Arquivo: Edição de 21-06-2010
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SECÇÃO: Recordar é viver |
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APÓS 25 ANOS Sim meus queridos leitores, fui de novo a Nossa Senhora de Fátima de excursão, apesar de já lá ter ido algumas vezes no meu carro com os meus filhos. Desta vez não fui numa excursão organizada pelo conhecido Armando “monárquico” do lugar da Touça, Painzela, não senhor! Fui numa excursão organizada pela Associação dos Cavaquinhos da Raposeira. Como a maioria de vocês sabem, pelo menos aqueles que nos vão seguindo através das minhas escritas, sou uma das fundadoras da associação, ao mesmo tempo integro o grupo dos cavaquinhos onde vou “cantando” até que a voz me doa, parafraseando a grande fadista Maria da Fé. De maneira que lá fui numa das duas camionetas - creio que a que tinha o nº 2 - até Fátima. Ao contrário do que fiz acerca de vinte e cinco anos na excursão do Armando “monárquico” desta vez não quis ir à frente no lugar junto à escadaria (acho que se chama lugar do cobrador ou do fiscal), não fosse o caso de todos se lembrarem de ir “verter águas” e eu ter que me levantar para não ficar sem os sapatos na sua saída precipitada. Se algum de vocês leu o meu primeiro livro “Álbum de Recordações”, em duas crónicas seguidas falo sobre uma excursão que fiz a Fátima onde relato as peripécias por que passei ao longo dos três dias da sua duração patrocinadas pelo Teodoro de Chacim, com alguns incómodos que lhe aconteceram, principalmente na hora de dormir exactamente no meio do corredor do autocarro. Lembro-me que na altura fiquei um pouco “cheia” de excursões e jurei que nunca mais corria esse “risco”. Era muito cansativo, três dias de viagem mas, hoje, rio-me ao pensar que aquela viagem deu origem a umas das crónicas que eu mais gostei de escrever. Desta vez já não entramos no Largo da Raposeira. Agora o Largo da Raposeira está todo arranjado e delimitado e não tem espaço para dois autocarros estacionarem ao mesmo tempo, motivo pela qual se decidiu entrar no Campo do Seco, em Refojos. Há um espaço mais amplo e até permitiu que conferenciássemos enquanto não dávamos início à nossa viagem. Eu bem lhe dizia: - Ó Jorge, por amor de Deus e Nossa Senhora, vê lá o que vais dizer… as do costume não – és sempre o mesmo - olha quem vai na camioneta… estão aqui catequistas da nossa Igreja e ficamos todos mal (os Cavaquinhos)… menos Jorge –menos, olha a linguagem… Fazia de conta que eu não dizia nada. O meu “rico filho” Manuel Carneiro, ou Nelinho como lhe costumam chamar dizia: - Anda Jorge, continua. O Jorge parecia que lhe davam gás mas daquele que leva os foguetões à Lua. Então é que ele falava. Já estão a ver que “levei por tabela” do Jorge! E agora – continuava ele, vou contar esta muito “boa” que a D. Fernanda não pode ouvir… e assim por aí adiante. E isto durou grande parte da excursão. Certo é que todos adoraram mesmo aquelas pessoas que de certeza ouvir anedotas não será o seu forte. Confesso que também não sou adepta delas mas, com o estilo do Jorge “revolta” tive forçosamente que rir. À parte disso cantaram-se canções dos Cavaquinhos acompanhadas das violas do meu Nelinho, do meu neto, o Pedro, o bandolim do João Sérgio, e o cavaquinho do Jorge Revolta e do meu cunhado o Carlos Alberto. No nosso autocarro tínhamos uma ocupante que, também é uma artista a tocar acordeão. Falo da Ana, filha da D. Celeste do Tribunal e do senhor Mário que trabalha no Lar D. Manuel Fraga. Haviam de ouvir o dueto que ela fez com o meu irmão Fernando Campos, que foi ter a Fátima para conviver connosco levando consigo a sua concertina. Foram momentos únicos. A Ana faz parte do grupo do Rancho de S. Nicolau e é uma exímia tocadora. Aliás, tem colaborado na ADIB, onde trabalho quando necessitamos da sua intervenção para participar nos concursos organizados pela Câmara Municipal e a EMUNIBASTO. Adoramos todos ouvi-la. A meio da manhã, na primeira paragem, em Antuã, estação de serviço, o grupo dos Cavaquinhos ofereceu ao pessoal dos dois autocarros o pequeno almoço, que já se levava de Cabeceiras de Basto e que constava de rissóis, croquetes e um vinho branco fresquinho da casa do Professor João Sérgio. Modéstia à parte, foi um bonito gesto dos Cavaquinhos da Raposeira! Em Fátima, cada um de nós foi cumprir alguma promessa, ou fazer a visitinha aos pastorinhos. Eu comprei umas velinhas, para mim, para o meu marido, filhos, genros, nora e os quatro netos. É sempre emocionante pisar aquele recinto sagrado. Claro que depois, comeu-se e bebeu-se muito, mas chegamos todos bem, porque os chouffeurs não podem beber. Devo dizer que comer, beber e cantar foi uma constante. Não vou contar mais nada para vos não maçar, vou deixar espaço para as fotografias que testemunham o dia feliz que, espero, se venha a repetir. De momento contamos com vocês nos dias 26 e 27 do corrente para a Tradicional Festa do S. Pedro no Largo da Raposeira. fernandacarneiro52@hotmail.com |
