Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 23-02-2009

SECÇÃO: Opinião

VANTAGENS COMPARATIVAS (100)

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A MINHA CENTÉSIMA CRÓNICA

Passaram-se, muito depressa, mais de dez anos. Foi em Setembro de 1998 que eu, receoso, enviei para o jornal o meu primeiro texto. Vi-o publicado e arrisquei o envio de um segundo que igualmente saiu na edição seguinte.
Naquele entretanto, o então Director do Jornal, o saudoso Carvalho, António Francisco Teixeira de Carvalho, disse-me: «você podia escrever este tipo de textos com periodicidade regular…», ao que eu, na ocasião, respondi: «aí uma meia dúzia deles ainda seria capaz, mas, e depois… acabar-se-me-ia o assunto e ficaria pelo caminho…», «assunto é coisa que não lhe faltará…», concluiu o Senhor Carvalho.
Em boa verdade, parece que assim tem sucedido. Sem quase ter dado por ela, já por aqui passaram noventa e nova textos a que, em devido tempo, passei a tratar por crónicas.
Agora, neste preciso instante, cheguei à crónica número cem. Como se trata de um número que reputo de alguma magia, gostava que esta fosse uma daquelas crónicas impares, raras, estrondosas, coisa nunca vista em lado algum. Porém, concluo, sem qualquer dúvida, pela minha real impotência para tais feitos espectaculares. Não me sai nada. Estou perante uma inqualificável branca. Não uma branca pequenina como aquela que, há uns vinte anos atrás, num pequeno escritório de Lisboa, recebia dinheiro em depósito e pagava dez por cento ao mês. Também não estou perante uma branca muito grande, enorme, como aquelas do subprime, que, há poucos meses, ainda no ano transacto, actuavam nos mercados financeiros de Nova Iorque e de Londres e que levaram o mundo inteiro à quase falência.
Esta minha branca é uma branca de imaginação. De facto, não consigo dizer nada de novo, e, muito menos, de espectacular. Perante tal desconforto, decidi-me por uma solução que, quem sabe, até poderá vir a ser um êxito. Para completar o espaço que falta desta minha centésima crónica, decidi pegar em todas as anteriores, atirar com elas ao ar e seleccionar (escolher) umas quantas, à sorte. Dessas seleccionei (também) um parágrafo de cada uma, e o resultado foi (é) o que se segue:

«… O médico, sem hesitar, dirige-se à sua escrivaninha e anota na sebenta: para extrair espinhas encravadas na garganta, derrama-se água a ferver sobre os testículos do doente.»
(in Crónica n.º 2 – “A Sebenta”)

«… É que os deuses parecem estar com os touros de Barrancos. Eu aplaudo.»
(in Crónica n.º 7 – “Barrancos e os Deuses”)

«… Contudo, trabalhou muito naquilo que sabia fazer. Morreu com a bela idade de 87 anos. Teve um funeral condigno. Agora, que haja alguém que lhe zele pela tumba.»
(in Crónica n.º 15 – “O Militar”)

«… A economia não será nunca nem nova nem velha, será apenas a Economia, a ciência, ou mais correctamente o ramo da ciência que estuda a afectação de recursos escassos a fins múltiplos e alternativos. A Nova Economia não existe.»
(in Crónica n.º 18 – A Nova Economia”)

«… Acedeu a continuar ali, e que esperaria por mim, todas as noites, debruçada sobre o passadiço, onde emboca a levada que leva a água até aos moinhos das Pondres.»
(in Crónica n.º 26 – “A Sereia do Poço do Frade”)

«… Desculpem. Na verdade estou muito nervoso. No meu próximo texto referir-me-ei a coisas bem mais interessantes. Vou escrever sobre os montes e os pastos de Maçã.»
(in Crónica n.º 30 – “Cifrado, Zipado e Pdfado”)

«…Apelo, pois, aos da Benta, aos do Correia, aos do Carvalho, aos de Baixo e aos de Cima, para que se unam na constituição de uma associação para defesa do seu Pico. Não deixem, por favor, arrasar o Pico do Monte de Porto d’Olho.»
(in Crónica n.º 33 – “Andam a arrasar os Picos dos Montes da nossa Região”)

«… Lembrem-se do que aconteceu no Vietname nos anos setenta, e na URSS nos anos noventa, do século passado. Esperem pelos anos dez do actual século.»
(in Crónica n.º 40 – “A Causa Árabe”)

«… Na minha muito modesta opinião, a solução para o nosso problema não está em aumentar as exportações, pela simples razão de que tal é de todo impossível. A solução estará, isso sim, em promover a substituição de importações. Temos que retomar a produção de tudo aquilo que hoje estamos a importar e que muito bem podemos produzir cá dentro.»
(in Crónica n.º 48 – “Exportar… O quê e para onde”)

«… Eu próprio já tentei verificar no local, e, de facto, ali junto aos moinhos da Ponte de Pé, e por baixo da nova ponte que fica a jusante da antiga, nota-se perfeitamente o rasto do animal se ter movimentado por ali.»
(in Crónica n.º 52 – “A Jibóia da Barragem da Freita”)

«… Vem tudo do meu avô materno, o pai da minha mãe chamava-se Óscar Alho… Como? Óscar Alho, o meu avô materno, o pai da minha mãe chamava-se Óscar Alho.»
(in Crónica n.º 64 – “O Pescador Zeferino”)

Por: José Costa Oliveira

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