Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 08-06-2009

SECÇÃO: Desporto

À conversa com o treinador Daniel Magalhães

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Um grupo especial, uma vitória merecida

Ecos de Basto - Como sente o gostinho de ser campeão da série?
Daniel Magalhães - Está a ter um gosto muito bom. Além disso, já não é o primeiro. Com este título, já é a terceira vez nas camadas jovens, que sou campeão e já subi o Atlético duas vezes, uma nos Juniores e outra nos juvenis. Mas este está a ter um gostinho mais especial, pois este grupo é excepcional.
E.B. - A quem se deve e como explica esta vitória e esta caminhada na taça?
D. M. - Acho que esta vitória, deve-se ao facto de sermos um grupo muito unido. Começamos a trabalhar bastante cedo, com bons resultados que fomos somando desde o início o que fez com que este grupo começasse a reagir bem e a pensar que poderiam alcançar feitos muito bonitos neste campeonato. A partir daí foi ganhar e ganhar, e quando tivemos a primeira derrota a equipa não esmoreceu, continuando no caminho dos êxitos.
E.B. - Teve pena de não ter ido mais além na taça?
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D.M. - A taça é uma prova um bocado complicada, porque se encontram equipas de divisões superiores, com outras estruturas e condições e nós não estávamos formados para esse objectivo. Por isso, na taça tentamos não desgastar muito os jogadores e ir o mais longe possível. Mas o sorteio, no fundo, não é o sorteio que deveria ser, pois por exemplo houve uma equipa que só fez duas eliminatórias e foi à final, sendo essa, o Sp. Braga que ficou muitas vezes isenta, enquanto nós começamos a jogar logo após a pré-época.
E.B. - Como reagiram os jogadores ao título?
D.M. – Os jogadores reagiram de uma maneira excelente e cheia de alegria. Ainda que não tenhamos sido campeões na penúltima jornada, porque a equipa que ia em segundo lugar não jogou, jogando só passado uma semana. Nesse dia tivemos treino à noite, depois fomos para casa e tentamos saber o resultado do outro jogo, mas só perto das 23 horas é que soube que éramos campeões. Entrei então em contacto com alguns dos atletas que rapidamente propagaram a mensagem com alegria. No treino seguinte já quase nem treinamos. Era a festa de campeão, foi só festejar o título e fazer brincadeiras, que era o que este grupo conseguia fazer no momento.
E.B. - Como classifica os seus adversários mais directos. Quais os mais complicados?
D.M. - Sobre os adversários directos, havia 3 ou 4 equipas muito parecidas e difíceis. O Sandineses para mim, continuo a dizer, para além de ganharmos os dois jogos, era das equipas mais difíceis. O Stª Eulália era também uma equipa muito complicada, mas começou a cair quando nós lá fomos ganhar na segunda volta, sendo a primeira derrota deles sofrida em casa. Já o Urgeses era uma equipa muito jeitosa. Muito jeitosa mesmo. Perdemos os dois jogos contra eles, mas tenho-os atravessados na garganta, pois os resultados não reflectem bem o que aconteceu dentro de campo. O primeiro jogo relativo à terceira jornada, cá em Cabeceiras foi um pouco complicada. Foi um jogo em que o árbitro escolhido era muito novo e inexperiente, não deixando as equipas jogar, apitando de uma maneira complicada e muitas vezes. Além disso nós sofremos um golo de penalti e falhamos um no último minuto, desperdiçando o empate, resultado que considero ter sido o mais justo. Já em casa do Urgeses, foi um jogo completamente diferente. Apanhamos um bom árbitro, mais inteligente, na maneira como apitava. Encontramo-nos a ganhar por um a zero ao intervalo. Mas na segunda parte, houve um pequeno problema com os miúdos, reagindo mal com a assistência, e nesse lance empataram o jogo contra a corrente do jogo, já quando estávamos reduzidos a 10 por expulsão de um dos nossos melhores jogadores Bruno,. O árbitro era inteligente e com o segundo amarelo por simular uma falta, onde o miúdo até tinha razão, pois saiu com o pé inchado. Mas as coisas ainda pioraram mais quando já não tínhamos mais substituições. Um miúdo nosso partiu o pulso. Ficamos reduzidos a 9 e sofremos o segundo golo e a respectiva derrota. Contudo, os jogos que queríamos ganhar não os ganhamos, tendo sido eliminados da taça por um concludente 4-2. Mas para mim, a melhor equipa a seguir à nossa neste campeonato, é sem dúvida o Sandinenses.
