Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 29-04-2010

SECÇÃO: Reportagem

Semana da Floresta,do Cabrito e do Anho
Atraiu milhares de visitantes

À semelhança dos anos anteriores, Cabeceiras de Basto acolheu mais uma edição da Semana da Floresta, do Cabrito e do Anho. Uma iniciativa que teve como cenários, os Parques Florestais – Floresta Verde de Refojos de Basto e de Vila Nune, o Centro de Educação Ambiental de Vinha de Mouros [CEAVM] e o Centro Hípico, estes últimos espaços de lazer de excelência localizados no concelho. Espaços estes, pelos quais, desde a sua inauguração, já passaram cerca de 150 mil pessoas.

O HUGO é um dos frequentadores do Centro Hípico, que nestas ocasiões se veste a rigor, com “chapéu à portuguesa”,  preto e de aba larga; colete e jaqueta castanhos; calça preta e botim.
O HUGO é um dos frequentadores do Centro Hípico, que nestas ocasiões se veste a rigor, com “chapéu à portuguesa”, preto e de aba larga; colete e jaqueta castanhos; calça preta e botim.
“Tudo quanto está associado à natureza, é uma riqueza”
Cabeceiras de Basto promoveu a Semana da Floresta, do Cabrito e do Anho de 17 a 21 de Março último. Por esse motivo, desta vez, amigo leitor, vamos fazer uma reportagem sobre esta iniciativa que agregou numeroso público. Uma Semana rica de actividades, mas também de eventos a nível nacional e até europeu, como sejam os dias mundiais da árvore, da poesia, da água. Tudo isto, assinalado dentro do ano internacional da biodiversidade.
Na saudação de abertura, do Eng. Joaquim Barreto, mui digno, competente e dinâmico Presidente da Edilidade Cabeceirense, enalteceu a realização deste evento que resulta da parceria de vários agentes em prol da defesa, valorização e promoção do uso múltiplo da Floresa.
Cabeceiras é um caleidoscópio de cambiantes e matizes naturais que nos convida a descobrir um laborioso e ajardinado território, não só na vila em si como também em diversas parcelas do concelho.
Desta vez, a nossa vinda a Cabeceiras teve por finalidade o acompanhamento da abertura de mais uma “semana da floresta, do cabrito e do anho”, iniciativa da responsabilidade Municipal e que muito tem contribuido para que Cabeceiras seja cada vez mais uma referência e um exemplo de desenvolvimento sustentado.
No âmbito desta iniciativa, foram promovidas várias plantações de árvores nos parques naturais de Chacim e de Vila Nune. A “semana da floresta, do cabrito e do anho”, girou à volta destes quatro pontos cardeais: o cento de educação ambiental, o centro hípico, os parques Floresta Verde de Refojos e Vila Nune, bem como, o espaço da própria vila onde a degustação e a apreciação do saboroso cabrito e anho das terras altas do Minho teve promoção em alguns dos restaurantes locais.
Foram várias as actividades levadas a cabo, destacando-se as tradicionais chegas de bois, as chegas de carneiros, pelas primeira vez realizadas no concelho, um magnífico espectáculo de fado e inúmeras actividades lúdico-pedagógicas, desenvolvidas com o apoio dos agrupamentos de escolas do concelho entre outros agentes, com o objectivo de sensibilizar a população para as questões ambientais. Destacou-se ainda, a apresentação ao público, de uma exposição tendo por tema «o uso múltiplo da floresta», onde participaram dezenas de expositores, colectividades e agentes ligados ao sector e durante a qual foram enaltecidas as potencialidades da floresta.

A ABERTURA DA EXPOSIÇÃO
Ao longo deste certame foram plantadas várias árvores. Em Chacim, no Parque Floresta Verde o Secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural, o Presidente da edilidade cabeceirense, o Governador Civil de Braga, demais autarcas, técnicos
Ao longo deste certame foram plantadas várias árvores. Em Chacim, no Parque Floresta Verde o Secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural, o Presidente da edilidade cabeceirense, o Governador Civil de Braga, demais autarcas, técnicos

