Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 23-11-2009

SECÇÃO: Opinião

Diga não à pobreza e exclusão social

Para falar ao vento bastam palavras. Para falar ao coração, é preciso obras.
Padre Antonio Vieira
As situações de pobreza e exclusão social são mais evidentes nos países em vias de desenvolvimento e nas grandes metrópoles.
A luta contra a pobreza dos países em vias de desenvolvimento foi assumida pela comunidade internacional através dos objectivos de Desenvolvimento do Milénio.
A Declaração do Milénio, adoptada em 2000, por todos os 189 Estados Membros da Assembleia Geral das Nações Unidas, teve a grande virtude de criar um processo de cooperação global no século XXI e de responsabilizar os signatários pelos objectivos a atingir.
A identificação das maiores carências, subnutrição, a fome, a falta de água limpa e potável, as doenças nomeadamente a sida, as dificuldades na educação, levaram à aprovação pela comunidade internacional dos denominados Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, a serem atingidos num prazo de 25 anos através de projectos muito concretos para onde são dirigidos os fundos e os esforços da comunidade internacional.
Erradicar a pobreza extrema e a fome constitui um dos objectivos mais nobres traduzido nesta fase na intenção de reduzir para metade (até 2015) a população mundial com um rendimento inferior a um dólar por dia e a população afectada pela fome.
A situação de crise financeira e económica que se está a viver a nível mundial, está a ter reflexos maiores nos países de menores recursos onde as situações de pobreza e exclusão social são maiores pelo que é preciso estar atento ao evoluir deste processo.
Apesar de a União Europeia ser uma das regiões mais ricas do mundo, de ser o maior doador do mundo, esta situação de crise financeira e económica e de aumento do desemprego está também a ter consequências a nível interno.
As dificuldades crescentes de financiamento e desenvolvimento do seu modelo social torna premente que se chame a atenção para o facto de cerca de 17% da sua população não ter os meios necessários para satisfazer as suas necessidades mais básicas.
A Europa só pode ser forte se utilizar ao máximo o potencial de cada um dos seus cidadãos o que não acontece nas situações de pobreza e exclusão social.
2010 será o Ano Europeu Contra a Pobreza e a Exclusão Social uma boa oportunidade de todos e cada um de nós verificar na sua casa, no seu emprego, nas organizações a que pertence como pode contribuir.
A solidariedade, é particularmente importante em tempos de crise e pode ser praticada pela diminuição do desperdício. Bastará reduzir tantos e tantos desperdícios a todos os níveis para que os mais necessitados tenham o que necessitam.
O Ano Europeu Contra a Pobreza e a Exclusão Social vai obrigar a olhares mais atentos sobre a realidade que nos envolve e fruto dessa maior atenção vai levar a um melhor aproveitamento dos recursos disponíveis e a uma maior partilha desses mesmos recursos.
Esta Europa que tem mostrado ao mundo a sua capacidade de ser solidária tem agora o grande desafio de desafiar, motivar e mobilizar os cidadãos europeus a participarem na luta contra a pobreza e a exclusão social.
Neste momento de crise financeira e económica é importante lutar contra a instalação de crise social que pode ter consequências extremamente gravosas a nível individual e colectivo.
Que 2010 – Ano Europeu Contra a Pobreza e a Exclusão Social não seja apenas de palavras bonitas e de identificação de carências mas de actos que permitam falar ao coração são também os meus votos.

Por: Abraão Veloso

© 2005 Jornal Ecos de Basto - Produzido por ardina.com, um produto da Dom Digital. Comentários sobre o site: webmaster@domdigital.pt.