Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 21-09-2009

SECÇÃO: Opinião

BRINCADEIRAS DO MEU TEMPO

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Os poetas costumam cantar as crianças nos seus sonetos como sendo das coisas mais belas do mundo. Efectivamente assim devia ser, só que desgraçadamente por esse mundo fora há crianças que nunca foram crianças, nunca tiveram tempo para brincar, sorrir e muito menos ser felizes.
Ao menos no meu tempo sempre tínhamos algum tempo para brincar embora depois de cumpridas algumas tarefas ligadas ao nosso quotidiano, como por exemplo; ir ao monte buscar lenha para alimentar a lareira. Nesse tempo ninguém tinha gás e as nossas mães faziam a comida nos velhos potes de ferro de onde saiam bons caldos e melhores aprezigos.
Não havia água canalizada e para os gastos da casa tinha de vir de poços ou minas, às vezes bem distantes. Era ainda nessas minas onde os nossos pais nos mandavam por o vinho a refrescar.
Havia ainda um sem número de tarefas feitas por nós antes de irmos para a brincadeira.
Só então podíamos dar largas à nossa imaginação ao construir carrinhos com rodas de arame ou laranjas, com compartimento de carga e volante, ou ainda carros em madeira que serviam para fazer corridas ladeira abaixo mas fazer esses carros já exigia outra sabedoria em termos de carpintaria, tal como as trotinetas. As corridas eram feitas na ladeira do Vale de Arrão até junto da estrada N 206. Para cima vinham às nossas costas e era assim repetidamente.
Depois havia muitos outros brinquedos e brincadeiras. O jogo da malha que era feito com malhas de pedra e mecos, A fisga feita com borrachas e gancheta de oliveira. A volta a Portugal feita numa estrada imaginária com sameiras dum refrigerante do mesmo nome, o jogo de espeto. O escorrega nas fragas com resina derretida, o funga-gatos, o telefone feito com caixas de palhitos (fósforos) havia ainda os rapazes que gostavam de brinquedos bélicos, faziam pistolos com invólucros de balas e varetas de guarda-chuvas e um deles era o Mário Rino que sempre gostou muito de espingardas. A maior parte dos meus companheiros de traquinices já partiram deste mundo, alguns não me recordo dos seus nomes e os outros felizmente ainda andam por aí, só que já não fumam cigarros feitos com papel de jornal e barba de milho que era a pior de todas as nossas brincadeiras.
Quanto às raparigas, não participavam nas nossas brincadeiras a não ser alguma Maria – rapaz, pois tinham as suas próprias brincadeiras mais suaves, mas não menos interessantes.
É obvio que me refiro às bonecas de trapos que bem ou mal elas faziam com pano de chita e outros farrapos. Tinham ainda o jogo da macaca, o jogo de saltar à corda, as burranicas, as piascas dos eucaliptos e o jogo da sardinha que era óptimo para aquecer as mãos no tempo frio.
E deste modo terminamos esta visita ao passado e fi-lo porque sou por temperamento um saudosista e também por ser grande defensor dos valores culturais e tradicionais do nosso povo.

Por: Alexandre Teixeira

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