Pórtico do certame – a exposição-feira – abordou o turismo de montanha; o património natural; o património edificado – dos moinhos e espigueiros até ao fojo do lobo; as áreas de lazer e desportos na Natureza; as espécies cinegéticas da floresta cabeceirense, desde o coelho, perdiz, corço, javali, raposa, o estorninho, até ao tordo e à pega, abordando também o fomento cinegético de Moinhos de Rei.
Presente ainda a flora, as diversas espécies arbóreas, as zonas de caça, pistas de pesca do melhor que há no País. E mais! Dos cursos de água e sua fauna, diz-nos o Eng. Joaquim Barreto: “é importante referir a pista de pesca desportiva que tem uma ligação muito forte à floresta, no rio Tâmega. O que também tem sido um investimento de retorno para Cabeceiras. Tem havido aqui, não só campeonatos internacionais de pesca como também já houve dois campeonatos do mundo. Na fauna piscícola, existem, bogas, trutas, barbos, escalos, enguias”.
Uma dinâmica que se projecta e expande regionalmente através da Direcção-Geral das Florestas do Norte e Direcção Regional da Agricultura e Pescas, com uma janela aberta para a Europa, através do Centro de Informação “Europe Direct”, que marcaram também presença.
Na abertura, foram muitas as pessoas que ali se deslocaram para visitar o certame, enquanto centenas de crianças (1300 na totalidade visitaram o espaço, de 17 a 19 de Março) participaram nas divertidas actividades que lhes estavam reservadas.
Na oportunidade, o Presidente da Câmara, realçou que “Desde há alguns anos, tem-se vindo a realizar esta organização e certame, desde o meio da semana até domingo, para que a envolvência da população privilegie as crianças dos diversos estabelecimentos de ensino do concelho. De modo muito especial para a realidade que são os parques verdes de Vila Nune e Refojos. Procuramos, através destes eventos, dar expressão e visibilidade às potencialidades do concelho em tudo quanto está associado à Natureza, que é uma grande riqueza. Tudo! Desde cogumelos, mel, carne das diversas espécies cinegéticas e de gado; espécies arbóreas e fauna que povoa a floresta. Até à energia da água dos rios e das barragens. Depois do mosteiro, é esta a melhor riqueza local. Uma potencialidade a desenvolver ainda mais…”.

O Secretário de Estado e o Presidente da Câmara à conversa com expositores
O Secretário de Estado e o Presidente da Câmara à conversa com expositores
OS CENTROS DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL E HÍPICO

De visita ao “centro de educação ambiental: um espaço vasto muito arborizado de espécies devidamente identificadas e sob cuja sombra há “viveiros” das mais diversas espécies da fauna concelhia, à vista de todos e para alegria sobretudo das crianças podem observar-se espécies como raposa, javali, patos bravos, gamos, veados, muflões, coelhos, perdizes, faisões, codornizes, rola brava, a lebre e a pega.
A este propósito o autarca Cabeceirense explicou que “quando criámos esta exposição da fauna – animais e aves – era para que as pessoas pudessem ver aqui aquilo que se gera na floresta. Mas também procurámos ainda(…) uma outra coisa: associar os animais às plantas. Há plantas (…), nomeadamente as que são mais importantes, que estão devidamente identificadas pelo seu nome popular e pelo seu nome científico em latim. E quisemos ainda associar a esta fauna e flora, equipamentos de bem-estar: (…) parque de merendas, mini-golfe parque infantil; circuito de manutenção para corridas; campo de jogos poli-desportivo; piscina descoberta. E o centro hípico com cavalos. Tudo isto abrange uma área de treze hectares. E tudo isto no coração da vila, com ofertas muito diversificadas. Com um objectivo – mostrar a mais-valia, a importância do uso múltiplo da floresta (…) não só para as populações do concelho como para as de fora.(…) Nós hoje, aqui, já podemos contabilizar desde a inauguração, à volta de 150.000 visitantes. Agora, estamos com 30.000 visitantes-ano. E como é que é feito isto?(…) Durante a semana, é a visita das crianças das escolas, que levam consigo um pequeno desdobrável informativo do que aqui está. Ao fim-de-semana, vêm os pais dos alunos.. Isto é, nós arranjamos interlocutores que convidam os pais a vir cá. E isto reflecte-se também na economia do nosso concelho.(…) o centro de educação ambiental de Vinha de Mouros, com todas as suas valências, é uma montra viva e activa daquilo que é uma das riquezas de Cabeceiras de Basto – a nossa floresta.(…) Um investimento que está a ter retorno, de um produto local de recursos naturais.
Quanto ao centro hípico, pudemos observar in loco, a dinâmica que regista, nomeadamente, aulas de equitação dirigidas a todas as idades, hipoterapia, assim como, corridas cavalos e passeios com adultos mas sobretudo com crianças. Apreciamos também as boxes onde vivem cavalos garranos e lusitanos, ao puro sangue inglês. E até à burrinha e sua cria – um asinino quase bebé de olhos meigos.

