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Adeus
O ano de dois mil e nove tinha finalizado, há pouquíssimas horas. Dois mil e dez acabara mesmo de chegar, igualmente com ele vem também a esperança de que pelo menos seja igual, e se possível, um pouquinho melhor do que o precedente. A esperança essa alimenta-nos a alma que em nós, nunca morre. Mas morre muitas das vezes aquele que subtilmente a tranporta. Esperança também eu tive, quando vi com olhos de ver alguém que lutava com todas as suas forças para levar de vencida aquela que é invencível, a morte. Sim a luta era contra a morte, uma luta intensa, rude e violenta, uma luta contra tudo, contra todos, até contra o tempo. O tempo tal como a morte tambem não perdoa, castiga-nos até, sem sentimento, sem dó, nem piedade. Por vezes leva-nos ao extremo de ficarmos com raiva da própria vida. Eu vi a luta, havia gente com os olhos húmidos que tal como eu, se sentiam impotentes e incapazes de dar uma pequena e simples ajuda ou simplesmente uma palavra de coragem, de conforto, ele não a ouviria com toda acerteza. O corpo destapado ao frio, estendido naquele chão duro e gelado, silencioso, nem um ai, um gesto ou um gemido.... apenas um suspiro de vez em quando, era talvez a forma de se despedir de todos nós, talvez o último adeus. O Domingos era um jovem, que tal como eu e muitos outros, sentiu a obrigação de imigrar, para assim, talvez preparar um futuro mais risonho. Tinha certamente sonhos e ambições no seu pensamento. O Domingos foi vencido depois de tanta luta e sofrimento. Com ele também eu fui vencido, assim como todos os sonhos que certamente tinha na sua mente, no seu horizonte. O Domingos como tantos outros, foi passar umas pequenas férias de natal à nossa sempre querida terra de nascimento, na companhia de sua esposa, filha e restantes familiares e amigos. Mas esse poder misterioso ao qual nós chamamos destino foi drástico, no primeiro dia do ano, para o Domingos, ceifando-lhe avida cruelmente, deixou em todos e em mim especialmente, tristeza, dor e saudade. Se por ventura é verdade que a vida não acaba, apenas se transforma, certamente saberá o que todos nós sentimos neste momento de angústia, de revolta e de tristeza. Domingos, descansa em paz E até quando Deus quizer.
Fernando Carvalho
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