Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 12-10-2009

SECÇÃO: Informação

MILHARES DE PESSOAS PARTICIPARAM NAS FESTAS DE S.MIGUEL

Tradicionais chegas de bois
Tradicionais chegas de bois
As Festas do Concelho, que decorreram nesta vila Cabeceirense, de 20 a 30 de Setembro, registaram no dia 29 e dia do Município, o seu ponto alto com a passagem da majestosa Procissão em honra do Padroeiro S. Miguel de Refojos. Um verdadeiro enchente de pessoas perfilaram-se ao longo das ruas para assistir a este importante cortejo religioso, que é uma referência nas terras de Basto e no Norte do País.
As danças fizeram parte do programa
As danças fizeram parte do programa
A jornada começou cedo com arruadas de bombos a percorrer os principais locais desta vila, convidando, como é tradição os romeiros para a festa. Entretanto, na Igreja do Mosteiro de S. Miguel de Refojos, celebrava-se a Missa Solene em Honra do Padroeiro, na qual esteve presente D. António Couto, Bispo de Braga, que “convocou os cristãos para viver a festa de Deus” e que atraiu àquele templo centenas de fiéis, que este ano puderam ouvir tocar o órgão de tubos, datado de 1770, recentemente recuperado e cujo toque foi devolvido à população pondo termo a mais de oito décadas de silêncio.

Bandas Filarmónicas são tradição

A desfolhada minhota contou com muito público
A desfolhada minhota contou com muito público
O programa festivo prosseguiu com a entrada das Bandas de Música de Cabeceiras de Basto e de Pevidém, que desta forma se apresentaram aos autarcas e ao numeroso público presente na Praça da República. Enquanto isso, centenas de pessoas esperavam junto o Posto de Turismo Municipal o resultado do Sorteio de S. Miguel, importante fonte de receita destas festividades, cujo primeiro prémio foi um automóvel. A entrada da Fanfarra dos Bombeiros Cabeceirenses na Praça assinalou o início da Procissão que integrou uma vintena de andores e dezenas de figurantes.
A jornada continuou pela noite dentro com o tradicional concerto das Bandas Filarmónias que, ao despique, interpretando diversos temas, clássicos e populares, bem do agrado das gentes destas terras.

Onze dias de Festa
Os bombos e gigantones percorreram as ruas
Os bombos e gigantones percorreram as ruas

O programa festivo da feira/festa de S. Miguel que este ano incluiu onze dias de animação, pelo facto de ter começar num fim-de-semana, ofereceu à população e aos visitantes, actividades diversificadas que aliaram a tradição com a modernidade, dando lugar a um calendário completo direccionado para graúdos e miúdos.
Os divertimentos e o comércio invadiram as principais ruas e praças desta vila Cabeceirense, a que se associou também a XXXIII Exposição/Feira de Actividades Económicas de Basto, certame de referência que agregou mais de uma centena de expositores do concelho, mas também de outros pontos do país, dinamizando um importante palco de “negócios” em diferentes ramos.
Artistas do panorama nacional musical atraíram muita gente
Artistas do panorama nacional musical atraíram muita gente
As tradições como as chegas de bois, as corridas de cavalos e de burros, a feira de gado bovino, as rusgas populares, os bombos e os gigantones, mas também o cortejo etnográfico, a abertura do portal da feira ou o baile de Outono, destacaram-se como é hábito nas festas do concelho, que tiveram associadas um programa mais abrangente e diversificado onde artistas do panorama nacional, mas também local e regional, deram o seu contributo.
As afamadas festas/feira de S. Miguel de Refojos encerraram no dia 30 de Setembro, vulgarmente designado por «dia das trocas» com a realização de uma gincana de jumentos e com um balanço francamente positivo, dada a afluência de milhares de forasteiros que se deslocaram a Cabeceiras de Basto, transformando esta vila num centro cosmopolita e grande beleza.
Feira do gado bovino, sempre muito participada
Feira do gado bovino, sempre muito participada

Feira de S. Miguel com origem na Idade Média

De referir que a feira, é um acontecimento que data da Idade Média, mas foi D. Dinis que lhe atribuiu importância e a engrandeceu, tornando-a numa das mais famosas de Portugal. Começou por ser uma feira franca e foi sempre muito concorrida por forasteiros que a animavam desde o alvorecer do dia 20 até ao dia 30 de Setembro.
A ronda das concertinas animou as ruas e o povo
A ronda das concertinas animou as ruas e o povo
O comércio desenvolveu-se extraordinariamente. Aqui se vendiam as mantas de barroso, o gado bovino e cavalar, mas com o rodar dos séculos, transformou-se também num parque de diversões.
A Feira de S. Miguel teve sempre imensa reputação, sobretudo no século XIX, em que muitos forasteiros de diversos concelhos circunvizinhos aqui vinham para armar as suas barracas de comércio. Tal a sua importância, que Camilo Castelo Branco a imortalizou em várias páginas dos seus romances, com numerosas referências. É o caso dos romances «Mistérios de Fafe», «Eusébio Macário», o conto «Como ela o amava» e ainda as célebres «Novelas do Minho».
Magnífica sessão de fogo de artifício
Magnífica sessão de fogo de artifício
Para a maioria dos cabeceirenses, a feira e festas tiveram sempre um significado especial. A feira representava o diferente, tudo aquilo o que permitia esquecer por uma hora ou por alguns dias, a rotina do quotidiano e ansiar pelo ano seguinte. A feira anual trazia utensílios requintados que não se vendiam no comércio local, como cutelarias ou instrumentos musicais ou roupa e calçado de melhor qualidade. Trazia as barracas dos jogos e os divertimentos. Faziam-se brincadeiras dignas de ser comentadas todo o ano. Montavam-se barracas de comidas e bebidas onde se podiam comer géneros frescos e a doçaria mais requintada. A feira, tal como a romaria, permitia à mulher a evasão que nas aldeias só lhe era proporcionada pelo ritual religioso, enquanto que os homens tinham oportunidade de tomarem contacto com o mundo exterior através dos mercados mensais.
João Pedro Pais integrou cartaz festivo
João Pedro Pais integrou cartaz festivo
Em Cabeceiras de Basto, em torno da feira agregaram-se as “festas do concelho” e hoje, esta terra de características minhotas e frequentes costumes transmontanos, continua a ser durante dez dias, palco de um dos maiores pontos de encontro desta vasta região.
A Feira e a Festa de S. Miguel de Refojos constituem um dos cartazes de maior atracção de público das terras do norte do país.
Em época de colheitas agrícolas, esta feira secular que também é festa, trouxe ao de cima aquilo que de melhor se produziu nesta região, as suas tradições, a que se associaram as novidades próprias da época que vivemos. Além do comércio, um programa festivo diversificado atraiu público de todas as idades que durante a festa percorreram as principais e engalanadas ruas da vila, sob um clima ameno que só no último dia fez jus ao velho ditado «Ande por onde andar, a chuva o S. Miguel vai buscar».
O órgão tocou, na Missa de S. Miguel, pelas mãos do Cabeceirense José Carlos Basto
O órgão tocou, na Missa de S. Miguel, pelas mãos do Cabeceirense José Carlos Basto

Missa solene em honra de S. Miguel, com a presença de D. António Couto, Bispo de Braga
Missa solene em honra de S. Miguel, com a presença de D. António Couto, Bispo de Braga

As filarmónicas apresentaram-se às entidades e ao público
As filarmónicas apresentaram-se às entidades e ao público

Sorteio das festas
Sorteio das festas

O teatro integrou o programa das festas
O teatro integrou o programa das festas














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