Centro Hípico é uma aposta ganha

Aquando da abertura do Centro Hípico pairaram críticas quanto ao investimento efectuado, apelidando-o inclusive de “elefante branco”. Alguns anos volvidos, estamos convencidos de que quem assim entendeu, já terá mudado de opinião. A menos que nunca aqui tenha vindo e não queira ver o óbvio: todo este investimento é reprodutivo. E esses que não esqueçam: A tradição diz-nos que Cabeceiras foi sempre uma aliada do cavalo – veja-se o “picadeiro” de Pedraça, onde, segundo a voz do povo o Condestável terá ganho a agilidade na arte de cavalgar. E não é o garrano também uma raça equestre autóctone, que se estende da Cabreira, Gerês e Barroso?

BALDIOS
Espaços Comunitários

Destaca-se ainda neste certame, a realização de um seminário que contou com a presença de autarcas, dirigentes dos conselhos directivos de baldios, técnicos e entidades ligadas ao sector agro-florestal e ambiental, reunidos para debater os espaços comunitários. Na oportunidade, o Presidente da Câmara agradeceu a presença de todos, especialmente ao painel de convidados, chamando a atenção para a realidade dos baldios e das fragilidades ainda existentes.
A este propósito, o Eng. Joaquim Barreto, disse que “as árvores que temos com mais expressão na nossa floresta são: das resinosas, o pinheiro bravo, o pinheiro silvestre, além de uma outra espécie. Das folhosas, o carvalho nacional, os vidoeiros, o eucalipto, o castanheiro, o choupo e áceres. E ainda o carvalho americano. Esta área arborizada é de 24.000 hectares. A área comunitária dos baldios representa 36% - 8.680 hectares - mas dos quais apenas estão arborizados 3.223. A área não arborizada, ou está inculta ou tem aproveitamento misto”.
No decurso do seminário, houve verdadeiras lições de sapiência e foi uma grande oportunidade para avaliar o quanto é preciso trabalhar, numa sinergia de esforços para potenciar este bem comunitário que são os baldios.


