Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 14-12-2009

SECÇÃO: Opinião

VANTAGENS COMPARATIVAS (114)

José Costa Oliveira
José Costa Oliveira
TENHAM MUITO CUIDADO COM O “MEO FIBRA”

Todo aquele aparato, fazendo lembrar coisas do outro mundo, veiculado pelos simpáticos rapazes do “Gato Fedorento”, ou aqueles ambientes, de harmonia e felicidade, encenados pelas famílias Nicolau Breyner e João Pinto, podem, muito bem, não resultar na vossa própria casa. Tenham muito cuidado. A minha história prova, muito dramaticamente, o contrário. Eu conto.
Eu era uma pessoa feliz, tinha telefone fixo fornecido pela PT, tinha televisão por cabo fornecida pela ZON, tinha internet fixa fornecida pela PT SAPO ADSL e tinha internet móvel fornecida pela TMN. Eu tinha, de facto, muitas coisas que aparentemente poderiam ser fornecidas por um único operador. Mas, eu vivia tranquilo e feliz.
Porém, havia alguém que se preocupava muito comigo. Telefonavam-me diariamente, eu quase nunca atendia, quando atendia, por engano, era sempre um inquérito e um enormíssimo rol de facilidades «porque não adere ao meo?».
Foram meses e meses, várias vezes por dia, que meninas, supostamente do serviço meo, me ligavam, eu só atendia de vez em quando, por engano, e lá vinha o questionário, sempre, até que eu acabava por dizer: «muito obrigado, queira fazer o favor de desculpar, mas não estou interessado».
A coisa continuou, meses após meses, até que, por um dia destes, meados de Outubro, não consegui resistir mais, a ponto de ceder: «sim senhor, façam favor de vir instalar o meo».
A menina disse: «uma colega vai contactá-lo para marcarem o dia e a hora em que os técnicos irão instalar o serviço».
A colega ligou logo de seguida e marcámos a vinda dos técnicos para o dia dois de Novembro às catorze horas. No dia e hora marcados, dois técnicos, fazendo-se transportar numa carrinha devidamente identificada com a denominação de uma empresa de serviços e com um dístico onde se lia: «ao serviço da PT», vieram, efectivamente, e instalaram o serviço.
Simpáticos, educados e cuidadosos. Nada há a apontar aos dois técnicos que pertencentes a uma empresa que se apresentava como «ao serviço da PT», instalaram o serviço.
A televisão, com setenta canais, ficou a funcionar. A Internet de banda larga, com cem megas e wireless, também ficou em ordem. Quanto ao telefone, disseram que ficaria vinte e quatro horas sem linha, e que, no fim desse período, tudo entraria na normalidade.
Fiquei satisfeito com a performance, tanto do serviço como dos técnicos que acabavam de o instalar. Até aqui tudo bem.
Passaram-se as vinte e quatro horas e o telefone ainda não tinha sinal. Poderá demorar um pouco mais, pensei eu na minha boa fé. Esperei mais vinte e quatro e o telefone continuava mudo. Já largamente zurzido, porque havia em casa quem tivesse sentido necessidades bastantes de o utilizar, liguei, através de telemóvel, para o número que entretanto encontrei como indicado para este tipo de contactos, o 16200.
Depois de uma gravação me ter sugerido que digitasse um dos algarismos do telefone de onde estava a ligar, em conformidade com um largo conjunto de opções, marquei aquele que me pareceu ir de encontro à minha necessidade, parece-me que era o algarismo três. Também me parece que terei acertado porque, uma voz, gravada, me disse: «digite o número de telefone de onde ou ao qual está ligado o serviço». Eu digitei o meu número de telefone, daquele que, naquele momento, não tinha sinal.
Neste momento apareceu uma voz feminina em pessoa, ao natural, que me pediu que dissesse o meu nome, disse-lhe o meu nome. Depois que lhe indicasse o meu número de contribuinte fiscal, indiquei-lhe o meu número de contribuinte fiscal. De seguida, depois de eu lhe ter explicado as razões do meu contacto, disse-me: «muito obrigada pela atenção, vou transferir a sua chamada para os técnicos do meo».
Automaticamente, passei a ouvir uma mistura de música com ruídos que faziam lembrar o reboliço de qualquer mar revolto. A intervalos, mais ou menos longos, uma voz gravada tentava consolar-me: «aguarde por favor, a sua chamada será atendida logo que possível». Eram dezanove horas do dia quatro de Novembro. Esperei quase meia hora e desisti.
Às dezanove e quarenta voltei a ligar, repeti toda a via-sacra que acabo de descrever, começando pela marcação do número do meu telefone, a minha identificação pessoal e fiscal até me ser sugerido que aguardasse um momento. Foi mais um momento de cerca de meia hora até desistir de novo.
Às vinte e uma e trinta repeti o calvário e o resultado foi ainda a minha desistência ao fim de uma nova meia hora.
No dia seguinte, cinco de Novembro, às nove e quarenta, depois de repetir tudo como já o tinha feito no dia anterior por três vezes, cheguei, finalmente, ao contacto com um técnico. Sempre com tons cordiais, e depois de longos compassos de espera, tive uma resposta: «estive a consultar e a informação que tenho é que o Senhor deve ter é uma avaria, deve contactar o apoio técnico pelo número 707223030». Devo continuar a referir, quando mais não seja para que fique para memória futura, que esta quarta tentativa de contacto demorou também largos minutos.
Liguei então para o 707223030, ao fim de muita música apareceu o técnico, novamente que dissesse o número de telefone que fornecesse a identificação pessoal, e que deixasse o melhor meio de contacto que iria ser abordado por outro técnico para marcar a reparação da avaria. Deixei-lhe o número do telemóvel. E, se eu não tivesse telemóvel?
Passou-se a quinta-feira, a sexta a seguir e no sábado, dia sete, às dez e cinquenta e cinco, telefona-me outro técnico, a partir de Lisboa, que fala como quem não sabe de nada: «temos aqui registo de, …, piu, piu, piu». Nada do que eu tivera relatado anteriormente. Voltei a repetir-lhe o que realmente se passava. Disse-me que aguardasse, deixou-me de novo com aquela mistura de música e ruído de mar revolto, esperei, esperei, até que desliguei, desanimado, voltei a desistir.
Na segunda-feira seguinte, tinham-se passado oito dias, dirigi-me, pessoalmente, à loja da PT na Maia, deixei a reclamação, que não era uma reclamação, era um pedido veemente para que me fossem colocar o telefone a funcionar. A reclamação ficou registada com o número 10235/6849. Deixei também o número do telemóvel para contacto, o mais brevemente que pudessem.
A reparação acabou por ser efectuada, por um técnico da PT, na quarta-feira seguinte, ao fim de dez dias. A anomalia tinha a ver com um corte no fio da rede interna da habitação, que fora provocado pelos técnicos que instalaram o meo.
Duas questões: primeira, na era do meo, corre-se o risco real de ficar dez dias sem telefone e de um enormíssimo rol de canseiras e de gastos em chamadas através de meios alternativos; segunda, as meninas que durante meses ligaram vezes sem conta, quase todos os dias, a tentarem impingir o produto, nos momentos em que o consumidor mais precisava de ouvi-las, não deram um único sinal de si.
Comentários? Para quê? Verdadeira perda de tempo. Tenham muito cuidado com o meo fibra!

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