Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 25-01-2010

SECÇÃO: Informação

Em Gondiães
“Festas das Papas” honra S. Sebastião

A procissão dá início ao ritual religioso
A procissão dá início ao ritual religioso
Todos os anos, no dia 20 de Janeiro, celebra-se a famosa “Festa das Papas” em Cabeceiras de Basto, mais precisamente nos lugares sertanejos do Samão e Gondiães. Assim, de forma alternada (anos ímpares no Samão e anos pares em Gondiães, na freguesia de Gondiães, concelho de Cabeceiras de Basto), se rende homenagem a S. Sebastião “advogado da fome, da peste e da guerra” .
Reza a lenda local que “há muitos anos veio para cá uma epidemia que matava toda a gente e os animais. Foi por isso que os nossos antepassados prometeram dar do melhor que tinham a todas as pessoas que por aqui aparecessem em honra de S. Sebastião. O melhor que tínhamos era o pão, o vinho e a carne de porco”. Esta epidemia remonta ao século XIV e foi também designada de Peste Negra, espalhando-se pela Europa e atingindo Portugal em 1348.
O povo, como forma de gratidão, prometeu que daí avante, todos os anos, no dia 20 de Janeiro, dia de S. Sebastião, esta festa se faria e seria oferecido a todos os residentes e forasteiros que ali se deslocassem aquilo que de melhor e mais abundante tinham, ou seja, o pão, o vinho, e a carne . A promessa cumpre-se e a tradição repete-se a 20 de Janeiro, dia de S. Sebastião, “pois foi quando os nossos antepassados prometeram”.
Os convençais da terra e os visitantes colocam-se ao longo da mesa onde esperam a distribuição dos alimentos e a passagem do Santo
Os convençais da terra e os visitantes colocam-se ao longo da mesa onde esperam a distribuição dos alimentos e a passagem do Santo
Os dias que antecedem os festejos geram uma verdadeira azáfama na aldeia. Os preparativos iniciam-se, três dias antes na “Casa do Santo”, um edifício utilizado exclusivamente para este fim. Aqui se cozem as broas (várias arrobas de farinha) e as papas. As broas são confeccionadas pelas mulheres e cozidas em lenha de ervideiro e medronheiro.
As papas, essas estão a cargo dos homens, que com mestria cozem a farinha em grandes potes de ferro, onde previamente cozem as carnes dos porcos que a Comissão de Festas (sendo que os populares também oferecem carne) comprou. Por tradição as papas só podem ser confeccionadas a partir da meia-noite.

O Presidente da Junta na Casa do Santo distribui broas
O Presidente da Junta na Casa do Santo distribui broas
Milhares de forasteiros sobem a serra para participar na festa

Chegado o dia 20 de Janeiro, a agitação é grande na população e nos visitantes. A missa celebrou-se às onze horas na Capela de S. Sebastião. Por volta do meio-dia, o andor de S. Sebastião saiu em procissão até à Casa do Santo, para a bênção das papas, das broas, do vinho verde e da carne. Seguiu-se a bênção no “Campo das Papas”; aqui se estendem as toalhas de linho, que atingem 20 metros de comprimento e 60 cm de largura. Um homem pega numa vara, que serve de medida, para distribuir os alimentos. A cada vara corresponde uma broa, uma posta de toucinho, uma tigela de papas e o vinho. A broa, uma vez benzida é também designada de carolo ou mezinha. No local é distribuida e desgutada ou levada para casa onde se reparte com familiares, amigos e mesmo animais.
Depois deste repasto campestre, com os alimentos que sobraram, efectuou-se um leilão, cuja receita reverteu para S. Sebastião.
A festa terminou, com data marcada para o próximo ano, mas desta vez no lugar do Samão, onde seguindo os mesmos rituais, o povo venera o Santo e promove a Festa das Papas.

© 2005 Jornal Ecos de Basto - Produzido por ardina.com, um produto da Dom Digital. Comentários sobre o site: webmaster@domdigital.pt.