Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 31-05-2010

SECÇÃO: Reportagem

V SEMANA DA SAÚDE E DA SOLIDARIEDADE
CABECEIRAS UM CONCELHO COM IDENTIDADE PRÓPRIA

Cabeceiras de Basto é um concelho de vanguarda. Sempre na linha da frente. Sempre objecto de notícia. Notícia que há muito ultrapassou a barreira da interioridade tão badalada nos custos que a mesma implica em si e por isso mesmo numa exigência da desde há uns tempos chamada “discriminação positiva”, de modo a que a situação de inferioridade neste âmbito seja compensada em comparação com o desenvolvimento de outros concelhos, sobretudo do litoral.
Não nos esqueçamos, todavia, que é também precisamente esta barreira da interioridade, que permite que o seu seio não se descaracterize , não perca a sua identidade própria; antes pelo contrário, preserve e dinamize os seus valores culturais. Um concelho do interior consegue olhar para si próprio e só depois para o exterior. E isto é bom. Isto é saudável, é salutar. Isto é a forma genuína de solidariedade social no seu todo concelhio.

Composição da Mesa dos Trabalhos
Composição da Mesa dos Trabalhos
Não nos esqueçamos também de que a saúde não é apenas na dimensão física do corpo humano: é também nos valores de uma região e na confiança recíproca de uns nos outros. Disto é exemplo, ao que nos contaram, o hábito ainda hoje existente no Arco de Baúlhe, de as pessoas saírem de casa sem trancarem a porta, isto é, ainda há quem deixe na fechadura, do lado de fora, a respectiva chave. Zelando-se, assim, na segurança uns pelos outros.

Sónia Fertuzinhos na sua intervenção
Sónia Fertuzinhos na sua intervenção
CABECEIRAS
CONCELHO SEMPRE NOTÍCIA

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Como íamos dizendo, Cabeceiras é sempre notícia. Ora por isto, ora por aquilo ou aqueloutro. Hoje há este acontecimento, amanhã já outro vem aí. Acontecimentos sempre com brado que não se contém nas muralhas concelhias. Brado que chega à comunicação social nacional. E até na televisão, Cabeceiras aí vai aparecendo com bastante regularidade. E o símbolo concelhio – o Basto – vai penetrando nas mais diversas instituições públicas ou privadas. Vejam-se os mais recentes exemplos de reportagem televisiva , o último dos quais na manhã de 24 de Maio, no programa “ Praça da Alegria”. E com quem ? Também com a deputada da Ass. Da República, Dra Sónia Fertusinhos: e a propósito de quê também? Do seu envolvimento enquanto deputada nas políticas públicas da Saúde. Como iremos ver mais adiante, nesta reportagem, irá ser ela a figura central deste nosso trabalho.
Desta vez, prezados leitores amigos, a nossa reportagem é sobre a “ Semana da Saúde e da Solidariedade”, na sua quinta edição. Promovida, em boa hora, pela Câmara Municipal de Cabeceiras. E desde logo uma conclusão se tira, necessariamente positiva: se é pela quinta vez, é porque houve êxito nas edições anteriores. Na aposta de um investimento nas pessoas e nas colectividades.
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CABECEIRAS
CONCELHO COM DEMOCRACIA PARTICIPATIVA

Na nossa última reportagem sobre o 25 de Abril, ficou o testemunho, fundamentado, de que em Cabeceiras de Basto a democracia é participativa; de que esta participação é um facto . Não é miragem. Não é plano de intenções: é uma realidade activa, “no terreno”. Com a “prata da casa”, muito de bom e útil se pode e deve fazer. E Cabeceiras fá-lo. Colectividades e instituições e o povo, são um todo em sinergia activa nas diversas valências.
O que é nos disse a deputada Dra Sónia Fertusinhos? Oiçamo-la:” É fantástico perceber como é que um concelho que tem tantas dificuldades desde logo por ser tão do interior por estar tão ligado à agricultura(…), que tendo muitas oportunidades de desenvolvimento, também tem muitos problemas com os quais é difícil lidar em simultâneo. O trabalho que a Câmara faz e a sua equipa, prova bem, e merece bem o Presidente que tem. E por isso a mim sabe-me chamar-lhe, de forma afectuosa, “Presidente”. E disse mais: “… Não só por todo o investimento em infra-estruturas que fazem deste concelho um bom local para viver mas também por toda a dinamização que a Câmara Municipal faz como é prova esta semana dedicada à saúde e nas entrevistas dadas à televisão..”

