Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 21-06-2010

SECÇÃO: Recordar é viver

APÓS 25 ANOS

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Eis-me de novo numa excursão a Fátima

Sim meus queridos leitores, fui de novo a Nossa Senhora de Fátima de excursão, apesar de já lá ter ido algumas vezes no meu carro com os meus filhos.
Desta vez não fui numa excursão organizada pelo conhecido Armando “monárquico” do lugar da Touça, Painzela, não senhor! Fui numa excursão organizada pela Associação dos Cavaquinhos da Raposeira. Como a maioria de vocês sabem, pelo menos aqueles que nos vão seguindo através das minhas escritas, sou uma das fundadoras da associação, ao mesmo tempo integro o grupo dos cavaquinhos onde vou “cantando” até que a voz me doa, parafraseando a grande fadista Maria da Fé. De maneira que lá fui numa das duas camionetas - creio que a que tinha o nº 2 - até Fátima.
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O motivo deste passeio organizado pelos Cavaquinhos foi promover um convívio para toda a direcção (são todos cantadores e tocadores), famílias, sócios, suas famílias e outros amigos do Grupo da Raposeira e que gostam de nos acompanhar. Este convívio foi uma espécie de agradecimento pelo empenho de todos nas actividades que a Associação realizou durante os dois anos de existência. Uma atitude de louvar por parte desta “jovem” Associação! De maneira que, foram precisas duas camionetas completamente cheias para nos levar num passeio que prometia ser um dia bem passado. Como já deveis saber os Cavaquinhos levam sempre todo o instrumental com eles para onde quer que vão e, se for possível, até dão um “concerto” improvisado, como aconteceu em Fátima durante a hora da refeição. Talvez não seja muito usual este tipo de coisas no recinto das merendas de Fátima mas, graças a Nossa Senhora ninguém nos chamou a atenção. Certo foi, que todos quantos passaram na estrada fora do recinto, circulavam com os carros muito devagar ou até paravam para ouvir algo tão insólito ali naquele espaço. Mas, antes disso fez-se o seguinte:
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Achou a direcção, e muito bem, que seria uma indelicadeza da sua parte não repartir os membros da direcção e nomeadamente os tocadores e cantadores pelos dois autocarros. Depois de conferenciarem entre si, resolveram fazer desta maneira: o Manuel Carneiro (meu filho), que é em simultâneo o presidente e o maestro, mais o João Sérgio, o Carlos Aberto e o Jorge Carvalho, encarregaram-se do carro nº 2, enquanto que do carro nº 1, ficaram encarregues o Joaquim Campos, o Luis Magalhães, o Leandro Campos, o Jorge Costa e a Ana Maria Campos. Claro que os dois carros foram apoiados pelo resto do grupo. Competia a cada responsável pelo seu carro animar as “hostes”. Fez-se a chamada e cada uma das pessoas foi entrando e procurando o melhor lugar.
Ao contrário do que fiz acerca de vinte e cinco anos na excursão do Armando “monárquico” desta vez não quis ir à frente no lugar junto à escadaria (acho que se chama lugar do cobrador ou do fiscal), não fosse o caso de todos se lembrarem de ir “verter águas” e eu ter que me levantar para não ficar sem os sapatos na sua saída precipitada.
Se algum de vocês leu o meu primeiro livro “Álbum de Recordações”, em duas crónicas seguidas falo sobre uma excursão que fiz a Fátima onde relato as peripécias por que passei ao longo dos três dias da sua duração patrocinadas pelo Teodoro de Chacim, com alguns incómodos que lhe aconteceram, principalmente na hora de dormir exactamente no meio do corredor do autocarro. Lembro-me que na altura fiquei um pouco “cheia” de excursões e jurei que nunca mais corria esse “risco”. Era muito cansativo, três dias de viagem mas, hoje, rio-me ao pensar que aquela viagem deu origem a umas das crónicas que eu mais gostei de escrever.
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Esta minha “segunda volta” a Fátima também foi interessante mas, para mim, há 25 anos aquela viagem teve surpresas e uma confissão em sussurro de amores contrariados que apesar dos contratempos e impedimentos familiares teve um final feliz. Isso tudo no século XX.
Desta vez já não entramos no Largo da Raposeira. Agora o Largo da Raposeira está todo arranjado e delimitado e não tem espaço para dois autocarros estacionarem ao mesmo tempo, motivo pela qual se decidiu entrar no Campo do Seco, em Refojos. Há um espaço mais amplo e até permitiu que conferenciássemos enquanto não dávamos início à nossa viagem.