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E.B. Quando é que sentiu que este plantel poderia chegar longe?
D.M. - Foi a partir da primeira derrota com o Urgeses. Foi aí que a equipa se uniu ainda mais, e vimos que poderíamos ser uma equipa imbatível, tanto é que só perdemos dois jogos no campeonato. Foi um grupo que trabalhava a sério, treinávamos três vezes por semana. Não faltavam a nenhum treino, só no caso de terem que estudar, pois os estudos estão em primeiro lugar, e parecendo que não a nossa equipa fisicamente, estava muito bem.
E.B. - No início da época pensava conseguir este resultado final?
D.M. - No inicio é sempre complicado. Trabalhar com miúdos é diferente, eles têm maneiras diferentes de pensar as coisas, mentalidades diferentes. Mas como éramos muitos unidos e como já trabalhávamos hà vários anos juntos, fomos evoluindo e com as vitórias a surgir, a motivação também aumentava e como tal começamos a dada altura a pensar nisso.
E.B. - A equipa demonstrou tudo aquilo que pretendia para esta época?
D.M. – Não. Acho que a equipa cresceu e vai crescer mais, temos jogadores com bastante qualidade, pretendidos já por clubes da 1º Divisão das camadas jovens e outros. Mas estes miúdos, se continuarem a trabalhar e a serem humildes, com o instinto guerreiro que têm tido, poderão ir longe. Para atingir metas é preciso saber formar os miúdos, não só para ganhar, mas também para perder, mas não perder sempre, porque aí os jogadores começam a desmotivar.
E.B. - Na recta final da época em algum momento pensou que poderiam não serem campeões?
D.M. – Não. Eu acho que depois da vitória difícil que tivemos frente ao Stª Eulália, com a chamada de um jogador muito influente aos seniores, o Bruno, na segunda volta, mas com a vitória por 2-1, a equipa praticamente não vacilou. O jogo em atraso que tínhamos da primeira volta com o Sandinenses, que realizamos no Sábado de Páscoa, ganhando, a equipa viu e sentiu que poderia ser campeã.
E.B. - Há algum jogador que pode evoluir para níveis mais elevados?
D.M. - Acho que sim. Não digo só um, mas um, todos o conhecem. É o Bruno, que fez bons jogos e foi chamado aos seniores. Mas há mais 3 ou 4 miúdos, ou até mais, que tem qualidade para ir longe no futebol. Para isso têm que continuar a trabalhar e a ser humildes. E como já tinha dito alguns miúdos vão fazer treinos em equipas de 1º e 2º divisões, para ver se ficam, pois andaram muitos olheiros a ver esta equipa.
E.B. - Para o ano continuará como treinador, com estes jovens e na 1º Divisão?
D.M. - Isso é uma incógnita. O campeonato só agora terminou. Isto do futebol, é imprevisível e ingrato. Para além de gostar muito do Atlético, isto aqui é muito complicado, pois a equipa olha mais para os seniores do que para as camadas jovens, não dando condições. Este ano melhoraram um pouco, na questão de bolas. Já em relação ao Campo de Outeiro, temos que agradecer aos senhores Zeca Barros e Manuel Barros, duas pessoas espectaculares, que nos aturaram e ajudaram, em tudo o que puderam.
E.B. - O que espera do Clube para que o sucesso alcançado se mantenha?
D.M. - Para isso o Clube tem que trabalhar. Tentar com que os cabeceirenses ajudem esta direcção e este miúdos, dando-lhes condições e acarinhando-os, porque se não o fizerem, os miúdos podem virar-se para outros vícios dos tempos modernos.
E.B. - Se continuar, como acha que irá ser a próxima época no escalão superior?
D.M. - Se for nos Juniores terei alguns jogadores que irão subir dos juvenis. Mas os juniores, com os que ficam, têm condições para fazer uma boa época e até pensarem em subir de escalão, para a 1º Divisão, com uns pequenos retoques. Mas a maioria dos juvenis também terão de subir ficando metade da equipa, que ainda terão idade de juvenis.
E.B. - Gostava de agradecer ou dedicar a alguém este troféu?
D.M. - Primeiro e antes de mais nada, queria agradecer publicamente ao meu adjunto, Augusto Mendes, que foi uma pessoa que trabalhou bastante comigo, e que me ajudou durante a época toda. Este título vou dedica-lo a todos os cabeceirenses e a todos os que nos acompanharam, nesta caminhada, principalmente à minha família em geral e sobretudo à minha mulher, pois tive de os deixar para segundo plano, muitas vezes por causa dos treinos, não lhes dando tanta atenção, como deveria dar.

Por: Manuel Magalhães

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