Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 20-07-2009

SECÇÃO: Recordar é viver

UMA AVENTURA DOS CAVAQUINHOS DA RAPOSEIRA EM TERRAS DE FRANÇA

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Não sei se os caros leitores ainda estão recordados da última viagem que aqui relatei no princípio do ano passado, a França, mais concretamente a Rives, que fica na região de Grenoble, no apartamento 38, convidada pela Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto e pela Junta de Freguesia de Refojos, na qualidade de deputada municipal. Foi uma experiência gratificante e inesquecível.
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Nessa altura concluiu-se o acordo de Geminação entre a Câmara de Rives e a Freguesia de Refojos concretizando um anseio dos cabeceirenses ali radicados. E ainda bem que me convidaram para ir. O Sr Luis Martins, presidente da Associação Portuguesa de Folclore, cuja sede fica mesmo ali junto à Câmara, disse-me, depois de ter tomado conhecimento que na Raposeira existia um grupo de cantares populares, que no próximo ano (o corrente 2009) seria a vez do Grupo de Cavaquinhos ser convidado para ir a França. Eu achei que era impossível que tal desejo fosse realizado mas, ficamos sempre com a esperança! E a verdade é que o sonho se concretizou!
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Mais ou menos no princípio do ano, o meu amigo, Sr Luís Martins, cumprindo o que havia prometido, enviou-me um e-mail a perguntar se nós, o Grupo dos Cavaquinhos da Raposeira, estaríamos interessados em ir a Rives cantar num festival, a 4 de Julho deste ano, e integrados na Geminação entre Rives e a Freguesia de Refojos, dignamente representada por Francisco Alves. Eu, fiquei muito contente, só tinha agora que falar com o restante grupo para saber da disponibilidade de irmos. Responderam que sim desde que nos dessem as condições necessárias para irmos. É que somos um grupo ainda novo e a Associação não dispõe de verbas para estas andanças.
E a nossa Autarquia, a Junta de Freguesia de Refojos, a Associação Folclórica Portuguesa e a Câmara de Rives, uniram esforços para que os Cavaquinhos da Raposeira fossem representar Cabeceiras de Basto.
A Associação Folclórica Portuguesa e a Câmara de Rives entraram em contacto com a nossa Câmara e a Junta de Freguesia para saber da viabilidade de o grupo poder ir a Rives.
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Como os membros da Autarquia e da Junta de Freguesia já nos tinham ouvido actuar acharam que teríamos reportório para cantar e não deixar ficar mal a nossa querida terra.
E graças a estas Entidades Públicas este nosso sonho transformou-se numa agradável realidade.
Conhecia já a simpatia do senhor Martins e do Maire de Rives, Mr. Alan Decemple, que tudo fizeram para nos receber como se estivéssemos em nossa casa.
O nosso Presidente, Engenheiro Joaquim Barreto, a Vereadora Stela Monteiro e o nosso Presidente da Junta de Refojos, acompanharam-nos até Rives.
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É preocupação da nossa Autarquia, fomentar encontros com as comunidades cabeceirenses radicadas fora do País. Pretende com estes intercâmbios, que os filhos dos portugueses que nasceram em França ou os que foram bébés daqui de Portugal conheçam as origens dos seus progenitores. De maneira que de vez em quanto se fazem estes encontros no estrangeiro ou cá em Cabeceiras de Basto, mais especificamente na Festa do Emigrante.
Os nossos emigrantes recebem com muito carinho o Poder Local, em especial o Engº Joaquim Barreto como se de família se tratasse.
Não tenho palavras para descrever a nossa chegada a França. Houve risos e lágrimas de emoção. Os meus olhos e os dos meus colegas (somos quase todos famílias entre nós), brilhavam de emoção pela maneira emocionada como o Presidente, senhor Martins, e o vice-presidente, Carlos Vieira, da Associação Folclórica Portuguesa de Rives vieram ao nosso encontro e desde logo se puseram à nossa inteira disposição para que nada nos faltasse.
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A Câmara de Rives também não faltou com o seu apoio, com especial destaque para o seu Presidente, senhor de uma enorme simpatia.
Estiveram connosco amigos e vizinhos da Raposeira como por exemplo, para citar alguns, a Rosa, filha da falecida Glória de Conselheiros, um irmão do Bernardino de Alvite, que trabalhou na Câmara, a sua esposa, o Morais de Painzela, dois filhos do conhecido Marcelinho do Barrosão, um dos quais, o Fernando, é pai da nossa colega do grupo, a Marisa, o senhor António “Ferreiro”, irmão do Armando Veiga das Pereiras, o filho, o Garcia da Ponte Nova, gente de Celeirô, a Margarida e a Isaura, filhas do falecido Alfredo da Ribeira com os respectivos maridos Carlos da Raposeira e João de Leiradas, o senhor Andrade e a esposa, da Raposeira, pais da dona do restaurante ou do “café dos portugueses” como é mais conhecido, a esposa do Carlos Vieira, a amiga Deolinda de Pielas, filha do já falecido Serafim de Pielas, com o marido que também é de Alvite, entre outros, O Zé “Fentelhas”, entre outros.
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A nossa primeira actuação pública foi numa casa de acolhimento de pessoas idosas, onde fomos muito bem recebidos.
À noite, no festival, foi espectacular. A abrir actuou o grupo “da casa”, o Rancho Folclórico dos Portugueses. De seguida actuaram grupos de outros países: Equador, Nova Zelândia, Roménia e Espanha, que encantaram a numerosa assistência que enchia a praça fronteira à Câmara ou “Hôtel de Ville” como ali é conhecida. Tinham culturas diferentes das nossas e por isso apresentaram um folclore diferente mas bonito, como são todas as manifestações da cultura popular!
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Quando o grupo dos Cavaquinhos da Raposeira começou a tocar e a cantar, os portugueses entusiasmaram-se tanto que batiam palmas, incentivavam com “vivas” e até se levantavam das cadeiras. O entusiasmo foi subindo de tom e ao som da concertina, dos cavaquinhos, das violas, do bandolim e da flauta, do tambor e das castanholas depressa se organizou um animado baile entre a assistência. O entusiasmo foi tal que quando o pessoal do grupo também se associou ao baile logo o palco foi “assaltado” por muitos daqueles portugueses entusiastas, certamente saudosos dos tempos que outrora viveram no seu torrão natal.
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Foi tudo maravilhoso. Antes de regressar a Portugal demos um pequeno concerto no restaurante dos portugueses, onde estávamos a almoçar com os membros das duas Câmaras, Presidentes, Vereadores e deputados municipais, Junta de Refojos e os representantes da Associação de Folclore Portuguesa, Luís Martins e Carlos Vieira.
Foi triste a despedida. Houve lágrimas. Ninguém arredou pé até o autocarro se afastar. Mesmo os nossos autarcas estiveram até ao fim da nossa partida. Mas houve a promessa de um reencontro com muitos dos amigos que ali ficaram, já neste Agosto, se Deus quiser!


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Por: Fernanda Carneiro

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