TANTA E TÃO BOA FERRAMENTA
PARA SE TRABALHAR NA SAÚDE SOLIDÁRIA

O Presidente da Câmara chamou a este certame a “festa da saúde e da solidariedade”. E, de facto assim é: uma festa. Uma alegria, poder-se dispor de tanto instrumento ao serviço do bem comum. Uma festa e uma feira. Feira de oferta de tantos instrumentos, da terra e de fora. Bastou visitar-se, de 21 a 23 e Maio, os inúmeros pavilhões e equipas de rastreio à disposição de cada um: do IPJ; da ARS; da GNR; das Forças Armadas; do Centro de Saúde local; da brigada móvel de apoio da Câmara Municipal; de clínicas de oxigenoterapia; de rastreio auditivo; de doenças pulmonares obstrutivas crónicas. Mas não só ofertas dos serviços: também abundante informação acessível a todos. De doenças ( tantas!) relacionadas com o tabagismo; de centros médicos, viam-se as questões: O que são doenças cardiovasculares? Quais os factores de risco? Diabetes: o que é? Que Sintomas? Que grupos de risco?
E mais ainda: pavilhões sobre a saúde oral, nas diversas fases etárias e na situação de outras doenças. Do Externato S. Miguel de Refojos, informação sob o lema de “DIZ NÃO ÀS DEPENDÊNCIAS!”, alertando para o perigo das diversas drogas.
Para os deficientes motores a CERCIFAF e o Instituto do Emprego e Formação profissional disponibilizaram informação sobre o acesso a ajudas técnicas de mobilidade.
Mas também se podiam ver pavilhões de medicina alternativa, através de produtos naturais. E até a beleza feminina não foi esquecida: “mude o seu sorriso”, podia ler-se. Oferta de massagens terapêuticas; massagens de raiz oriental; oferta de sessões de beleza; depilações a laser com publicidade apelativa: “arrase neste verão!”. Isto para as senhoras e para a juventude feminina, sempre na busca de maior valorização do seu charme e sedução. Um nunca mais acabar de ofertas “de encher o olho”, de chamariz tentador…

SOLIDARIEDADE SOCIAL

No plano social, havia o pavilhão do Banco do Voluntariado; da CPCJ na protecção de crianças e jovens em risco; de protecção às vítimas de violência sexual, das crianças aos adultos, ou simplesmente de qualquer violência doméstica. E por isso também este apelo: “Grite pelos seus direitos”.
E, neste âmbito, não é tudo! A preocupação social da erradicação da pobreza, neste “ano europeu do combate à pobreza e à exclusão social” foi um apelo a todos: “Não fiques indiferente! Garante aos idosos e crianças sadios ambientes familiares!” E para isso tem vindo também a contribuir o RSI. Se é para todos é “para todos os que mais precisam”. Nesta preocupação social, couberam ainda os bombeiros voluntários; os centros sociais e paroquiais e os agrupamentos de escolas do concelho. Aqui, ainda e antes de tudo, o “Banco do Voluntariado” como expressão genuína da solidariedade no sentido positivo de ir ao encontro de quem precisa de ajuda, seja ela na saúde, na amparo material ou moral ou mesmo de afecto ou carinho.
Nada faltou, prezados leitores. Digam lá se isto não é uma riqueza espiritual, material, física e moral! Onde é possível encontrar tanta riqueza com tal abundância? Não é isto reflexo da entreajuda que só a interioridade torna possível?
E por isso, meus amigos, estes dias, foram dias de festa onde não faltou o teatro; onde não faltou a actividade física; onde não faltou a música, com referência especial aos “Cavaquinhos da Raposeira”.

INTERVENÇÃO DE SÓNIA FERTUSINHOS:
“SÓ PARAMOS QUANDO O CANCRO FOR CURÁVEL”

