Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 29-06-2009

SECÇÃO: Opinião

VANTAGENS COMPARATIVAS (106)

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O TRIUNFO DOS POLITICÓLOGOS

Depois do insucesso que se abatera sobre tudo quanto é analista político e técnico de sondagens, a partir das vinte horas e um minuto do passado domingo, dia sete do corrente mês de Junho, deste ano de 2009, apressei-me a investigar se haveria, de facto, no nosso sistema de ensino universitário, uma licenciatura com a designação de politicologia.
Eu pretendia tecer algumas considerações, relativamente aos politicólogos, tais como aquelas que já tecera, anteriormente, relativamente aos economistas. Para mim, e sem mais, quer uns, quer outros, anda tudo pelas ruas da amargura. Os economistas não sabem explicar as razões da crise que assola o planeta, muito menos foram capazes de a prever. Os politicólogos previram, erradamente, os resultados eleitorais e agora, tal como os economistas em relação à crise, também eles não sabem explicar as razões do falhanço das sondagens.
Talvez seja por isso que, até ao momento, ainda não se viu nenhum especialista do direito, a vir a terreno, e expressar opinião sobre qual será o desfecho do processo Casa Pia. Isto só pode levar-nos a tirar a seguinte conclusão: é que os juristas, em particular os advogados, deverão ser um pouco mais hábeis do que os economistas e os politicólogos. O Dr. Serra Lopes explicava as suas teses de defesa comparando-as a voos de aviões militares dotados de geometria variável!
Voltando aos politicólogos, confesso que, de início, me causou alguma curiosidade a existência do termo e, ainda mais, a de uma licenciatura com este nome. Como sempre faço, quando tenho dúvidas, fui investigar: primeiro se a palavra existia, logo aqui deparei com grandes dificuldades, não aparecia, nem nos dicionários, nem nas enciclopédias, pelo menos, naqueles e naquelas a que tive acesso, também devo confessar que a minha biblioteca não é nada por aí além. Mas, à cautela, e para maior segurança, consultei um dicionário de um biblioteca pública. Nada de nada, por enquanto!
A seguir, «o que é um politicólogo?», escrevi num dos motores de busca da Internet. Imensas alusões ao termo, em particular sites com sufixo br, de brasileiros, mas nada que respondesse à minha curiosidade… Por este lado, não me restou outra alternativa que não fosse desistir.
Mas, para mim, desistir é coisa que faço com enorme dificuldade. Sempre que me vejo obrigado a fazê-lo, não tenho grande sossego enquanto não encontro motivo de busca por outro lado. Assim foi. Lembrei-me de procurar, nos curricula das universidades, se haveria alguma em que aparecesse o curso de politicologia como opção de matrícula num curso superior. O mais próximo que encontrei foi o curso de Ciência Política, do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa.
Mais, busquei o resumo do programa de tal curso: «O curso de Licenciatura em Ciência Política confere diversas competências para o trabalho no mercado nacional e internacional nas áreas da análise política, do acompanhamento e assessoria de campanhas políticas, na compreensão das instituições e do mercado político, e mesmo na docência. Esta licenciatura foi pensada e organizada no sentido de conferir capacidades críticas e analíticas nas dimensões da Política e do vasto campo das Ciências Sociais».
Pronto. Sempre que ouçam, num qualquer telejornal, de um qualquer dos canais da televisão que, na nossa língua, cobrem o território nacional, e sempre que o locutor entreviste um qualquer analista político referindo-se ao mesmo como: «O nosso politólogo, ou o nosso politicólogo», já sabem, o entrevistado pode muito bem ser, aliás, deverá, ou deveria, ser um licenciado em Ciência Política.
Renovo o meu sentimento de solidariedade para com essa classe profissional, eles, os politicólogos, como os economistas, não se livrarão tão cedo do ferrete que os marcará como aquela classe profissional que para pouco mais serve do que para explicar os fracassos dos outros, e ainda que, até neste particular, acabam por falhar. Estou, muito sinceramente, solidário com os politicólogos, que ainda não sabem explicar a razão porque foi que, um grande número de tradicionais eleitores socialistas, acabou votando a par dos bloquistas.
Eu quero lembrar aqui, aos bloquistas, que não deverão dar grandes largas à sua apregoada vitória. Só quem for muito curto de imaginação é que poderá acreditar na sua verborreia. Propõem aquilo que ninguém, alguma vez, poderá vir a cumprir, muito menos eles próprios, que não passam de um grupo de médios (nem sequer são pequenos) burgueses, todos bem na vida. O aumento do score dos bloquistas foi, tão-somente, o resultado de um bom número de socialistas incautos que, e com as suas razões, que serão sempre respeitáveis, tentaram votar contra o estado das coisas.
Porém, deverão tê-lo feito da pior maneira, deverão ter, como se costuma dizer, e passe a frase, apostado no “cavalo errado”. Os descontentes, que votaram contra, tê-lo-iam feito muito mais utilmente se votassem, ou com os comunistas, aqueles que efectivamente pretendiam votar à esquerda, ou, em alternativa, com os centristas, aqueles cujos ideais políticos se posicionassem um pouco mais para a direita. É que, tanto comunistas, como centristas, apresentam ideias que se mostram fundadas em alguma seriedade, cada grupo a seu jeito, entenda-se.
As propostas, se é que se podem chamar propostas, dos bloquistas, não passam de um simples conjunto de ideias soltas, profundamente demagógicas, expressas por um grupo de meninos bem, médios burgueses, que prometem aquilo que nunca ninguém poderá vir a concretizar. Esperem para ver!
Entretanto, a crise segue o seu curso. Continuo a alimentar sérias esperanças de que, mais cedo ou mais tarde, apareça um iluminado que se proponha explicar as suas razões. Seria um bom momento para o Dr. Louçã!

Por: José Costa Oliveira

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