Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 25-01-2010

SECÇÃO: Opinião

Em Braga

foto
Deputado Ricardo Gonçalves apresentou livro de Fernanda Carneiro

A D. Fernanda começa por descrever a visita à casa de Camilo Castelo Branco em Seide - V.N.Famalicão, onde a sua descrição faz de si uma camiliana, ela que se formou como mulher e escritora a ler as obras de Camilo cedidas pela biblioteca ambulante de Cabeceiras no seu tempo da juventude.
Foi a ler Camilo que ela despertou para o amor e para a vida, leituras completas, com o 25 de Abril tinha ela 21 primaveras em que despertou para outras das suas paixões a política tanto a local como nacional e internacional.
De seguida apresenta uma crónica da vida do Sr. Manuel Joaquim Pinto de 94 anos comerciante em Felgueiras, mas com a sua vida de jovem em Cabeceiras onde casou e possui património.
É aí que a D. Fernanda fala do comércio do pai do Sr. Valdemar e o considera um eterno jovem. É na história da vida do Sr. Pinto que nós ficamos a saber que durante os anos 40 do século passado ainda se namorava como nos séculos anteriores, longe um do outro sem troca de carinhos e beijos, foi nos últimos 30 ou 40 anos que a forma dos portugueses namorarem e viverem mudou radicalmente.
Depois é a história da vida do Sr. Armando do Mosteiro de dentro, que era caseiro das terras do Mosteiro de Refojos que tinha na altura 5 caseiros, descreve com pormenores os trabalhos agrícolas daquele tempo, a honradez do caseiro pobre com muitos filhos e a história do Mosteiro e dos seus terrenos adjacentes.
Da história do Mosteiro é um estudioso o marido da D. Fernanda o Prof. Carneiro a autora deste livro é a esmiuçadora das vidas locais, sem nunca dizer mal de ninguém.
Outro capítulo é sobre a juventude hoje e o exemplo de um voluntário que foi para Moçambique ajudar os mais pobres, D. Fernanda fala de tudo agora da juventude actual, eu que fui professor cooperante em Angola no início dos anos 80 relevo esta visão que a autora tem, pois, é muito importante que os nossos jovens sejam voluntários ou cooperantes nos países africanos de língua portuguesa, a nossa língua é falada por quase 250 milhões de pessoas em todo o Mundo e é o que melhor ficou do nosso império.
Tudo o que seja para trabalhar em conjunto com os nossos irmãos de língua é bom. Sempre que pode a D. Fernanda fala da sua Raposeira agora é a festa de S. Pedro, que ela comenta com alegria e empenhamento afinal a política de boa vizinhança e o convívio sempre foi uma forma de dar aos outros que a D. Fernanda utiliza.
Novamente uma análise do Mosteiro de Refojos andou muito tempo em obras. Em 1834 com o fim das ordens religiosas foi uma parte vendida, em 1838 a biblioteca veio para Braga, durante muito tempo tudo abandonado, a igreja recupera a sua posse, e finalmente já no tempo do actual Presidente Joaquim Barreto a quinta é muito bem urbanizada o Mosteiro todo recuperado e protegido.
Fala do crescimento de Cabeceiras dizendo que o actual Presidente da Câmara fez mais obras e melhorou a qualidade de vida das pessoas do que na história toda de Cabeceiras de Basto que tem muitos séculos.
A seguir fala da visita a Rives em França com quem Refojos está geminada estes encontros são bons para conhecer outras realidades, aprender, ensinar e já agora passear que também faz falta. Elogia o Dr. Santos grande maestro que morreu recentemente e com quem a D. Fernanda aprendeu a cantar pela amostra o Prof. era realmente bom.
Descreve o que no dia 1 de Maio se passou em Cabeceiras com uma lavrada tradicional com as cinco refeições, matar o bicho, almoço de bacalhau frito, jantar a merenda com o garrafão de vinho sempre presente. Outras actividades tradicionais do campo a sacha, a monda, a ceifa, a desfolhada, a malhada, é nestas descrições que a D. Fernanda mostra todo o seu valor de escritora retratista e realista, porque é um mundo da sua meninice e juventude é a sua paixão, é necessário que continue a existir o reviver destas tradições em Cabeceiras porque é bom para o turismo, para a cultura e para o convívio.
Ao descrever os trabalhos tradicionais do campo a D. Fernanda descreve os tempos de antigamente, em que as pessoas eram pobres mas alegres em termos depreciativos é o tal pobrete e alegrete, mas o que é certo que isto tem muito fundamento porque as expectativas daquelas pessoas também eram baixas e a gestão das expectativas é fundamental em política, foi com uma baixa constante das expectativas das pessoas que o Salazar se manteve no poder mais de 40 anos.
Também é um facto que a juventude é sempre fruto de alegria principalmente para quem nada tinha e a tudo era dado valor, ao contrário de hoje, como havia muitos jovens a alegria era permanente, ao contrário de hoje em que a sociedade envelheceu. Hoje ainda se canta os reis mas é dentro das casas, comendo e bebendo de seguida. Enfim viva a burguesia de actualmente.
Para terminar a D. Fernanda volta às histórias do Padre Domingos da Raposeira que com um exército próprio ligado à Monarquia combateu a República, morrendo pessoas e pondo Cabeceiras a ferro e fogo, mesmo a D. Fernanda não estando de acordo com as ideias do Padre Domingos (conservador e monárquico) sendo a D. Fernanda (progressista e Republicana) foi ela que recuperou a capacidade de luta e de liderança do Padre Domingos, o que sendo diferente de si lutou pelos seus ideais com toda a força, que é o que a D. Fernanda faz no seu dia-a-dia lutar pelos seus ideais com todas as forças.
Na sessão o Senhor Presidente da Câmara Joaquim Barreto comunicou que já foi criada uma comissão para comemorar os 100 anos da República em Cabeceiras, que foi a única terra do interior onde houve luta e mortes na implantação da República.
Para terminar pedia à D. Fernanda que escrevesse a biografia do melhor presidente de todos os tempos da Câmara de Cabeceiras, Eng.º Joaquim Barreto. Fazer a história dos dois cemitérios de Rio Douro, do tempo final da Monarquia liberal do séc. XIX e primeira década do séc. XX, um de cada partido, nem na morte se juntavam. Cabeceiras foi sempre uma terra de grande confronto político o que se for bem aproveitado como tem sido nos últimos anos e uma vantagem para os Cabeceirenses.
A D. Fernanda gosta de facto do destino e da vida romanceada mas nunca abdica da sua liberdade e de ajudar a construir o seu próprio destino. Descreve tudo com tanto jeito e minúcia que se podia representar a partir do que ela escreve. Tem descrições fantásticas, são autênticos retratos, que ela confirma com a fotografia, fazendo versos que se podem cantar em fado.
Adora a Raposeira que cada vez mais é um bairro típico na nova cidade de Cabeceiras de Basto, fica no rabo do bacalhau que é a praça da república, o fiel amigo dos portugueses como é caro e come-se nas festas, nomeadamente no Natal, dá para os da Raposeira o verem todos os dias plantado em frente ao Mosteiro.
Mas a D. Fernanda Carneiro nunca se esquece do “Mundo de Hoje” e vai às raízes para tentar compreender o Mundo que a rodeia e o que se prospectiva para o futuro.
Ela e o Manuel Carneiro completam-se muito bem, ela com a percepção do visível e o Carneiro com a busca do escondido no tempo e no espaço.

© 2005 Jornal Ecos de Basto - Produzido por ardina.com, um produto da Dom Digital. Comentários sobre o site: webmaster@domdigital.pt.