Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 08-06-2009

SECÇÃO: Cultura

…UM COMPOSITOR

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Hector Berlioz

Berlioz nasceu a 11 de Dezembro de 1803 em Côte-Saint-André, na França. O seu pai Louis Berlioz, médico de profissão fez uma carreira brilhante e queria que o seu filho abraçasse a Medicina. Por isso a partir de 1811 encarregou-se da educação do filho.
Mas isto não deu resultado.
Insatisfeito com a escola de Medicina desistiu do curso e foi rapidamente estudar música. Inscreveu-se no Conservatório de Paris e estudou composição.
Rapidamente se identificou com o movimento romântico francês, tornando-se amigo de Alexandre Dumas e de Victor Hugo.
Teve uma grande paixão amorosa pela actriz Henrietta Constance Smithson. O compositor viu a cantora no palco a interpretar Ofélia na famosa obra Hamelet de William Shakespeare. Rapidamente imaginou ter encontrado ali o amor da sua vida. Segundo reza a história apaixonou-se duplamente, isto é apaixonou-se por Harriet e por Hamelet. Passando à prática Berlioz decidiu casar com Harriet Smithson na igreja e com a obra de Shakespeare na música!
Inicialmente Harriet desprezou o pedido de casamento. Em vão.
Só após ter sofrido um acidente, onde fracturou uma perna e ter sido alvo de uma campanha de solidariedade organizada pelo compositor a cantora cedeu.
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Harriet e Berlioz casaram e tiveram um filho, Louis. No entanto esta ligação amorosa foi de pouca duração. A vida conjugal foi abaulada por infidelidades da parte de Harriet e a situação financeira familiar começou a tornar-se muito precária. Estes dois factores desencadearam a separação ao fim de um ano.
Berlioz sofreu uma grande desilusão, mas no entanto a mesma serviu de inspiração para a composição da Sinfonia Fantástica em 1830. Com esta obra Berlioz ganhou o Prix de Rome. No entanto o casamento com Shakespeare foi mais duradouro. Em 1839 transformou de Shakespeare, Romeu Julieta em sinfonia e em 1860, baseado em Muito barulho por nada, comporia a ópera Béatrice et Bénédict.
Depois deste casamento falhado Berlioz casa com a cantora espanhola Marie Recio. A cantora limitada no seu talento ficou no entanto mais conhecida pelas amarguras que causou ao malogrado compositor. O segundo casamento findou em 1862 quando a esposa faleceu, vítima de um ataque cardíaco. Ao fim de cinco anos morre de febre-amarela o único filho do casal, Louis.
Berlioz deixou escrito nas suas memórias:
“Tenho certeza de que conseguirei me destacar com a música. Quero ser alguém, deixar na Terra rastos da minha existência”.
A sorte não a acompanhava. Compôs A Danação de Fausto, versão musical de Fausto mas o público não correspondeu com a sua presença no teatro.
Tornou-se regente de orquestra na Alemanha e depois partiu para a Rússia onde conheceu o “Grupo dos Cincos”, que reunia os principais compositores do romantismo musical russo.
Berlioz foi mais famoso como regente de orquestra do que como compositor. Ficou conhecido pelas suas composições Sinfonia Fantástica e Grande Missa dos Mortos (Requiem).
Sexagenário, viúvo, sem o reconhecimento público, cheio de dívidas e com uma saúde precária, Berlioz passou os últimos dias da sua vida numa completa solidão.
Hector Berlioz faleceu a 8 de Março de 1869 e está sepultado em Paris no cemitério de Montmarte, com as duas esposas, Harriet Smithson (falecida em 1854) e Marie Recio (falecida em 1862)

OBRAS-PRIMAS

1830 Sinfonia Fantástica
1837 Grande Messe des Morts
1839 Romeu e Julieta
1842 La mort d‘Ophélie
1845 A Danação de Fausto
1855 Te Deum

Foi uma tarefa fácil seleccionar uma obra musical que representasse o compositor Hector Berlioz. A selecção caiu logicamente na Sinfonia Fantástica.
A Sinfonia Fantástica é o tipo de obra que faz parte de qualquer discoteca básica, porque de facto contem todos os ingredientes que agrada um público mais vasto: os momentos de grande beleza e lirismo do 1º e 3º andamentos; a sumptuosidade e o ritmo ternário da valsa no 2º andamento e a tensão dramática e espectacularidade sonora dos 4º e 5º andamentos.
Trata-se de uma obra musical mais próxima de um poema sinfónico do que de uma sinfonia tradicional. A Fantástica é um exemplo completo de música de programa: evocações sonoras contanto ou ilustrando uma história.
A Sinfonia Fantástica de Berlioz é o grande momento musical do romantismo da era pós-napoleónica e utiliza uma linguagem essencialmente descritiva para narrar um “Episódio da Vida de um Artista”.
O “episódio”, narrado por meios instrumentais é o seguinte:
1ª Parte: Sonhos – Paixões
Apresenta um jovem músico (o próprio autor, pois trata-se de uma obra autobiográfica) apaixonado para quem a amada evoca um tema musical (chamado por ele de idée fixe). O seu amor não é correspondido, o que cria a tensão dramática da obra.
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2ª Parte: O baile
O rapaz vê a sua amada a dançar com outros homens numa festa.
3ª Parte: Cena no campo
É uma metáfora pastoral (influência da sexta Sinfonia de Beethoven?), na qual o clima espelha os sentimentos do protagonista, que tem confiança na conquista da amada. Mas a tempestade aproxima-se como um mau augúrio ….
4ª Parte: Marcha para o cadafalso
O jovem convence-se que o seu amor não é correspondido e então tenta o suicídio com ópio. A dose da droga não é a necessária para o efeito e então o jovem entra num “viagem” em que ele é testemunha da sua própria execução, a que fora condenado pela morte da mulher que ama.
5ª Parte: A dança das bruxas
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O jovem encontra-se no meio de um ritual orgíaco, acompanhado por bruxas e da mulher que ama. A imagem melódica surge distorcida de uma forma grotesca e a música acaba num final apoteótico, mas no espaço do fantástico.

A Sinfonia Fantástica foi apresentada ao público pela primeira vez no dia 5 de Dezembro de 1830 em Paris.

Existem no mercado discográfico muitas versões disponíveis
A

Reference Recordings – RR11
(CD)
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B
BMG Living Stereo – 82876678992
(SACD)

C
DG – E4534322
(CD)

As minhas preferidas são as duas primeiras, no entanto são muito difíceis de se encontrarem disponíveis no mercado discográfico português. No entanto podem tentar a Internet.
A versão C da DG é uma boa opção.

Por: Maia Ramos

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