Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 29-04-2010

SECÇÃO: Opinião

ZÉ MARIA “O ANDARILHO” VII

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Moçambique estava prestes a tornar-se independente, o povo já em euforia antecipada em cada canto dava largas a sua alegria e a jovem nação preparava-se para festejar condignamente a chegada dessa histórica. Não era obviamente caso para menos se tivermos em conta que esse povo esteve quinhentos anos debaixo do jugo duma nação europeia, (neste caso os portugueses).
Não foi fácil ao ZÉ Maria assim como a outros naturais de Cabeceiras de Basto deixar sem saudades a sua terra de adopção e de um momento para o outro José Maria Carvalho (Zé Maria) chega a Lisboa onde tinha a esperá-lo a sua mulher.
Daí seguiram para a sua terra, onde viveram por um período de tempo curto dado que era preciso refazer a vida. Foi então que recebeu a visita dum amigo que lhe propôs ir passar uns tempos a Viseu onde esse amigo era proprietário de um restaurante.
Oportunamente voltou à sua freguesia e instalou-se novamente em casa da mãe já que seu pai tinha falecido à cerca de um ano, mas impunha-se encontrar colocação rapidamente dado que a situação estava a tornar-se insustentável por falta de dinheiro.
Felizmente esse momento tão desejado aconteceu e então foi prestar serviço numa instituição estatal onde se manteve durante dois anos sempre dentro dum bom ambiente de trabalho.
Quando menos esperava surgiu um decreto-lei que facultava a passagem à reforma dos ex-funcionários ultramarinos que reunissem certas condições para o efeito e como o Zé Maria estava dentro dessas condições com toda a ponderação pesou os prós e os contras e optou pela passagem à aposentação.
Como tinha no Porto promessa de emprego e sempre a tentar recuperar a vida estável que tinha perdido, lá se foi até à cidade Invicta onde teve de começar tudo de novo. Após breve passagem pelo armazém, o gerente da empresa colocou-o na praça complexa de tratamento de produtos ferrosos e não ferrosos como seja cromar, niquelar, cobrear, pratear, dourar, Zincar, latonar, estanhar, satinar e outras tonalidades. Ao manusear esses produtos era preciso muito cuidado já que o seu grau de toxidade era muito elevado, cito por exemplo um banho de prata ou pré - prata de 100 litros levava tão-somente 10kgs. de cianeto o que era arrepiante lidar com esse cianeto todo duma assentada, mas tudo foi correndo pelo melhor e o Zé Maria, segundo nos disse, até gostava muito desse tipo de trabalho porque estabeleceu milhares de contactos, conheceu imensas empresas e conheceu também a forma de manufacturar imensos produtos.
Percorreu muitos milhares de quilómetros sempre agarrado ao volante centrando o seu trabalho aquém Lisboa e tornou-se um razoável técnico de galvanoplastia num curto espaço de tempo, cuja facturação agradava à gerência. Mas nestas coisas o dinheiro fala sempre mais alto e após alguma reflexão mudou de emprego para ganhar o dobro daquilo que ganhava.
Entretanto e porque a ocasião surgiu sem contar montou um restaurante á sociedade num concelho do grande Porto gerido por sua mulher e o outro sócio e foi assim que o Zé Maria se foi tornando um andarilho.


(Continua)

Por: Alexandre Teixeira

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