Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 14-12-2009

SECÇÃO: Opinião

As Alterações Climáticas, a Opinião Pública e o Bom Senso

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Em Copenhaga está a escrever-se o futuro do nosso planeta que irá depender do sucesso das negociações para um novo acordo sobre o clima.
Tal como as marés que sobem e descem ,a imprensa e a opinião pública tem oscilado entre um optimismo às vezes pouco real e um pessimismo quase militante , resultantes do conhecimento de aspectos concretos das posições dos diversos países nas longas e dificeis negociações e apresentação de propostas.
Não seria de esperar outra situação , apimentada aqui e acolá pela acção dos activistas ambientais.
Convém aqui recordar que o Protocolo de Quioto que determinou a redução em 5% das emissões em relação aos níveis de 1990 foi assinado em 1997, e só foi ratificado em 2005.
Convém tambem recordar que o Protocolo de Quioto só estabeleceu metas para a redução de emissões de gases de efeito estufa para os países desenvolvidos (União Europeia e mais 37 países industrializados), que historicamente mais contribuíram para a concentração desses gases na atmosfera.Os países em desenvolvimento, nomeadamente os chamados países emergentes Brasil, China e Índia, não têm reduções obrigatórias no ambito do Protocolo de Quioto.
Como é sabido neste intervalo de tempo muitas coisas mudaram; as evidencias cientificas das alterações climáticas tornaram-se mais claras , os alertas e os fenómenos climáticos extremos tornaram-se mais frequentes, a China tornou-se o maior emissor mundial e os Estados Unidos apesar da sua mudança oficial de posição ainda tem internamente um longo caminho a percorrer para poderem assinar e ratificar um acordo .

Apesar dos cientistas alertarem para o facto de se começar a esgotar o tempo para actuar e impedir males maiores ao nosso planeta ,este processo de negociação que se desenvolve em Copenhaga é muito complexo .Pelas implicações que tem para a economia, pelos financiamentos exigidos e tambem por ser quase obrigatório que o acordo seja subscrito por um maior número de países nomeadamente os Estados Unidos ,e os países emergentes China ,India e Brasil .
Nestas negociações ,estão todos de acordo quanto ao objectivo final ,reduzir as emissões ,mas , cada um tem os seus interesses a defender e está sempre à espera que seja o vizinho do lado a pagar a maior factura.
Como em todos os processos cientificos não existe total unanimidade e a corrente contrária à tese da responsabilidade dos combustiveis fosseis nas alterações climáticas ,não perde a oportunidade de esgrimir os seus argumentos como foi a caso do “Climagate”.
Para mim ,que não sou especialista na matéria e apenas me vou guiando pelos dados,relatórios e informações dos cientistas ,apenas me é possivel levantar algumas questões.
Será a posição minoritaria desses cientistas totalmente independente ou existirão outros interesses em jogo nomeadamente os ligados ao lobby do petroleo ?
Qual o prejuizo para humanidade com o desenvolvimento de uma economia de baixo carbono apoiada em novas tecnologias,aproveitamento das energias renováveis ,melhoria da eficiencia energética ?
Não há prejuizo e serão apenas beneficios nomeadamente para paises como Portugal altamente dependentes do exterior em matéria de energia.
Por absurdo e caso não se avançasse rápidamente para um novo e ambicioso acordo de redução das emissões muitas outras perguntas se poderiam colocar.
Não será um principio elementar de bom senso que perante cenários tão catastróficos traçados pelos cientistas caso a terra aqueça mais de 2º desde a era pré industrial que sejam tomadas todas as medidas possiveis para reduzir as emissões de dioxido de carbono?
Não estãrao a ser postos em causa os principios da precaução que devem rodear as causas ambientais ?
Será justo que as gerações futuras venham a sofrer consequencias da nossa incapacidade de acção?
Quando esta edição do jornal Ecos de Basto for publicada ou distribuída o resultado da Cimeira já será do conhecimento público.
Antecipando os seus resultados , penso que o bom senso vai imperar e que vão ser dados os passos definitivos para um acordo sobre o clima .
Poderá não ser ainda o acordo ideal mas ,o bom senso e o peso de uma opinião publica cada vez mais esclarecida obrigarão os politicos a tomar o rumo certo.

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