Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 10-05-2010

SECÇÃO: Opinião

VANTAGENS COMPARATIVAS (121)

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O DILEMA DA DEPUTADA INÊS DE MEDEIROS?

Mais abaixo, ou mais adiante, pegarei no tema. Por agora, deixem-me apenas desabafar. Eu não acredito em nada que seja agências de rating (em português agências de notação financeira), relatórios de auditoria, previsões e estimativas de instituições de gabarito como o FMI (Fundo Monetário Internacional), o Banco Mundial, ou, até mesmo, a ADSL (Agência dos Descalçados do Souto Longal). Parafraseando o Dr. Medina Carreira, eu não acredito nesse tipo de gente, direi mesmo, nesse tipo de gentalha.
Não acredito, também, nos méritos de gestores topo de gama, muito menos na verdade das contas, que anualmente apresentam, das empresas que a seguir os presenteiam com bónus super milionários. Não acredito em relatórios de revisão, muito menos nos trabalhos de auditoria levados a cabo pelas grandes empresas multinacionais do sector. Não acredito em nada disso.
Não vou aqui referir nomes, esses já toda a gente os conhece, não seria qualquer novidade da minha parte, e até me ficaria muito mal. Eu vou referir cargos, aqueles que, sendo de empresas de uma dada categoria, costumam ser apresentados com as siglas internacionais, à inglesa. É mais fino, e, só por isso, já lhes deve dar direito a mais umas boas centenas de milhar de valor na repartição dos bem fadados bónus.
Uma das siglas que hoje anda muito em voga é o CEO. Temos o CEO da EDP, temos o CEO da PT, temos o CEO da GALP, temos o CEO da REN, e por aí adiante. Infelizmente, parece que não há nenhum CEO da Sociedade de Confecções e Vestuário Maria Elisa e Ana Bruna, Lda, empresa do sector do vestuário e confecção, que trabalha para o mercado externo, emprega dez mulheres, que auferem, todas elas, o salário mínimo nacional, e tem a sua sede na recentemente inaugurada Zona Industrial de S. Nicolau, no concelho de Cabeceiras de Basto.
CEO são as iniciais de Chief Executive Officer, que em português se traduz por Presidente da Comissão Executiva. Há casos em que a figura do Presidente da Comissão Executiva se confunde com a do Presidente do Conselho de Administração, há outros em que se trata de duas pessoas e dois cargos distintos. Por exemplo, na PT há um Presidente do Conselho de Administração, que é o Dr. Henrique Granadeiro e um Presidente da Comissão Executiva, o chamado CEO, que é o Eng. Zeinal Bava. Quer um, quer o outro, são duas das pessoas que eu mais admiro, falando do universo das individualidades que exercem altos cargos em empresas do topo do tecido económico nacional.
Todos eles, sem excepção, têm sido notícia nos últimos tempos devido ao astronómico montante dos vencimentos, prémios e bónus, que têm recebido das respectivas empresas pelos cargos de CEO, ou nomenclatura equiparada, que vêm exercendo. Verdadeiros escândalos, diz a maioria dos portugueses. Não se entra em café, repartição pública, oficina de barbeiro, ou banca de engraxador, que não venha à discussão o escândalo das remunerações daquela categoria de gestores.
Eu também concordo, sem qualquer reserva, que se trata de verdadeiros escândalos. Gerir empresas como a EDP, a PT, ou a REN, entre outras do mesmo género, empresas monopolistas, ou quase monopolistas, em que não há quaisquer riscos de mercado, nem problemas de concorrência, e falar-se em objectivos conseguidos, isso não é demagogia, isso é muito mais do que demagogia, isso é atirar com areia para os olhos dos consumidores pagantes e fazer deles, que é como quem diz, fazer de nós, de mim, de você e daqueles outros que por aí andam, uma legião de palermas, de tolos, que pagam e calam.
Eu gostava era de ver o CEO da EDP a tomar conta da Oliva, de S. João da Madeira, empresa cujo objecto é a produção de torneiras para a indústria da construção civil, e colocá-la a funcionar, a libertar milhões de Euros de lucros, e daí, isso sim, retirar uma quota-parte em bónus como prémio pelos objectivos alcançados.
Gostava de ver também, por exemplo, o CEO da PT a pegar na Quimonda Portugal, de Vila do Conde, empresa que produz chips para a indústria da electrónica, e aí, tal como o pretenso CEO da Oliva, de S. João da Madeira, fazer exactamente o mesmo, muito lucro para os accionistas e elevado montante de bonús para o próprio.
Espero que os meus leitores percebam do que estou a falar. É que, empresas como a EDP, a PT e outras do género, públicas, ou quase públicas, monopolistas, ou quase monopolistas, eu próprio não teria grandes dificuldades em geri-las e em apresentar os vultuosos lucros que todas elas sempre apresentaram e continuarão a apresentar. Estas são empresas que qualquer gestor as pode gerir por telefone enquanto se diverte jogando golfe num qualquer campo da modalidade.
Lembram-se do caso Enrom? A Enrom era uma empresa produtora e distribuidora de energia eléctrica, dos Estados Unidos, sedeada em Houston, no Texas, e que empregava cerca de vinte e uma mil pessoas. Com a conivência dos seus auditores, a multinacional Arthur Andersen, manipulou as próprias contas, enganou o Estado Americano, os accionistas e o público em geral. Faliu em 2001, dando origem ao maior escândalo financeiro de toda a história dos Estados Unidos da América. Entretanto, e no ano anterior ao da própria falência, tinha distribuído aos seus quadros de topo bónus de muitos e muitos milhões de dollares.
Empolguei-me com o intróito e não me resta grande espaço para prosseguir com o tema que me propunha abordar. Inicialmente, até tinha pensado noutro título, que seria: “Quem quer contribuir com alguma coisinha para as viagens de Inês de Medeiros?”. Em bom momento, decidi mudar o título, caso contrário, poderia muito bem vir a ser seriamente incomodado.
Porém, e agora que a deputada já veio a terreiro dizer que se sentia aliviada, satisfeita por ter terminado a campanha de enxovalhos, sinto-me na obrigação de crer que a culpa não será totalmente sua. Ela tinha residência em Paris, penso que deveria ter lá o seu trabalho, ou ocupação, a culpa será de quem a convidou, ou de quem a convenceu, a participar em listas para deputados por um círculo que não era propriamente o círculo de Paris. Parece que ainda não há, em S. Bento, lugares para deputados eleitos pelo círculo de Paris!
(Maio de 2010)
(Como é excitante esta história das viagens da deputada Inês de Medeiros!)
Na esteira de certos gracejos já ouvidos, espero bem que os partidos não se venham a lembrar, em próximos actos eleitorais, de apresentar listas com candidatos a residir em locais bem mais distantes, como as Maldivas, as Seychelles, ou até na Nova Caledónia.
Para um certo tipo de gente, ou de gentalha, como diz Medina Carreira, a crise só se verifica, e só é problema, em determinadas circunstâncias! Haja tento, senhores!!!

Por: José Costa Oliveira

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