Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 16-03-2009

SECÇÃO: Opinião

Cartas ao Director

Ex.ma Senhora Dona Benvinda

Fico-vos muito grato pela inserção do meu postal de Boas Festas que vos enviei e a todos que trabalham nessa casa. Minha Senhora, todos os anos, não me esquece dos meus amigos que por aí ainda tenho e ainda aos embaixadores da nossa terra que são o Ecos de Basto e da minha querida Banda de música da qual fiz parte desde os onze anos até aos vinte e dois.
Aos dezasseis, fui o primeiro ardina do Jornal de Cabeceiras, cujo Director era José Salreta, natural de Alcântara aqui em Lisboa.
O povo chamava-lhe então a folha de couve por ter só uma folha. Quando da sua morte, passou a ser o Advogado do Dr. Sousa Lobo, depois Mário Campilho Gonçalves Pereira.
Em seguida o Professor Alexandre Vaz, depois ainda Gaspar Miranda Teixeira, a seguir, eclipsousse. Foi então que um punhado de Bairristas amantes da Cultura, fundaram Ecos de Basto, do qual somos assinantes desde a primeira tiragem.
Fomos assinantes do Fórum Cabeceirense que também se sumiu. Agora também assino o Boletim Informativo de Cavez, o BIC, onde escrevo algumas coisas. Se mais houvesse mais assinava porque amo a Cultura e principalmente o que engrandeça a minha querida terra a quem amo também.
Ainda há pouco tempo, enviei para a Biblioteca de Cabeceiras quatrocentos livros de grandes Escritores tanto Nacionais como estrangeiros tudo o que era bom. Também li obras a quem chamávamos, porém, em todos eles aprendemos qualquer coisa, depois escolhemos o caminho do meio como nos ensinou o Papa João XXIII.
Os do meio olham para a esquerda e para a direita ao passo que o da esquerda não olha para a direita e vice-versa. Somos um auto-didacta pois só temos o exame da quarta classe na Escola do Campo do Seco. Foram meus Mestres, Celestino Ceara e Samuel Augusto Viana. Até aí andei sempre desclaço.
Em antes de entrar nas aulas, já tinha ido arranjar lenha no monte da Ranha para a minha avozinha fazer o caldo. Eram tempos difíceis!
Mesmo assim, aprendi a saber o que é mau e a ser feliz! Agradeço uma e outra coisa a Deus, só assim se dá valor à vida.
Lutei sozinho mas venci. As horas de lazer empreguei-as a ler e a escrever, sou um louco pela leitura, assim, com os grandes Mestres da literatura aprendi a escrever uns livrecos.
Tenho alguns livros de poesia, quatro Romances, contos infantis e para adultos, assuntos Bíblicos, pois aprendi com Teólogos e livros adicionais.
Depois de conhecer os símbolos fiquei a saber manejar a Bíblia a palavra de Deus. Aprendi Mitologia para saber ler Camões, Bocage, Virgílio, Homero e Dante.
Teria muito a contar-vos Ex.ma Senhora Dona Benvinda, quero pedir-vos paciência e que me perdoeis o meu desabafo. Tudo o que podia dizer em meia dúzia de palavras estendi esta lenga lenga para vos pedir se num cantinho do Jornal que tão bem dirige, não caberia de quando em vez um pobre escrito meu, que não envergonhe tanto a mim, como ao Ecos de Basto.
Conheço as minhas limitações.
Tudo quanto tenho escrito, nada está publicado, porque os Editores querem editar Escritores consagrados, sabendo que farão grandes tiragens e assim usufruirão lucros certos.
Escrevi no Fórum, agora no BIC, faltando-me escrever em o Ecos de Basto.
Despeço-me com amizade para todos vós e os meus sinceros cumprimentos para Vossa Senhoria Dona Benvinda T. Magalhães. Sou o vosso conterrâneo amigo e assinante que lhe deseja paz, alegria, amor e a Graça de Deus.

Jaime Sousa e Silva

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