Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 02-02-2009

SECÇÃO: Informação

Arquitecto Nuno Portas falou sobre «O Desenvolvimento nos meios rurais/urbanos»

O Auditório Municipal de Cabeceiras de Basto encheu no dia 30 de Janeiro, para ouvir falar o Arquitecto Nuno Portas sobre o tema «O desenvolvimento nos meios rurais/urbanos».
Uma sessão – a 24ª - inserida na iniciativa Ciclo de Conferências «Políticas de Futuro» que o Municípo Cabeceirense promove desde 2006. Formar, sensibilizar e informar os cidadãos sobre os mais diversos temas, seja relacionados com o turismo, o lazer, o ambiente, a saúde, a solidariedade, entre outros, proporcionando-lhes um espaço aberto de debate, partilha de ideias e conhecimentos, são alguns dos objectivos inerentes à realização destas conferências que mensalmente atraem numeroso público, provindo não só do concelho, como de outras terras limítrofes, dada a importância e pertinência dos temas selecionados, assim como a qualidade dos oradores convidados.
Assim, após a abertura desta sessão efectuada pelo vereador Dr. Jorge Machado, encarregue de fazer o enquadramento do tema desta conferência, o Presidente da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto, Engº Joaquim Barreto, agradeceu a presença do orador convidado, bem como a sua disponibilidade para de novo se deslocar a Cabeceiras de Basto para a realização desta iniciativa, que esteve anteriormente agendada para o dia 23 de Janeiro, mas que foi adiada devido ao mau tempo que se fez sentir no fim-de-semana passado. Na ocasião, o edil, procedeu à apresentação do Arquitecto Nuno Portas, pessoa altamente qualificada, de mérito reconhecido no país e no estrangeiro.

O território e o limite das cidades

Uma vez na posse da palavra, o Arquitecto Nuno Portas, começou por dizer que conhece o território do Minho, que considerou ser um território com uma especificidade quase única na Europa, balizado entre o Atlântico e a Serra e que assume características rurais e urbanas. Um território «esquisito» que reflecte uma mescla de cidade e campo mas cujo comportamento de quem o habita é culturalmente cada vez mais parecido. Trata-se por isso, de um terreno difuso, cujas características, até do ponto de vista ecológico tornam o território ambíguo.
Na sua intervenção o Arquitecto Nuno Portas fez uma abordagem aos limites das cidades, hoje designadas por extensivas e em permanente mutação, mas também falou de Cabeceiras de Basto, como uma terra cujo urbanismo resulta de uma confluência antiga com o Rio Tâmega e actual com a auto-estrada. Adiantou ainda que não é uma área metropolitana, mas integra uma rede, um sistema que funciona de forma diferente. Há uma maior mobilidade das pessoas e serviços. À medida que as viagens se fazem com mais facilidade, também as pessoas se aproximam mais facilmente das zonas desertificadas atenuando as dificuldades. O mapa estreitou-se. Hoje as distâncias contam-se em tempo, aproximando cidades que estavam longe. Este novo paradigma «obriga» a que se preparem as cidades de forma a que as pessoas vivam bem em qualquer sítio. A cidade deixou de ser isolada, para integrar uma rede, mas cuja preponderência é maior quanto maior for a diferença que a distingue das outras. A competitividade passa por saber alcançar o que os outros também têm, mas preservar aquilo que os outro não possuem, ou seja, a sua genuinidade. O orador considerou que já não há limitações. Há uma geografia variável. Neste âmbito a aposta para o desenvolvimento passa pelo emprego sustentável e pela fixação das pessoas.

Quatro receitas urbanísticas

A este propósito, o palestrante deixou quatro receitas urbanísticas: assim, perante um território difuso, realçou a necessidade de ligar em vez de estender, melhorando as redes já existentes por forma a atenuar os gastos, nomeadamnete com a energia; Em vez de distanciar é importante policentrar, nomeadamente ao nivel dos equipamentos, numa lógica de quanto mais equilibrados os centros melhor; Colmatar as vias e transformá-las em ruas, já que uma vez dotadas de infra-estruturas, estas devem ser aproveitadas, ou seja colmatar redes; necessidade de aproveitar as vantagens locativas e contribuir para fixar as pessoas.
Acrecentou ainda que há vantagens de sustentabilidade nestas terras. Por isso, é necessário reflectir onde e como as pessoas vivem melhor e as condições que se criam para as fixar, sobretudo os mais jovens.
Interpelado pelo público presente, o Arquitecto Nuno Portas aflorou ainda temas como a desertificação humana no mundo rural, as aldeias isoladas, a qualificação dos espaços, os produtos locais e o seu contributo no desenvolvimento da terra, bem como a mobilidade e a difusão de equipamentos culturaiscomo impulsionadores de novas oportunidades sócio económicas.
Por fim, o Arquitecto Nuno Portas que considerou que a ruralidade em Cabeceiras de Basto não é um handicap, terminou realçando a importância de investir na imaginação, criar atractividade tendo em vista trazer e fixar as pessoas e consequentemente contribuir para o desenvimento do bem estar de quem aqui se desloca e/ou permanece.

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