização da festa era impossível comemora-se o S. Pedro, pelo menos com a dimensão com que foi feita. Sem este apoio a “pretensa” festinha do S. Pedro teria que ser só um pic-nic nas mesas feitas de pedra no Largo da Raposeira.
Como o ano passado correu muito bem e até ultrapassou todas as expectativas, este ano os Cavaquinhos resolveram prolonga-la durante dois dias como era hábito antigamente, no Sábado e no Domingo. Claro que se compararmos o antigamente com a música que saía dos altifalantes do “Salsinha” de Alvite que, tocava sempre quer houvesse electricidade ou não, o povo a dançar e talvez um rancho folclórico local, no largo de terra batida, de volta do pau ensebado com o bacalhau e a garrafa do vinho no cimo, não sei bem como é que era. Hoje é uma tradição feita com uma certa tecnologia, recorrendo a grandes aparelhagens com computadores e instrumental ligados com fios eléctricos. Mas, o mundo andou muito rápido e mesmo tratando-se das tradições já não se pode viver sem essas coisas.
Como atrás referi este ano o S. Pedro foi pensado com bastante antecedência. Os grupos convidados, o Grupo de Fados e Serenatas da Universidade do Minho, onde ouvimos o “nosso” Jaiminho da Freiria, além dos outros colegas, o Grupo da GEFAC- Grupo de Etnografia e Folclore da Academia de Coimbra, que simpaticamente acederam a vir actuar gratuitamente, porque nestes dois grupos estão os meus sobrinhos, de Braga. O Jorge Pinto, filho da minha irmã Isabel e de José Joaquim Pinto (da Caixa Geral de Depósitos) e o Rui Macedo, médico em Coimbra, filha da minha irmã Otília Campos Macedo e de Manuel Macedo Gonçalves, médico especialista no Hospital de S. Marcos, em pneumologia e alergologia cutânea. O Rancho de Oliveira de Barcelos também veio abrilhantar a festa por intermédio deste meu cunhado porque os membros do rancho são quase todos seus familiares. Teremos que retribuir o favor ao Rancho de Oliveira de Barcelos indo actuar lá em data a marcar oportunamente. Tivemos também o já conhecidíssimo grupo “Água Viva” para arrematar a grande noitada.
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Entre as actuações destes grupos conhecidíssimos fez-se um sorteio de rifas como o ano passado. Como este ano houve mais patrocinadores, o sorteio teve três prémio, respectivamente, um grande cabaz, com variedade de coisas, uma bicicleta e um telemóvel.
Durante o dia de sábado fizeram-se os jogos tradicionais tais como, jogo das patelas, tiro ao alvo, corrida dos sacos, jogo das malhas e os mais afoitos foram tentando subir ao pau ensebado para chegar até ao bacalhau e à garrafa do vinho. Num aparte vos digo que antigamente queria-se chegar ao bacalhau e ao vinho porque a fartura era pouca e o bacalhauzinho vinha mesmo a calhar, agora já não é esse o sentido. É simplesmente o sentido da vitória. Ainda acerca desta subida ao pau, devo dizer que era mais bonito e muito mais custoso antigamente porque só uma pessoa podia lá chegar pelos seus próprios meios, agora só lá chegam através duma pirâmide humana como foi o caso neste dois anos feita pelos “manos arejais” de Outeiro, os costumeiros dos jogos “radicais”. Mesmo assim as manobras deles despoletaram gargalhadas profundas em todos quantos olhavam para eles.
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A cascata nas escadas feita pelos membros do grupo dos Cavaquinhos (menos por mim, fui mais relações públicas) e alguns familiares do largo foi do mais bonito que eu já vi em toda a minha vida. Toda verde, enfeitada com musgos vários, com santos e imagens colocadas emprestadas por várias pessoas, composta por flores feitas pela minha irmã Conceição Campos , com balões e manjericos e ao cimo das escadas dentro da cascata não podia faltar o tradicional boneco “a mijar”. As tasquinhas da venda das comidas que como sempre foram instaladas no olival do senhor Carlos Fraga Lopes Pereira, da Casa da Raposeira utilizando a garagem dele como bar.
Foi preciso muita organização, imaginação e, sobretudo muita paciência para que tudo corresse dentro dos conformes conforme os objectivos da Associação dos Cavaquinhos da Raposeira.
Devo dizer, como membro dos cavaquinhos, como antiga moradora e uma apaixonada da Raposeira que esta iniciativa recreada pela segunda vez depois de um interregno de cerca de trinta e cinco anos correu tão bem que excedeu todas as expectativas mais uma vez.
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Parabéns a todos quantos contribuíram com a oferta de dinheiro, comprando as rifas, não esquecendo os patrocinadores, devidamente identificados no cartaz da festa e nos bilhetes do sorteio, a todos quantos trabalharam no duro como todos os membros dos cavaquinhos, seus familiares e os anónimos do lugar e até de outras freguesias limítrofes.
Esperamos que para o ano se possa repetir a Festa do S. Pedro com o mesmo brilhantismo deste ano.
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Por: Fernanda Carneiro

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