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Na minha opinião, o pessoal dos Cavaquinhos ficou bem dividido entre os dois carros. Não desfazendo, o meu Nelinho e o João Sérgio são rapazes divertidos e com um humor “fino” na ponta da língua. À partida a paródia estava garantida. No outro carro, onde “comandavam” o Joaquim Campos, que vocês conhecem da Câmara e que é meu irmão, de entre os nove que tenho, o meu primo Leandro Campos Vilela, que faz dentinhos novos para quem precisa de mastigar uma comidinha boa e outras coisas…, o Luís Magalhães e o Jorge Costa, a coisa não ficava por menos. Eles ainda tinham a Ana Maria com as castanholas e os outros colegas do grupo. Como podem verificar a comitiva estava bem composta. Mas o que eles não tinham e, ficaram a perder foi o “maior” contador de anedotas, da história de Portugal, o nosso Jorge Carvalho “um revolta de gema”. Um contador de anedotas que faria corar e até cair os santos do altar. Foram umas anedotas contadas com tanto “rigor” e tanta “minúcia” que, no meu entender deveriam ser postas em livro para que fossem perpetuadas ao longo dos tempos. Eu, sinceramente, até acho que alguns estremeções que senti na camioneta foi devido às gargalhadas do povo que lá ia. Todas as anedotas “picantes” foram “recitadas” ao micro da camioneta acompanhada pelos “bis” dos “responsáveis maiores” do autocarro que disfarçadamente e com cara de bons rapazes foram pondo mais lenha na fogueira. Eu, uma avó convicta e já com uma certa idade, achei por bem tentar por algum “bom senso” naquele reportório para não ferir os ouvidos dos mais sensíveis mas, não resultou! Acelerou ainda mais as rotações da disket do Jorge!
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Se os estimados leitores conhecem estes personagens já estão a ver o caos, no bom sentido, instalado. Quem quiser contratá-lo para algum evento podem crer que o sucesso é garantido.
Eu bem lhe dizia:
- Ó Jorge, por amor de Deus e Nossa Senhora, vê lá o que vais dizer… as do costume não – és sempre o mesmo - olha quem vai na camioneta… estão aqui catequistas da nossa Igreja e ficamos todos mal (os Cavaquinhos)… menos Jorge –menos, olha a linguagem…
Fazia de conta que eu não dizia nada. O meu “rico filho” Manuel Carneiro, ou Nelinho como lhe costumam chamar dizia:
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- Ó mãe! Lá está você como de costume - esteja calada, deixe falar o Jorge. Toda a gente gosta de o ouvir! Lá está você com as suas manias!
- Anda Jorge, continua. O Jorge parecia que lhe davam gás mas daquele que leva os foguetões à Lua. Então é que ele falava. Já estão a ver que “levei por tabela” do Jorge!
E agora – continuava ele, vou contar esta muito “boa” que a D. Fernanda não pode ouvir… e assim por aí adiante. E isto durou grande parte da excursão. Certo é que todos adoraram mesmo aquelas pessoas que de certeza ouvir anedotas não será o seu forte. Confesso que também não sou adepta delas mas, com o estilo do Jorge “revolta” tive forçosamente que rir.
À parte disso cantaram-se canções dos Cavaquinhos acompanhadas das violas do meu Nelinho, do meu neto, o Pedro, o bandolim do João Sérgio, e o cavaquinho do Jorge Revolta e do meu cunhado o Carlos Alberto.
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Fomos cantando todos dentro do possível até porque os restantes elementos do grupo iam no outro autocarro. Toda a gente cantava e batia palmas mas, a minha irmã Conceição foi das que mais se evidenciou com as suas gargalhadas francas.
No nosso autocarro tínhamos uma ocupante que, também é uma artista a tocar acordeão. Falo da Ana, filha da D. Celeste do Tribunal e do senhor Mário que trabalha no Lar D. Manuel Fraga. Haviam de ouvir o dueto que ela fez com o meu irmão Fernando Campos, que foi ter a Fátima para conviver connosco levando consigo a sua concertina. Foram momentos únicos.
A Ana faz parte do grupo do Rancho de S. Nicolau e é uma exímia tocadora. Aliás, tem colaborado na ADIB, onde trabalho quando necessitamos da sua intervenção para participar nos concursos organizados pela Câmara Municipal e a EMUNIBASTO. Adoramos todos ouvi-la.
A meio da manhã, na primeira paragem, em Antuã, estação de serviço, o grupo dos Cavaquinhos ofereceu ao pessoal dos dois autocarros o pequeno almoço, que já se levava de Cabeceiras de Basto e que constava de rissóis, croquetes e um vinho branco fresquinho da casa do Professor João Sérgio. Modéstia à parte, foi um bonito gesto dos Cavaquinhos da Raposeira!
Em Fátima, cada um de nós foi cumprir alguma promessa, ou fazer a visitinha aos pastorinhos. Eu comprei umas velinhas, para mim, para o meu marido, filhos, genros, nora e os quatro netos.
É sempre emocionante pisar aquele recinto sagrado. Claro que depois, comeu-se e bebeu-se muito, mas chegamos todos bem, porque os chouffeurs não podem beber. Devo dizer que comer, beber e cantar foi uma constante.
Não vou contar mais nada para vos não maçar, vou deixar espaço para as fotografias que testemunham o dia feliz que, espero, se venha a repetir.
De momento contamos com vocês nos dias 26 e 27 do corrente para a Tradicional Festa do S. Pedro no Largo da Raposeira.
fernandacarneiro52@hotmail.com

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