Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 02-02-2009

SECÇÃO: Opinião

ELA

O vento sopra de Norte, a chuva ameaça cair
Esta vontade louca de lhe falar, de a ouvir
A aldeia está deserta, não tenho com quem falar
Os lugares são os mesmos, sem ela não são iguais
As portas estão fechadas, vejo sombras, nada mais
Cai a chuva, cai a noite, não a consigo encontrar

Ao aurorecer avistei-a quando vinha
Sempre bela, suave como voo d’andorinha
Em si, tudo me atrai como outrora
Tristonha, porventura infeliz no seu desejo
Sempre lembro aquele escondido e envergonhado beijo
Que em mim ficou e jamais se foi embora

Por vezes, sem que saiba, sigo seus passos
Ao vê-la recordo dessa paixão alguns pedaços
Que o tempo lentamente vai engolindo
Alucina-me ainda a graça distinta do seu porte
Esbelta, silenciosa e serena como a morte
Quando passa corada, tímida, quase sorrindo

Penso nela, fico tempo infindo a imaginar
Não me canso nunca de a ver e contemplar
Passa sozinha, não lhe posso dar a mão
A beleza do seu rosto, dos seus seios me fascina
O charme, a voz meiga, doce e feminina
Me deixa louco, sem rumo, sem direcção

O seu jeito, o seu olhar cândido e inocente
Este meu sofrimento insone e permanente
O seu corpo coberto com manto de beleza e de mistério
O seu perfume de mimosa florida na Primavera
No meu imaginário, ela um dia ainda me espera
Talvez nas pedras frias e desvanecidas do cemitério

Fernando Carvalho

© 2005 Jornal Ecos de Basto - Produzido por ardina.com, um produto da Dom Digital. Comentários sobre o site: webmaster@domdigital.pt.