Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 02-11-2009

SECÇÃO: Opinião

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O PLANETA E AS GERAÇÕES FUTURAS AGRADECEM UM NOVO ACORDO SOBRE O CLIMA

Por: Abraão Veloso
Gestor do Centro de Informação Europe Direct de Entre Douro e Minho.
Antes de entrar no tema principal desta primeira colaboração com um artigo de opinião, vale a pena recordar que a União Europeia está a viver uma época fértil em acontecimentos da maior importância.
Podemos destacar, a reeleição de Durão Barroso como presidente da Comissão Europeia, que nos enche de orgulho não pelo facto de ser português mas também por esse facto. Durão Barroso tem desempenhado a presidência com visão política, rigor e profissionalismo, premiada no Parlamento Europeu, por uma maioria que seria suficiente para a reeleição, mesmo que já estivessem em vigor as regras mais exigentes do Tratado de Lisboa.
Por outro lado, com o Sim Irlandês no referendo, a assinatura com pompa e circunstância da ratificação por parte do Presidente da Polónia Lech Kaczyñski e finalmente, a abertura do eurocéptico Presidente da República Checa Vaclav Klaus para assinar o documento depois das concessões da União, foram dados passos importantes para que o Tratado de Lisboa entre finalmente em vigor.
Depois de um longo e complexo processo político e negocial a União Europeia vai ter, com o Tratado de Lisboa, as reformas consideradas indispensáveis para o seu progresso, desenvolvimento e afirmação num mundo profundamente globalizado.
Continuando a olhar para o futuro, agora mais promissor com os primeiros sinais de que a crise financeira e económica começa a ser ultrapassada, é hora de chamar a atenção para outros desenvolvimentos igualmente importantes. Refiro-me concretamente às intensas negociações que estão a decorrer a diversos níveis e que permitem antever para Dezembro, em Copenhaga, um novo acordo sobre o clima.
Neste capítulo a União Europeia tem assumido um claro papel de liderança com as suas iniciativas e propostas.
Os países industrializados, principais responsáveis pela situação actual, terão de encontrar os caminhos do consenso para as rápidas e drásticas reduções nas suas emissões.
No entanto, as negociações mais difíceis, serão porventura com os países emergentes, onde o crescimento das emissões é muito significativo mas que com toda a razão, não querem ver comprometido o seu desenvolvimento económico por regras cuja aplicação terá custos elevados.
Vejamos alguns exemplos: as emissões de CO2 chinesas que em 1990 correspondiam a cerca de metade das emissões nos EUA tiveram um crescimento de cerca de 116 % e deverão ultrapassar em breve este país, que é o principal emissor de gases com efeitos de estufa no mundo.
No entanto apesar desse crescimento, é importante realçar que a China actualmente responsável por 20,1 % das emissões alberga 20% da população mundial enquanto os Estados Unidos são o maior emissor com 20,3 % para apenas 4,6% da população mundial.
A China, com 1.330 milhões de habitantes, é o país mais populoso do mundo, tem uma economia florescente, é o maior consumidor de carvão, duplicou o consumo de petróleo nos últimos 20 anos e não quer ver comprometido o seu desenvolvimento.
A índia, que com 1 150 milhões de habitantes vem logo a seguir à China em termos de população, é outro exemplo de grande crescimento das emissões. Fruto do desenvolvimento económico, teve desde 1990 um crescimento das emissões de 78,2% apesar de com 17% da população mundial continuar a ser apenas responsável por 4,46 % das emissões mundiais.
Perante a necessidade de crescimento económico, destes e outros países em vias de desenvolvimento, e perante o crescimento das suas emissões, é bem evidente a necessidade imperiosa de os envolver no futuro acordo de clima. Isto sem esquecer, ser absolutamente fundamental manter a luta igualmente prioritária, contra a pobreza e exclusão social.
Os países desenvolvidos estão de acordo em que alem dos esforços para reduzir as suas emissões têm de financiar e apoiar a luta contra as alterações climáticas dos países em vias de desenvolvimento.
As negociações neste campo estão a prosseguir, existe vontade política e naturalmente as gerações futuras e o planeta agradecem que por actos se comprovem as palavras de Michael Jackson “Planeta terra, terno e azul amo-te com todo o meu coração “.

Por: Abraão Veloso

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