Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 08-03-2010

SECÇÃO: Opinião

Uma Nova Vida

O meu nome é Paulino da Costa Curval e venho contar a minha história por me parecer de interesse para o público em geral. Uma prova de que quando estamos ocupados com o que gostamos superamos tudo.
Sou um coleccionador diferente de todos os outros e muito devo à minha colecção. Sou coleccionador de camélias ou “Japoneiras” como se diz em muitos sítios, ou seja sou coleccionador de seres vivos, plantas!
Esta colecção tem uma história deveras importante para mim. Foi o voltar a ter vontade de viver e superar a doença, por muitos apontada como incurável e incapacitante.
Era empresário e, perto dos 60 anos, assolou-se de mim um problema na coluna vertebral que me impedia de fazer as tarefas mais básicas e até andar. Os médicos disseram muito claramente que eu não podia mais trabalhar. Assim passei a minha empresa para as mãos dos filhos e decidi fazer uma das coisas que mais prazer me dava – cuidar de flores, especialmente camélias.
Ao contrário da maior parte das flores, a camélia é uma flor de Inverno que desaparece na Primavera, quando todas as outras despontam.
Aquela que é conhecida como a “Rainha do Inverno” é originária do Japão, onde simboliza fortuna, amizade e harmonia, e se considera ter o poder de afastar os maus espíritos.
Comigo resulta em pleno…os maus espíritos não entram na quinta.
Foi a partir das camélias que, por incrível que possa parecer, eu fui ganhando vida e melhorando as minhas capacidades de movimentação. Aos poucos estava perfeitamente capaz de voltar a ser autónomo e viver
para as minhas meninas.
Depois de já ter começado a cuidar das camélias, comecei a ter contactos com outros amantes destas flores e percebi que havia uma imensidão de espécies. O entusiasmo era muito e eu gostava de as ter todas. Fui comprando algumas de cada vez, posteriormente fui fazendo e criando eu próprio algumas variedades e começando assim uma colecção invejável para todos os que apreciam estas flores.
Incentivado por alguns amigos e pela família decidi abrir as portas e mostrar a minha colecção em 1994, pois achei que já tinha camélias suficientes para as mostrar em exposição, ao público, ao país.
Passados 17 anos, é já uma das mais importantes colecções do mundo e mais importante deu-me 19 anos de vida autónoma. Hoje, com 78 anos, tenho motivos e saúde para me levantar ao nascer do sol e cuidar das mais de 1300 espécies diferentes e mais de 30000 pés das minhas camélias espalhadas pelos cerca de 10 hectares da quinta. Cada espécie que eu adquiro ou produzo tem sempre que ser feita em quantidade, pois nem todas sobrevivem.
Flores de todas as cores preenchem o verde da quinta. Há as brancas, rosa e vermelhas, amarelas e algumas raridades azuis, lilases e até mesmo pretas. Muitas são híbridos criados por mim na maternidade - local onde os novos rebentos ficam cerca de um ano até que estejam prontas a encarar o frio que faz lá fora.
A exposição passou a fazer parte integrante da vida da família. A minha esposa tem 76 anos e é quem me ajuda com tudo o que é necessário para cuidar da quinta.
A exposição está aberta ao público de 3ª a domingo, entre as 14h00 e as 18h00, até 30 de Abril.
A Quinta Vilar de Matos fica na freguesia da Junqueira em Vila do Conde e a entrada é gratuita. As marcações para grupos ou escolas podem ser feitas através do telefone 252 651 204.
Agradeço desde já o vosso interesse na minha história pois pode ajudar outros idosos e quem sabe motivar outras pessoas que estejam na situação em que eu estive há algum tempo atrás.
Afinal esta história tem tido um final feliz. Se acreditarmos no futuro e tivermos motivação a qualidade de vida aumenta significativamente. Eu que o diga!
Paulino Curval

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