Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 25-01-2010

SECÇÃO: Recordar é viver

A INCURSÃO MONÁRQUICA

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Figuras e Factos de Cabeceiras de Basto

Caros leitores, como já vos tinha dito anteriormente, vou continuar a mostrar-vos através de documentos fotográficos os acontecimentos que se passaram em Cabeceiras de Basto, durante a Implantação da República, entre 1910 e 1912. Esses acontecimentos a que eu me refiro, são sobejamente conhecidos pela maioria de vocês ou por uma grande parte, pelo menos os amantes da História. Refiro-me às Incursões Monárquicas, em especial às travadas aqui em Cabeceiras de Basto e em alguns concelhos limítrofes. Esses tempos tumultuosos entre conspiradores realistas e os defensores da Pátria, os republicanos, que foram relatados e testemunhados com documentos escritos e fotografados por uma fotógrafa amadora da época, D. Elisa Miranda, para a então conhecida Revista Ilustração Portuguesa, do Jornal “ o Século”. Esta Ilustração Portuguesa foi relatando e noticiando tudo quanto se passava acerca destas lutas acérrimas dos rebeldes monárquicos chefiadas aqui em Cabeceiras de Basto, pelo muito conhecido Padre Domingos Pereira. O Padre Domingos Pereira estava naturalmente de conluio com outros seguidores do rei, na sua maioria sacerdotes e às ordens do General Paiva Couceiro, inimigo número um da República. Pelos vistos quase todos os padres das freguesias de Cabeceiras aqui ao redor também lutavam junto ao Padre Domingos Pereira contra os republicanos.
Não vou escrever toda a história dos acontecimentos de então. Há nesta terra, os entendidos e muito classificados historiadores que poderão escrever com toda a legitimidade e saber do pormenor histórico real em livro. Seriam precisos muitos jornais e durante muito tempo para desenvolver todos esses acontecimentos onde teria também de se falar de Chaves, Montalegre, Salto, Vieira do Minho, Rossas, Casares e Valença do Minho, Celorico de Basto. Teria de falar de D. João de Almeida, um companheiro do Padre Domingos, que foi preso e julgado em Chaves. Não é isso que eu pretendo.
Repito mais uma vez que, não sou uma historiadora nem para lá caminho. Sou só muito curiosa a respeito da herança histórica local. Direi mesmo que sou uma apaixonada pelos factos que marcaram uma época importante na nossa terra. Ainda mais sabendo que Cabeceiras de Basto foi o cenário das últimas lutas travadas entre os defensores da monarquia e a nova república instituída em Portugal.
Vou então apresentar as fotos dos acontecimentos de Cabeceiras publicados na Ilustração Portuguesa que pertencia ao Jornal Semanal “O Século” que tenho a certeza que ireis sentir tanta curiosidade como eu.
Com a devida vénia.
fernandacarneiro52@hotmail.com

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1- O mercado em Cabeceiras de Basto,2, 4 e 6- Raparigas de Cabeceiras que foram ver as tropas de Lisboa. 3- O barbeiro entra em função. 5- Couves para o rancho do 5 de infantaria, em Cabeceiras. 6-Outro aspeto do mercado em cabeceiras de Basto.

«o povo de Cabeceiras, diante dos soldados, fraternizou desde logo, sendo os mercados muito concorridos e aparecendo lindas vendedeiras com todos os produtos da região com que a coluna mixia se abasteceu. N’outras localidades sucedeu o mesmo, sendo a marcha da coluna uma verdadeira fonte de negócio para os lugares que atravessou.»
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1- Artilharia de montanha da coluna mixta em marcha na estrada de Cabeceiras de Bastos2- Passagem d‘uma muar d‘artilharia com o seu condutor. 3- Armas, munições e mais petrechos, incluindo um cabo utilizado no reboque de barcos na travessia do Minho, apreendidos ao bando de Sepúlveda em Valença. (Fotografia enviada pelo dedicado correspondente do «Século» e da «Ilustração» em Valença, sr.Candido A. Gonçalves da Silva.

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1-Depois da luta: As vendedeiras de creação no mercado. 2- Presunto para a soldadesca. 3- Os soldados na lavagem da roupa no rio de Cabeceiras.
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Foto 4: 1-Em Cabeceiras de Basto: O acampamento de Infantaria 5 diante da Câmara. 2- O celebre padre Domingos Pereira, chefe realista em Cabeceiras de Basto, que amotinou a vila e cujos bandosfusilaram o administrador Mendonça Barreto. 3-Casa incendiada, de Gaspar Gonçalves d‘Almeida, chefe do grupo do padre Domingos, de Cabeceiras de Basto. 4-Três irmãos algarvios ao serviço do mesmo regimento: o aspirante Pires Ferreira Chaves, o cabo Tomaz Chaves e o soldado Raul Chaves, de Infantaria cinco. 5- Marcha á vontade.


Por: Fernanda Carneiro

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