Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 27-04-2009

SECÇÃO: Opinião

Notícias de Mondim

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Eram 11 horas da manhã do dia 25 de Abril de 1 974, quando pela rádio tomei conhecimento da revolução.
Levantei-me mais tarde nesse dia, porque tinha feito uma viagem ao nordeste trasmontano e cheguei a casa muito tarde e, não me apercebi do que se estava a passar.
Uma vez na rua, o meu contentamento foi enorme e tratei de imediato reunir com alguns democratas locais, cuja filiação partidária era do MDP/CDE, partido que na clandestinidade lutava e apoiava aqueles que sempre estiveram ao lado do povo e contra o Estado Novo.
Lembro-me do grande entusiasmo e euforia que colocamos na preparação do “1.º de Maio” em liberdade.
Foi um dia de festa memorável e inesquecível, com o povo da vila a aderir em massa às solenidades do “Dia do Trabalhador”.
Até os que não acreditavam no que estava a acontecer, se juntaram à festa, curiosos e de ar comprometido, mas aderiram.
Fez pena, ouvir alguns comentários miserabilistas de “velhos do Restelo”, a tentar lavar o passado, como se a culpa lhes não pertencesse...!
Enfim... foi assim por todo o País.
Hoje, verificamos que a revolução está de novo a ficar doente, porque os inconformados do passado, ainda têm muita força.
Direi mais...os sobreviventes do passado, actuam hoje, como se vivessem ainda, no antes 25 de Abril.
O capital, tomou conta da economia, o desemprego e a carestia de vida avançaram, dando lugar à fome e à desilusão.
Durante estes anos todos e já lá vão 35, continua o nosso povo a ser martirizado com a falta de emprego, com a saúde cada vez mais doente e a precaridade sempre a aumentar.
As pequenas e médias empresas, fecham as portas sem condições de poderem sobreviver. Porém, o nosso governo gasta milhões para proteger as grandes superfícies e a banca falida, com estes a negar o crédito a quem dele mais precisa.
O futuro dos Portugueses é cada vez mais, uma incógnita.
Só uma grande fé na nossa juventude, nos pode levar a bom porto e evitar piores consequências no emprego e no trabalho. Mas para tanto, é necessário um esclarecimento alargado a todos os campos de actividade e aos próprios partidos, que na rua como em 1 974, possam dar voz ao descontentamento e à indignação; e não permitir mais, o avanço da reacção que sempre foi o prato forte daqueles que nunca desejaram a democracia.

Por: José Teixeira da Silva

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