Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 10-05-2010

SECÇÃO: Recordar é viver

AINDA A REBELIÃO MONÁRQUICA

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Em Cabeceiras de Basto

Caros leitores, cá estou de novo com mais um artigo documental sobre uma das minhas histórias (verdadeiras) preferidas e apaixonantes, as “Incursões Monárquicas”, do Norte, mais propriamente as passadas em Cabeceiras de Basto. Pelo menos durante algum tempo penso que serão estas as últimas deste tema a que me tenho dedicado.
Certamente os leitores do Ecos de Basto, já verificaram, pelo menos os mais atentos que este ano estão a celebrar-se em Portugal os cem anos da Implantação da República. Certamente, Cabeceiras de Basto não irá ficar de fora e irá comemorar condignamente, tão importante efeméride. Ou não tivéssemos nós uma grande Praça da República e não fossemos “descendentes” dos factos históricos que aconteceram no século passado em Portugal e no que a nós nos diz respeito em Cabeceiras de Basto. Falo concretamente dos conturbados anos de 1910, em que se deu a Implantação da República e em 1912, as lutas dos monárquicos que teimavam em não se subjugar ao novo poder instalado. Eu, pela minha parte soube pela “história contada” de boca em boca dos mais antigos, da família directa do Padre Domingos Pereira, ainda viva, do meu avô por exemplo, que na altura era muito jovem mas, que o seu pai, meu bisavô tinha assistido ou quem sabe teria ajudado talvez a esconder o Padre Domingos ou os seus correligionários quando estavam a ser perseguidos pelos soldados do Estado. Soube também pela leitura de alguns livros (poucos) e ou pelos documentos e fotos impressos na famosa Revista da altura a “Ilustração, do Século”. Os títulos dessa Revista da “Ilustração” eram sempre; “As Incursões Monárquicas do Norte” e “Factos e Figuras” e a Defesa da Pátria.
Quem comandava a rebelião dos monárquicos a nível nacional era Paiva Couceiro e outros graduados. A nível local tínhamos a liderar os revoltosos monárquicos, o lendário Padre Domingos Pereira, o seu irmão Padre Manuel Pereira e pelo que ouvi dizer também o seu irmão José Maria Pereira, embora no meu entender sem grande visibilidade. Todos residentes da Raposeira. Mas, as casas que foram queimadas foram as do dois irmãos padres.
Num aparte digo-vos que conheci, morei e convivi com as filhas do José Maria Pereira, cuja casa era mesmo no Largo da Raposeira. Mas isso já foi dito e redito por mim e por outros com mais autoridade no assunto. Apenas vou relembrando factos para aqueles que por ventura não leram ou por algum motivo lhes passou despercebido os artigos anteriores que falavam das Incursões do Norte
Mas como em cima estava a dizer, as comemorações do Centenário da República vão-se realizar mais ou menos por todo o nosso País. O nosso concelho, Cabeceiras de Basto, irá estar à altura da importância e da solenidade deste facto que transformou um País gerido por uma monarquia em decadência, numa República. E quer queiramos ou não, o nome do Padre Domingos Pereira e dos seus seguidores, na maioria sacerdotes que, defendiam que o País devia ser governado por reis, estará sempre associado às batalhas que foram travadas aqui no Norte, em especial, em Cabeceiras e arredores.
Já vos confidenciei em artigos anteriores que as histórias que envolveram os regeneralistas e os republicanos passadas nesta terra e noutras limítrofes, me empolgam e me fazem dar asas à imaginação. Penso e tenho quase a certeza que Cabeceiras de Basto é um dos concelhos com mais carga histórica do País. Digo-vos com franqueza, vale a pena visitá-la, conhecer os museus assim como, fazer pesquisas nas nossas bibliotecas, procurar os livros antigos ou os de autores conhecidos, nossos conterrâneos. Só para citar alguns; Dr Duarte Nuno Vasconcelos, de Cavez, Dra Estela Vilela Passos, da Casa da Breia, S. Nicolau, Dra Helena de Alvim, da Casa do Forno, em Olela, Doutor Luis Vaz, de Alvite. Estes historiadores, com livros publicados, feitos com investigação profunda são sem dúvida alguma credenciados para falar com toda a legitimidade sobre o assunto.
Não esqueço aqui outros contadores da história cabeceirense também bem documentados que colaboram neste jornal como é o caso do Francisco Victor Cunha, filho do falecido Senhor Magalhães da Ponte de Pé, que nos delicia com os seus relatos sobre o Camilo Castelo Branco, sobre o Padre Firmino e sobre o Padre Domingos Pereira, entre outras coisas.
Não me alongo mais nos considerandos até porque, quero guardar espaço para os documentos fotográficos. Espero que apreciem e ao mesmo tempo peço-vos que participem mas comemorações quando for chegada a hora.
Com a devida vénia.


 1- Tomando banho no rio Peio em Cabeceiras de Basto. 2- Soldados à beira do rio no poço de Frade em Cabeceiras. 3 – Casa da residência do advogado do dr. Canavarro de Valadares, em Cabeceiras, cujo o mobiliário foi completamente destruído.
1- Tomando banho no rio Peio em Cabeceiras de Basto. 2- Soldados à beira do rio no poço de Frade em Cabeceiras. 3 – Casa da residência do advogado do dr. Canavarro de Valadares, em Cabeceiras, cujo o mobiliário foi completamente destruído.

1- A identificação de D. João d’Almeida  diante do chefe dos guardas 2- na secretaria da prisão. 3- O padre Domingos Barroso, que foi prior em Cabeceiras e para o qual não houve uniforme que servisse.
1- A identificação de D. João d’Almeida diante do chefe dos guardas 2- na secretaria da prisão. 3- O padre Domingos Barroso, que foi prior em Cabeceiras e para o qual não houve uniforme que servisse.

 D. João d’Almeida, entregando todos os seus papeis na secretaria da Penitenciária. (Gliches de Benoliel)
D. João d’Almeida, entregando todos os seus papeis na secretaria da Penitenciária. (Gliches de Benoliel)

 Em Cabeceiras de Basto os tribunaes marceaes começaram a funcionar logo a seguir aos de Chaves, tendo os seus condenados sido conduzidos para o Porto, d’onde partirão para cumprir as sentenças na penitenciaria de Lisboa.
Em Cabeceiras de Basto os tribunaes marceaes começaram a funcionar logo a seguir aos de Chaves, tendo os seus condenados sido conduzidos para o Porto, d’onde partirão para cumprir as sentenças na penitenciaria de Lisboa.

OS SOLDADOS DA REPUBLICA DO NORTE
OS SOLDADOS DA REPUBLICA DO NORTE

 1- 1ºs Cabos da «coluna negra». 2- O destacamento de infantaria 5, que foi de Cabeceiras a Vieira buscar presos.
1- 1ºs Cabos da «coluna negra». 2- O destacamento de infantaria 5, que foi de Cabeceiras a Vieira buscar presos.

 1- Cabeceiras: O desfilar de um carro de condenados em frente do tribunal onde foram julgados. 2- Parte da casa do contador do juízo de Cabeceiras antes de ser incendiada. 3- Alguns réus que foram condenados pelo tribunal marcial, em transito para F
1- Cabeceiras: O desfilar de um carro de condenados em frente do tribunal onde foram julgados. 2- Parte da casa do contador do juízo de Cabeceiras antes de ser incendiada. 3- Alguns réus que foram condenados pelo tribunal marcial, em transito para F
















Por: Fernanda Carneiro

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