Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 23-11-2009

SECÇÃO: Opinião

À Memória de meu Pai, antigo músico da Banda Cabeceirense e Mestre Florestal,
Joaquim de Andrade Martins Cabeceirense de Alma e Coração

foto
Um olhar no céu. Outro na Floresta. Uma lágrima. Uma saudade sinto. Sinto o desejo de um dia voltar a ser criança. Sinto um enorme desejo de pisar o teu chão Cabeceiras de Basto. Na alma a dor. No coração a chama. Em todo o meu ser o amor, a lembrança e a saudade de um filho teu. Dia oito de Dezembro de 2006. Um Homem. Um Guerreiro. Um exemplo a seguir. Um músico. Um Mestre Florestal a não esquecer. Um Português que amava a sua Pátria, lutava. Um Marido. Um Pai. Um Amigo sofria. Sofria e não questionava. Recordava Cabeceiras. Falava dos amigos. Comovia-se e deixava transparecer uma lágrima. Apercebia-se que estava a chegar a hora. Já não suportava tanto sofrimento e pedia-me, mata-me. Dias depois já quase não conseguia falar e pronunciou apenas, mata… mata. Gelei, estremeci, chorei. Chorei interiormente evitando assim que ele visse as minhas lágrimas. Vinte e sete de Dezembro de 2006. O guerreiro partiu. Adormeceu para o sono eterno envolto nos meus carinhos e nas minhas lágrimas. Vesti-o. Perfumei-o. Beijei-o. Fechei os seus olhos e disse-lhe palavras tão lindas. Palavras essas que ficarão para sempre só nossas. Dia oito de Dezembro de 2009. Seria o dia do seu aniversário. Onde estás meu Pai?! Onde estás meu Anjo?! Onde estás meu músico?! Onde estás meu Mestre?! Onde estás tu?! Algo me diz que caminhas algures na Floresta com Deus. Será?!... Enquanto me questiono. Enquanto me pergunto. Enquanto choro… Enquanto rezo por ti, recordo-te. Recordo a nossa terra. As minhas recordações são poucas. Muito poucas, porque parti em criança e não voltei. As tuas eram muitas, muitas e essa é a razão pela qual o meu coração me pede para a visitar. Em tua memória vou olhar o céu. Vou contemplar as árvores. Vou sorrir e a pensar em ti vou encher de luz o meu coração. Eras um Homem com muita coragem. Um Homem com muita fé. Eras um grande Cabeceirense, razão pela qual não podes nunca ser esquecido. No dia oito de Dezembro de 2009, dia em que fazias oitenta e sete anos de idade eu não te vou poder dar o habitual beijo de Parabéns. Vou apenas recordar-te e recordar o que se passou há três anos atrás quando ainda estavas na nossa companhia. Vou agradecer a Deus por me ter dado um Pai tão bom. Tão corajoso. Tão cheio de fé. Vou sentir a tua falta, mas vou certamente sentir o teu cheiro. Vou sentir o cheiro do perfume que te ofereci no teu último aniversário. O mesmo perfume com que te perfumei no dia em que partiste para junto de Deus e que eu ainda guardo religiosamente. Vou sentir a tua falta e vou certamente dizer o que já tantas vezes disse só para mim em silêncio. Cheira-me a Pai. Cheira-me a Pai. Uma coisa é certa meu músico, meu Mestre. Só algo de temporário e místico nos separa porque o amor que sentimos por ti é cada vez maior. Até sempre Querido Pai e descansa em paz junto de Deus.

Tua filha

Mariana da Silva Martins
Lisboa, 21 de Novembro de 2009

© 2005 Jornal Ecos de Basto - Produzido por ardina.com, um produto da Dom Digital. Comentários sobre o site: webmaster@domdigital.pt.