Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 23-02-2009

SECÇÃO: Informação

Cabeceiras de Basto aposta na valorização do Corço

Cabeceiras de Basto foi o primeiro Município do Norte do país a aderir ao projecto de valorização do Corço, um importante recurso natural que encontra habitat na Serra da Cabreira e no qual a Autarquia está empenhada na gestão sustentada e na exploração cinegética da espécie.
Sob a orientação técnica do Dr. Carlos Fonseca, Professor da Universidade de Aveiro, mais propriamente do Departamento de Biologia – Centro de Estudos do Ambiente e do Mar, vários membros do Conselho Cinegético e da Comissão Municipal de Defesa da Floresta Contra Incêndios, autarcas e técnicos, participaram no dia 14 de Fevereiro, na apresentação do projecto CORÇO.

Estudar os movimentos do corço
Estudar os movimentos do corço
Uma iniciativa que teve lugar na Casa Municipal da Cultura, local onde foi feita a explanação deste programa, ao qual Cabeceiras de Basto foi o primeiro município do Norte do país a aderir e que tem subjacente uma estratégia que visa a gestão sustentada deste importante recurso natural, que poderá vir a ser explorado cinegeticamente a médio-longo prazo, com toda a base técnico-científica e que agora se vai iniciar com a participação das entidades gestoras, sob a coordenação da equipa da Universidade de Aveiro.
Na ocasião, o edil Cabeceirense, Engº Joaquim Barreto, manifestou a sua satisfação por ter aderido a este projecto que permite estudar o Corço, animal que encontra na Serra da Cabreira um excelente habitat, permitindo assim, compreender melhor os seus movimentos, a sua propagação e a forma como se desenvolve esta espécie.
De referir que as populações naturais de corço (Capreolus capreolus) em Portugal estão limitadas ao norte do rio Douro, enquanto que no resto do país, as populações mais recentes deste cervídeo surgiram através de processos de reintrodução, com objectivos conservacionistas e/ou cinegéticos.
Os participantes nesta jornada visitaram vários locais da Cabreira
Os participantes nesta jornada visitaram vários locais da Cabreira
Contudo, apesar do seu elevado interesse e potencial económico e cinegético, a sua exploração sustentada é ainda residual no nosso país, uma vez que há também um grande desconhecimento das populações de Corço, nomeadamente das suas densidades e da sustentabilidade de uma exploração cinegética, especialmente a Norte do Rio Douro.

Monitoirzar as populações de Corço


Como tal, é fundamental implementar programas de monitorização das populações de Corço no Norte de Portugal, através da criação de uma rede de recolha, tratamento e divulgação de informação relativa ao estado das suas populações, com o objectivo da conservação, fomento e exploração cinegética das mesmas, integradas num futuro Plano Global de Gestão.
Além da apresentação genérica deste projecto, a jornada integrou ainda, a visita ao terreno, onde participaram técnicos locais, da DRAPN – Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Norte, estudiosos da UTAD – Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e Universidade de Aveiro, bem como elementos do Conselho Municipal Cinegético e Comissão de Defesa da Floresta Contra Incêndios de Cabeceiras de Basto, que desta forma ficaram a conhecer os métodos a utilizar neste projecto e a sua aplicabilidade no terreno. Uma vez na Cabreira, foi ainda distribuido um KIT (fita métrica, bússula e ficha de campo), às Associativas para que na Primavera e no Outono possam ser feitos os respectivos levantamentos de dados de acordo com as indicações técnicas. Esta foi sobretudo uma jornada de formação que registou o agrado dos presentes que desta forma ficaram a conhecer um pouco mais sobre este animal e as suas potencialidades cinegéticas.
De referir ainda que esta zona – Minho/Trás-os-Montes - é um dos últimos refúgios desta espécie em Portugal. Ainda que muito comum no resto da Europa, o Corço apresenta-se com uma côr de pelo que varia entre o castanho-acizentado no Inverno e castanho-avermelhado no Verão. Este cervídeo é herbívoro e alimenta-se de espécies arbustivas, como as silvas, gramíneas e vegetação herbácea. No seu estado selvagem este animal chega a viver 15 anos, alcançando as fémeas mais tempo de vida.

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