OS PARQUES VERDES DE REFOJOS E VILA NUNE

As freguesias de Refojos de Basto e Vila Nune, acolhem áreas, ainda que de pequena dimensão, muito promissoras para a flora do concelho. É sobretudo um investimento pedagógico para os alunos dos diferentes estabelecimentos de ensino. Verdadeiras escolas, onde não só as crianças mas sobretudo estas, se familiarizam com as árvores e aprendem a cuidar delas com muito carinho e a protegê-las.
A este propósito, o Presidente da Câmara realçou a existência de “dois a funcionar. Temos um em Vila Nune e temos outro parque verde aqui em Refojos. E quer um quer outro, têm a ver com as escolas. Nós pretendemos, criando esses parques verdes, envolver toda a população. Foi com a ajuda dos agrupamentos das escolas quer do Arco, quer de Refojos e com as freguesias que lhe estão ligadas, que nós fizemos a primeira plantação há dois anos. Agora, estamos todos os anos a fazer a replantação ou a retrancha, como lhe queiram chamar, das plantas que morrem. E o curioso é que de ano para ano morrem menos plantas. O que quer dizer que valeu a criação dos parques. E daqui por uns anos, nós queremos que esses parques sejam um espaço onde as alunas e os alunos das escolas e os professores, vejam de uma forma muito expressiva, muito clara, como se desenvolve a floresta, como se organiza a floresta – nós fizemos as plantações respeitando compassos entre as linhas e de planta a planta na respectiva linha, fizemos as plantações procurando pôr nas linhas de água folhosas, procurando pôr nas margens dos dois parques folhosas também. E o que é que são folhosas? São árvores de folha caduca que servem para criar barreiras contra os incêndios. E no centro, metemos as resinosas. Trabalhamos então para que os parques verdes sejam locais informativos, sejam locais formativos e sejam também locais ou espaços para sensibilizar as crianças, os adultos, os professores, para aquilo que é a mais-valia da floresta nos seus diferentes passos até que a floresta atinja um patamar de crescimento já pronto a ser usufruído. Ali começou-se na plantação e vamos acompanhar agora na conservação, na manutenção até que as árvores que lá estão tenham o porte do seu crescimento total.
Neste âmbito, foram efectuadas várias plantações de árvores, quer nos Parques verdes em Vila Nune e Chacim, quer no Centro Hípico. A presença das crianças do agrupamento de escolas de Cavez a cantar cânticos dedicados à floresta no Centro Hípico e da moldura humana dominada por bandos de crianças do agrupamento de escolas de Refojos e Arco de Baúlhe, abrilhantaram estas acções. Às actividades desenvidas nomeadamente as ocorridas no Parque Floresta Verde de Chacim, em Refojos, associaram-se diversas pessoas e também o Secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural, Eng. Luís Barreiro. Na oportunidade, o Engº Joaquim Barreto, disse que “(…) estes parques florestais são pequenos – limitados a um hectare de área. Mereceram a colaboração não só do agrupamento de escolas, como dos bombeiros voluntários, da Junta de Freguesia de Refojos e do baldio de Refojos . Quem cedeu esta área foi a administração dos baldios. Começámos isto há dois anos e as plantações estão feitas de acordo com as normas técnicas: nas bordaduras, folhosas; ali na linha de água, também folhosas e ainda áceres e falsos plátanos. Na parte mais central, temos resinosas, cedros do Buçaco, cedros do Atlântico e ainda outras variadas espécies. Iremos ter ainda o azevinho e o medronheiro. E Isto para quê?... Temos várias ideias. Entre elas, a colaboração com as escolas. À medida que as árvores forem crescendo, iremos trazer aqui os alunos com os seus professores, para (in loco) se dar aulas e se fazerem alguns trabalhos. Os mais esforçados e exigentes serão feitos pelos funcionários da Câmara; os mais ligeiros serão feitos pelos alunos. Uma coisa importante: nós aqui no Minho e concretamente em Cabeceiras de Basto – somos uma zona de transição – temos solo xistoso (…) O que não quer dizer que o solo por baixo não seja bom. Numa quantidade de quase duas mil árvores, apenas houve oito falhas. As árvores foram plantadas pelos alunos das escolas, a par dos sapadores municipais, numa homenagem ao Eng. Vítor Barros, aqui presente, na ocasião Secretário de Estado, que dinamizou a criação das zonas florestais. Pegaram bem. Sinal de que o solo é bom. Hoje, vamos plantar uma árvore, com a presença do Secretário de Estado, Eng. Luís Barreiro.”
Posto isto, o Secretário de Estado Luís Barreiro, dirigindo-se às crianças perguntou: - Vamos plantar a árvore?...
- Vaaaamos!!! – responderam todas num uníssono, que se prolongou como eco pela encosta abaixo.


Uma iniciativa envolvente e muito participada

Foram cinco dias de actividades intensas e diversificadas desenvolvidas quer no CEAVM, quer no Centro Hípico ou nos Parques Florestais, dos quais resultou um balanço positivo. Destacaram-se as visitas das escolas e da população quer do concelho, quer da região, permitindo na opinião do autarca Cabeceirense, Engº Joaquim Barreto, “o contacto directo com a floresta na sua diversidade a par de ofertas de animação próprias da identidade concelhia – cultural, social – “as nossas raízes”. “A chega de bois”; a chega de carneiros”; a corrida de jumentos(…) tudo isto com animais da floresta(…) E ainda a chamada de atenção da população de fora para o fomento e preservação da floresta; para a cultura e qualidade da nossa gastronomia, nomeadamente a carne de cabrito e anho enquanto produtos de origem, devidamente certificados e quando cozinhados como foi o caso aqui em Cabeceiras de Basto. E neste fim-de-semana, apesar da chuva de sábado, vieram nestes dois dias milhares de visitantes que comeram cá.(…), o que contribuiu para o aumento da riqueza do concelho (…). Com as populações envolvidas e as mais diversas entidades locais, regionais e até nacionais nas nossas potencialidades, os nossos objectivos, foram, assim e de uma forma geral, alcançados(…).
De referir ainda, que estes investimentos são geradores de riqueza e contribuem para a melhoria da qualidade de vida e para o desenvolvimento do concelho.

Por Pedro Marques

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