Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 23-11-2009

SECÇÃO: Opinião

VANTAGENS COMPARATIVAS (113)

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O PULMÃO VERDE DA SERRA DO OURAL

Não sei se estarei totalmente certo, mas entendo que a Serra do Oural se estende por toda aquela área que é delimitada pela ribeira que desce desde os Moinhos do Rei no sentido da Ponte da Urtigueira, pela parte lateral exterior da nova pista de aeronaves, pelas raízes das encostas do Porto Escuro e, um pouco mais ou menos, pela encosta que dá para a ribeira de Busteliberne.
Descendo eu, semanalmente, pelo menos duas vezes, o troço da Estrada Nacional 311, que liga o lugar do Penedo da Palha ao centro da nossa vila de Cabeceiras de Basto, a primeira coisa que faço, sempre que aponto à recta de Água Redonda, é reparar em frente, para as encostas e pequenos planaltos da Serra do Oural, e exclamar para com os meus botões, sempre com um misto de alívio e alegria: «graças a Deus, ainda se encontra verde!».
Eu adoro o verde da Serra do Oural.
Na crónica anterior, já tive a oportunidade de aqui referir que, vista do cimo do Alto da Varela, se nota que o fogo lhe andara, muito recentemente, pelas franjas. Era bem visível o queimado que avançara pelo matagal a partir da Urtigueira.
Quando subia, no sentido dos Moinhos do Rei, pude verificar que também andara pela parte sul, ou sul-poente, junto do estradão que segue na direcção do Porto Escuro.
Continuo a interrogar-me sobre a credibilidade da vigilância e das brigadas de intervenção rápida. De facto, parece que não existem, ou, se existem, funcionam mal.
Não ignoro que há locais de dificílimo acesso, e que de pouco valerá qualquer tipo de informação atempada e consequente deslocação de quaisquer meios de ataque. Estão neste caso locais como as íngremes encostas da Urtigueira, de Teixogueiras, ou de alguns dos pontos da serra de Juguelhe. Mas, quanto ao planalto da Serra do Oural, aqui tenham lá paciência, o terreno é de progressão fácil e os acessos são da primeira qualidade.
Se realmente existe vigilância e brigadas de intervenção rápida, então não haverá qualquer hipótese de desculpa se um dia deixarem arder o pulmão verde da Serra do Oural.
Agora, mais do que nunca, há motivos para preservar toda aquela área como zona verde de eleição. Trata-se de um autêntico salão de visitas, quer se dirijam ao lago, verdadeira zona de laser, quer se dirijam à pista de aeronaves, uma das mais recentes portas de entrada no concelho. Ninguém ignora que qualquer aeroporto é uma área de fronteira. Ali, à pista da Serra do Oural, não chegarão aviões de países distantes, mas chegarão, muito naturalmente, aparelhos de qualquer ponto do país e até mesmo da vizinha Espanha. A Serra do Oural é uma das portas de entrada no concelho, sem qualquer dúvida.
Eu não consigo entender como é que há quem não se preocupe com a preservação do seu próprio património. À parte duas pequenas parcelas que são propriedade de particulares, refiro-me à cerca murada, denominada de Murelhe, e pertence à Casa da Baladã, e uma sorte não murada que pertence à Casa de Cima da Aldeia, o grande proprietário de todo o espaço florestal da Serra do Oural é a Comunidade de Compartes dos Baldios de Abadim.
A entidade gestora sobre quem recai a obrigação de zelar pela defesa e desenvolvimento do baldio é o respectivo Conselho Directivo, afirmação por demais elementar, porventura desnecessária, despicienda, toda a gente o deverá saber.
Não se preocupem com áreas onde apenas existe mato. Nestes casos, até será bom que vá sendo queimado, de vez em quando. Depois de ardido nasce tudo de novo, mais verde e acessível aos animais para que melhor possam pastar.
Mas, onde houver floresta, como é o caso da quase totalidade da área da Serra do Oural, é um crime de lesa pátria deixar que o matagal se desenvolva sem qualquer espécie de limpeza, muito simplesmente até que tudo arda.
Com pinheiros por limpar e mato de grande porte e envelhecido de vários anos, também não haverá vigilância eficiente nem intervenção rápida que lhe valha.
Daqui lanço um veemente apelo aos membros do Conselho Directivo dos Baldios de Abadim, façam da mata da Serra do Oural o vosso ponto de honra, apostem na apresentação de uma área florestal como exemplo a seguir, invistam na limpeza daquela parcela do vosso território.
Permito-me, contudo, deixar um pequeno conselho. Grandes meios não são, na maior parte das situações, a melhor solução. Mandar para lá buldozers, manobrados por quem não percebe nada do que anda a fazer, não será, de modo nenhum, solução aconselhável. Já reparei que em tempos andaram por lá arremedos de limpeza desse género, e o que se viu foi que os pinheiros ficaram com grandes cicatrizes, quebrados e derrubados, e o mato com um grosseiro sinal de que algum monstro por ali tinha passado.
A limpeza deve ser feita com recurso a pequenas máquinas e ferramentas, um pouco ao estilo antigo, como já aqui referi uma vez, é preciso saber «roçar mato e esgalhar pinheiros».
O meu conselho, muito simples e modesto, vai no sentido de esgalharem as árvores, até meio do seu troco, as que forem de maior porte, e o máximo possível, as que forem mais pequenas, mais jovens e a limpeza do matagal de dois em dois anos.
Se assim for feito, se assim for mantida a floresta, mesmo que surja qualquer foco de incêndio, por um lado será muito mais fácil de combater, e, por outro lado, mesmo que progrida, passará rente ao solo, não atingirá as copas do arvoredo, as dimensões do fogo serão sempre reduzidas, e a floresta, em si, não sairá grandemente afectada.
E, quanto a meios? Ele há por aí tanto dinheiro mal gasto!
E, pessoal? Ponham-se a trabalhar, entre outros, alguns dos beneficiários do RSI.

PS: Há coisas que não se deve deixar passar em branco. E, por vezes, umas tendem a puxar por outras. A primeira é que me parece de elementar justiça que se atribua nota mais às novas instalações sanitárias do cemitério de Refojos. A segunda é que deveria ser adoptada idêntica solução para a Praça da República. A localização ideal seria junto do, ou no, complexo do Posto de Turismo, não olvidando a adequada sinalização, um pouco como se vê lá fora, no Japão, por exemplo.

Por: José Costa Oliveira

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