Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 12-10-2009

SECÇÃO: Opinião

A IMPORTÂNCIA DO SEBO

Já vai sendo habitual ouvirmos dizer que agora se morre por tudo e por nada e que a morte já nem sequer escolhe idades. Na verdade o fenómeno morte nunca esteve associado ao factor idade, a diferença está apenas ligada à globalização informativa que a todo o momento nos traz informações dos quatro cantos do mundo.
Há ainda quem afirme que certas doenças são devidas ao lixo alimentar, às porcarias que comemos. É nesse contexto que resolvi partilhar com os eventuais leitores alguma experiência que colhi em dado momento da minha vida, embora os relatos de outras pessoas careçam de alguma veracidade. Sabemos que as leis estão hoje mais apertadas e a fiscalização muito mais activa…
Contudo, baseado em situações que observei e relatos que me foram feitos por encarregados e donos de fábricas transformadoras de sebo e farinha de osso numa altura em que estive ligado à fabricação de pastas abrasivas para polir metais onde o sebo de origem animal entrava em todos as fórmulas. Por esse motivo conheci bem, as fábricas de Campanha, Areosa, São João da Madeira e Frielas – Loures.
Todos estamos recordados de ver às portas dos talhos uns camiões fazendo a recolha de ossos e aparas de carne rejeitada. Esses camiões seguiam para as citadas fábricas onde os ossos eram lançados num fosso com um dispositivo mecânico (sem-fim) que os transformava em farinha e daí para um ciclone que fazia a descarga directa para camiões de taipais altos que posteriormente seguiam para as fábricas de rações para animais onde a farinha de osso era um dos componentes. Depois esses animais quando em condições de abate entram no circuito do mercado das carnes de consumo.
Um dia estava eu à conversa com o patrão duma fábrica que me dizia que comprou essa unidade fabril por gostar muito de pescar e era ali que vinha buscar morcões para usar nas suas pescarias. Na nossa frente havia uma montanha de ossos com um aspecto nada agradável, estavam negros e carunchosos perguntei, ao proprietário da fábrica para que serviam aqueles ossos. De imediato veio a pergunta. Para si quanto valem aqueles ossos?...Dado o seu aspecto horroroso respondi que para mim não valiam nada…Então o sr. Faria muito convicto do seu valor, respondeu que quem os quisesse levar teria que pagar 3.000 contos, nem mais nem menos. (Isto à cerca de 25 anos!...)
Havia um transportador que nos trazia um abrasivo dos lados de Santander-Espanha e para rentabilizar a viagem para lá ia carregado com ossos destinados à França. Como o camião era aberto à passagem de tão preciosa carga ficava o ar empestado e tudo fugia excepto as moscas.
Dizia o motorista que ao aproximar-se das fronteiras acompanhado por legiões de moscas ao ser pressentido pelos guardas estes fugiam a sete-pés refugiando-se nas guaritas fazendo gestos frenéticos para que se afastasse depressa do local, o que dava um certo gozo ao referido motorista.
Noutro tempo havia gente que dizia que os ossos davam para fazer açúcar. Nada disso o açúcar vem da beterraba e da cana do açúcar.
Os meus respeitos pelas senhoras de pernas magras, mas no meu tempo de rapazote dizia-se em geito de graçola, olha aquela!...se passa em Guimarães deixa lá as pernas para cabos de facas.
No próximo texto falaremos do sebo como complemento alimentar.

Por: Alexandre Teixeira

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