Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 12-07-2010

SECÇÃO: Opinião

VANTAGENS COMPARATIVAS (124)

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O FILME DAS SCUTS

Já não tenho bem a certeza, mas parece-me que uma das primeiras medidas decretadas pelo governo do Eng. António Guterres, logo após a sua tomada de posse na sequência dos resultados das eleições legislativas de 1995, foi a abolição de portagens em três dos troços ao tempo sujeitos ao respectivo pagamento.
Foram eles a denominada CREL, a sul, na área da Grande Lisboa, e dois a norte, os lanços Porto/Maia e Porto/Ermesinde, na área do Grande Porto. Tratou-se de uma medida bombástica, para impressionar, muito semelhante à suspensão definitiva das obras de construção da barragem do rio Côa.
Depois, e disso tenho a certeza, foram as ideias inovadoras do então ministro das obras públicas, o Eng. João Cravinho. Construir um conjunto de auto-estradas, em várias direcções, tudo sem custos para os utilizadores. Também me lembro de, já na altura, alguns incrédulos como eu, levantarem a questão de quem iria pagar tais custos para o futuro. O Eng. João Cravinho, como todo o governo liderado pelo Eng. António Guterres formavam, ia a dizer bando, mas bando não, isso de bandos era no tempo do Zé do Telhado, tratava-se, efectivamente, de um grupo de boa gente, tudo mãos largas, ninguém paga!...
(Pode continuar a limpar as mãos à parede, Senhor Eng. João Cravinho!)
Também não tenho a certeza, mas parece-me que uma das primeiras medidas tomadas pelo governo do Dr. Durão Barroso (o homem que falava da tanga!), na sequência dos resultados das eleições legislativas de 2002, foi a reintrodução do pagamento de portagens na CREL. Os dois pequenos lanços da área do Grande Porto, ou seja, Porto/Maia e Porto/Ermesinde, ficaram de fora desta primeira opção.
Depois, e parece-me que já no tempo do governo do Dr. Santana Lopes, e quando era ministro das obras públicas o Dr. António Mexia (aquele que agora ganha milhões de Euros, tudo fruto de salários honrados e honestos, diga-se em abono da verdade!), mas, ia eu a dizer que, no tempo do governo do Dr. Santana Lopes, ali por alturas de 2004, alguém começava a dar conta de que as auto-estradas do Eng. João Cravinho tinham custado dinheiro, e muito dinheiro mesmo! Uma auto-estrada não é obra que se construa com poucochinho dinheiro!
Em curto espaço de tempo, o governo do Dr. Santana Lopes cessou funções devido à dissolução da Assembleia da República, e assistiu-se a nova campanha para eleições legislativas. No respectivo programa eleitoral, o PSD mantinha a proposta avançada antes pelo ministro das obras públicas, Dr. António Mexia, de introduzir portagens nas SCUTS. Não me lembro se da proposta constavam todas as SCUTS, mas que algumas constavam, tenho a certeza.
Bandeira eleitoral do PS, digamos, uma das bandeiras eleitorais, entre muitas outras, do PS e do Eng. José Sócrates: «Não à introdução de portagens nas SCUTS». Também me lembro, como se o tivesse dito ontem, de ter comentado este facto com um amigo, que era militante do PS, por sinal já falecido, infelizmente: «Esta é a pior asneira eleitoral do candidato do PS a Primeiro-Ministro. Quem é que irá aguentar com os custos das SCUTS, a muito curto prazo?».
Eu disse-o e mantenho-o. Penso que é um absurdo todo este procedimento desde o seu início. Mais, tenho a convicção de que a maior parte das autarquias do nosso pais são governadas por irresponsáveis, em particular no que respeita a matérias como esta de que aqui estou a falar.
Referem, por exemplo, que, para que a auto-estrada que passa lá pelo interior do seu concelho possa ter portagens é necessário que exista uma via alternativa. E apresentam comparações de distâncias e de tempos de viagem. Ora, uma alternativa que demore sensivelmente o mesmo tempo de viagem que demora pela auto-estrada, e que tenha sensivelmente a mesma distância que tem a auto-estrada, o que poderá ser isso se não outra auto-estrada, sensivelmente igual à primeira?
Só de autarcas! Perdão, só de alguns autarcas, é que se pode esperar este tipo de raciocínio. Aliás, este tipo de raciocínio é muito frequente a todos os níveis da nossa super-estrutura político-partidário-administrativa. Uma autêntica vergonha, uma verdadeira desgraça! Ouçam-se, a propósito, as intervenções de muitos, mas mesmo muitos, dos deputados da Assembleia da República.
Ainda a propósito de autarcas, até ouvi há dias um, que era para ali dos lados de Aveiro, a dizer que andava com uma moto-serra na mala do carro pronta para derrubar os pórticos das portagens a qualquer momento! Coisas de autarcas num verdadeiro estado de direito!
O actual Primeiro-Ministro, o Eng. José Sócrates, tem agora uma oportunidade de ouro (uma verdadeira golden share!), para sanar este problema de uma vez por todas, e, a menos que eu não esteja a ver qualquer especial tipo de rasteira por parte do maior partido da oposição, sair-se de toda esta embrulhada de cabeça erguida. Então? Aceite as propostas do PSD sobre este assunto na íntegra. Estão a passar-lhe o trunfo e o senhor não o quer utilizar?
Se há rasteira? Isso, não sei. Mas, a alternativa que apresenta, a sua mais recente proposta, aquela em que adianta conceder isenção de portagens a quarenta e seis municípios? Essa, Senhor Primeiro-Ministro (!), vai ser, para si, uma trapalhada bem pior do que as trapalhadas de que se falou nos tempos do governo do Dr. Santana Lopes. Se assim for, este filme vai ter muito mais sucesso.

PS: «Olhe, vá falar com o Carlos Queirós». Estas palavras foram proferidas, em resposta a uma questão colocada por um jornalista, pelo jogador mais caro e mais bem pago do mundo, logo após o desaire da nossa selecção frente à selecção espanhola. Temos aqui o exemplo acabado de como aquele que tem sido um excelente jogador se transformara num péssimo capitão de equipa… Comentários?... Talvez o Princípio de Peter!

Por: José Costa Oliveira

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