Houve festa?... Mas houve também reflexão. E na reflexão, o tema escolhido foi a luta contra o cancro. Com a intervenção da deputada Sónia Fertusinhos, nesta “V festa da Saúde e da Solidariedade” - “uma iniciativa, uma boa ideia, que de ano para ano tem vindo a potenciar a rede social e capacidade de coesão social e também a política de saúde, nomeadamente ao nível do diagnóstico…”- na expressão de Joaquim Barreto.
Ouçamos Sónia Fertusinhos :”sou membro da Comissão Parlamentar de Saúde e nesse âmbito tenho um trabalho diário e muito de perto com as questões da saúde (…) ligadas à oncologia e à prevenção das doenças oncológicas (…) e no fundo à nossa capacidade colectiva de enfrentarmos melhor esta doença (que) tem ocupado uma boa parte do meu trabalho.”
Sobre o cancro, fez esta deputada uma dissertação de muito interesse, que prendeu a atenção da numerosa plateia onde havia até pessoas que vieram de Lamego para a escutar.
Numa linguagem muito fluente e espontânea e de muito boa comunicação, a todos deixou cativos da sua palavra. Pudera! Mulher arguta e de um excelente traquejo profissional; mulher de bagagem cultural; membro da Comissão Parlamentar de Saúde da Assembleia da República; das suas intervenções enquanto tal e por isso com um conhecimento muito profundo do assunto; interventiva, por isso, em casos onde entende que, antes da política economicista do Estado, está a saúde da pessoa nos cuidados imediatos de que careça, sendo crítica em relação às parcerias com o sector privado se estas vieram a diminuir ou limitar a eficácia do Serviço Nacional de Saúde ( deu razão a D. Manuel Martins quando este afirmou que o Estado vive para a PESSOA); é mãe, jovem, de três filhos menores; mulher e mãe que passou pela experiência da doença do cancro; autora de um testemunho lindíssimo na forma como soube lidar, enquanto mãe, enquanto deputada e também enquanto mulher, com a sua doença.
Tudo isto, condimentos em palavras que foram “alimento”que saciou a “fome” de todos quantos a ouviam suspensas da sua comunicação num sentido muito positivo e de optimismo . Na sequência do que antes nos tinha dito a nós: “Numa atitude de todos muito menos baseada no medo e muito mais baseada na informação e na capacidade de falarmos de uma coisa que é difícil mas que tem de ser falada porque é a melhor maneira de ser vencida”.
Depois, com a participação da assembleia dos presentes no testemunho dado de casos relacionados com a doença do cancro, a intervenção ganhou ainda mais colorido e dinâmica, no diálogo trocado entre ambas as partes, proporcionando-se um debate muito rico e esclarecedor, sobretudo quanto à “volta a dar por cima” na forma de este tema de “saúde” aqui também solidária , de relacionamento entre sãos e doentes e entre estes próprios.

O QUE SÓNIA FERTUSINHOS ESPERAVA
ACONTECEU

Sobre a questão posta à Dra Sónia Fertusinhos, sobre o que esperava desta sua intervenção antes da mesma, ela respondeu-nos assim:
(…) Uma palavra ( de apreço) pelo dinamismo da Câmara Municipal pelo grande envolvimento da população em actividades e organizações semanais durante todo o ano, que alertam as pessoas não só para algumas problemáticas em concreto como é (esta) da saúde no caso; mas também para informar as pessoas sobre os diversos temas e ainda permitir às pessoas momentos de boa disposição. E com boa disposição também se aprende. (Nisto), a Câmara de Cabeceiras de Basto é de facto um exemplo. Não só pelo trabalho que faz mas também pela forma como dinamiza estas actividades e as coloca ao serviço das pessoas.
Por outro lado, espero desta sessão em concreto uma sessão onde possa trocar opiniões com as pessoas sobre tudo o que é que as pessoas sentem e sobre o que é necessário fazermos ( de modo a) que saiamos daqui todos e todas mais conscientes de que o cancro (embora) sendo uma doença terrível, é uma doença que a sociedade e todos nós estamos a conseguir ganhar todos os dias.
É cada vez mais possível curar as pessoas e o nosso lema deve ser “SÓ PARAMOS QUANDO O CANCRO FOR CURÁVEL”. Espero que este seja o mote da conclusão dos nossos trabalhos de hoje”.
Caro amigos: pelo relato acima feito sobre a intervenção dos presentes, conclui-se que as expectativas da conferencista foram plenamente atingidas. Foi, assim, um sucesso, a sua intervenção que a todos deixou mais despertos para a doença do cancro. Aqui também e sobretudo, nesta semana da Saúde e da Solidariedade, com todo o seu envolvimento de feira e de festa, ficou a evidência, à saciedade, de quanto é útil e necessária a solidariedade, de quem pode para quem precisa, nos casos desta doença. Pela nossa saúde, sejamos solidários !
O povo diz: palavras leva-as o vento. Cantigas leva-as o rio. Como ela falou de forma espontânea, diríamos de improviso, seria uma perda se as palavras de tão excelente intervenção da deputada Sónia Fertusinhos se perdessem; se o vento as levasse. Por isso, a exemplo da sugestão feita nas comemorações dos 100 anos da República, ousaríamos nós, daqui, lançar o mesmo repto: por que não passar a escrito intervenção tão brilhante desta deputada bem como as palavras de apresentação e dos pontos da situação feitos nas apreciações das diversas intervenções? Seria um meio de se dar forma física a este património imaterial que jamais se perderá se transformado em documento escrito. Em mais uma OBRA, que fará parte da OBRA contínua do Executivo Camarário.

Por Pedro Marques

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