Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 20-07-2009

SECÇÃO: Informação

Num dia

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Num dia iluminado desceste do céu para pisar a terra,
Com os pés feitos de algodão.
Para ti tudo era bonito:
A terra rendia-se ao encanto que lançavas sobre as coisas.
Quiseste sujar as mãos…!
Depois foste a correr lavá-las.
Nada entendi.
Calei-me.
Acenei a cabeça.
E tu sorriste,
Mesmo quando a água gelada te correu por entre os dedos!...
Podias tudo…
Tu sabias tudo.
Sabias que o céu era teu demais para que pudesse fugir.
Então, ficavas a descansar de olhar tranquilo.
Os caracóis de ouro que te envolviam o rosto
Eram as borboletas de papel que te levavam de volta ao céu.
Então, podias ir e vir…
As vezes que quisesses!
Eu continuava sem entender nada.
Num dia, também ele iluminado,
Tentei correr ao encontro da água limpída.
Aquela água com que tinhas limpo as mãos
Quando te sujaste.
Mas não te encontrei.
Chorei bastante por te ter perdido.
Perdi-te naqueles momentos em que falei a sério demais;
Em que ri vezes de menos;
Em que tive vergonha de correr e saltar!...
Perdi-te quando me equívoquei
Ao pensar que ser-se crescido é deixar de te trazer em mim…!
Hoje fui sujar as mãos e depois fui a correr á fonte…
Á tua fonte!
Só quando dei uma gargalhada te consegui encontrar:
Estavas mesmo aqui…
Em mim.
Tu és a eterna criança que mora dentro da minha alma.
Aquela que me guia e me belisca quando vou depressa demais…
É contigo que hei-de seguir,
E sujar as mãos muitas vezes
Para depois sentir a água bem gelada
A escapar-se por entre os dedos.
Então, hei-de sorrir muito por causa disso.
E a vida estará sempre ali:
Aos pés de uma fonte de água cristalina.

Por: Magda Teixeira

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