Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 02-02-2009

SECÇÃO: Opinião

A NOVA FACE DE CABECEIRAS DE BASTO

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Algum tempo depois de ter regressado de Moçambique, fui colocado pelo então Quadro Geral de Adidos na Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto, sem qualquer encargo salarial para a Câmara.
Foi-me atribuída a função de encarregado geral, função esta um pouco de acordo com o que fazia lá fora. Acontece que o país vivia ainda no rescaldo da revolução do 25 de Abril. Tudo era ainda muito confuso e a democracia tardava a ser consolidada…Os reflexos de tal situação sentiam-se profundamente nos concelhos rurais, as Câmaras não tinham dinheiro e a de Cabeceiras não fugia à regra embora a vontade dos seus representantes fosse muita o certo é que o dinheiro é a principal alavanca do progresso.
Começo por referir o factor viaturas. A única que ao tempo existia era um velho Dumper que fazia a recolha do lixo e todos os outros trabalhos com excepção do carrinho de mão do jardineiro.
Logo que as condições o permitiram foi comprada uma carrinha 4 L e uma motorizada para mim, mas acontece que a carrinha sendo a viatura presidencial era simultaneamente também viatura de trabalho dado que cheguei a ir trabalhar para Gondiães com sete ou oito trabalhadores dentro da mesma e as respectivas ferramentas.
O ambiente de trabalho era excelente deste o Presidente aos funcionários administrativos até ao trabalhador menos qualificado. Como é evidente só faltava o dinheiro!...
As aldeias distantes viviam muito isoladas, os acessos eram apenas caminhos mal conservados que davam dores de cabeça especialmente no Inverno e até os taxistas por vezes se recusavam a aceitar fretes. Contudo ainda se fizeram algumas obras, tais como;
O abastecimento a de água através de fontanários ao Alto do Monte, Sobreira e Calvelos.
A substituição da conduta de água da Sra. De Orada, os sanitários públicos o empedramento do campo do seco a abertura da avenida na quinta do mosteiro e obviamente outras.
Depois de ter trabalhado com dois Presidentes e achando-me contente resolvi ir residir para o Porto por razões de meu interesse e por lá me fixei durante dez anos.
Até que um dia fui convidado por alguém que fisicamente já não está entre nós a voltar a ocupar o lugar que tinha antes. Como se tratava de voltar à minha terra aceitei, mas logo verifiquei que voltar à Câmara de Cabeceiras tinha sido um logro.
Vim encontrar o concelho mergulhado na desorganização e parado no tempo, pouco se tinha feito e as carências eram mais que muitas, mas politicamente muito activo e as duas forças politicas mais representativas olhavam-se por cima da burra, em cada canto havia um politiqueiro.
Para mim tornou-se muito difícil trabalhar com as condições que tinha, não havia dinheiro para mandar "cantar um cego" e nas pequenas obras que se faziam utilizavam-se materiais rascas. Era o saibro de Alvite a areia da Borralha e a pedra da Baldosa. Havia ordens e contra ordens e pouco valor se dava a quem produzia trabalho ao contrário daqueles que diariamente infestavam os corredores da Câmara. Qualquer Manelzinho se arrogava no direito de interferir nos trabalhos e nos trabalhadores camarários.
Felizmente para mim, saí ao fim de um ano mas nunca deixei de acompanhar a trajectória do concelho no que concerne ao seu desenvolvimento.
Cabeceiras esteve ostracizado durante oito anos até que surge um acto eleitoral com um novo candidato, mas os velhos do Restelo ou defensores da estagnação logo se movimentaram em força no sentido de não permitir que o dito candidato viesse a sair victorioso e assim se perderam quatro anos devido ao querer absurdo de um punhado de anti-cabeceirenses.
Quatro anos depois há novamente eleições, os candidatos perfilam-se e o candidato anteriormente derrotado volta de novo à ribalta. Só que desta vez outros galos cantaram e de nada valeu as jogadas noturnas em véspera de eleições. O povo já mais maduro e politizado, cansado de tanta balela, conversas da treta e promessas da tanga, aposta forte na mudança fazendo ruir por completo a pirâmide dos protentosos sabichões e amantes do “deixa andar” e em tão boa hora o fez que logo sopraram os ventos que catapultaram o concelho na senda do progresso.
Com inteira justiça logo as povoações mais distantes viram chegar o alcatrão às suas aldeias terminando assim a angústia do isolamente.
Seguiu-se depois o aparecimento de grandes obras na parte baixa da vila. O Mercado Municipal com todas as suas valências. O Centro de Saúde, posteriormente ampliado. O quartel da G.N.R. A Central de Camionagem. A Piscina e o Pavilhão Gimnodesportivo. Em fase de construção um grande Centro Escolar e o Palácio da Justiça bem assim como as suas áreas envolventes.
O Campo do Seco foi substancialmente melhorado. Os Jardins transformados para melhor a casa da Cultura restaurada e também as Casas dos Magistrados que foram adquiridas pela Autarquia. Não esquecendo o parque do Mosteiro o arranjo da Ribeira e outras obras de menor dimensão.
Em vinha de mouros foi construído um Parque Cinegético, um parque de merendas, um mini-golf, um parque infantil e uma pista de manutenção. Mais acima um campo de jogos e mesmo ao lado, essa maravilhosa obra que é o Centro Hípico inteiramente dedicada ao cavalo esse animal tão nobre por quem tenho muito carinho desde que fui militar num esquadrão de cavalaria em Lourenço Marques. Na mesma zona foi também ampliado o cemitério.
Outra obra de grande dimensão foi a abertura da via circundante que vai da rotunda do Pinheiro até à Ponte de Pé incluindo uma ponte moderna sobre o rio Peio e ainda a abertura da Av. Cardeal António Ribeiro que entronca com a via rápida junto à rotunda dos Combatentes do Ultramar e mais recentemente a abertura duma rua que sai da Av. Francisco Sá Carneiro até à rua 25 de Abril.
O Município sempre atento à vida de todas as camadas sociais, melhorou as praias da Ponte da Ranha e do Poço dos Frades muito frequentadas no verão pela juventude. As festas do concelho têm tido muito brilho e óptimos programas. Foi criado um Auditório Municipal, um Posto de Atendimento ao Público e outro de Turismo.
Foram criadas Zonas de Lazer e Espaços Verdes sendo o jardim da Praça a sala dos nossos visitantes. A quadra natalícia é sempre lembrada através duma iluminação pública muito bonita. A iluminação pública está a ser melhorada com a substituição dos cabos aéreos por cabos subterrâneos. Foram surgindo algumas rotundas sendo a da Europa talvez a mais emblemática por ter as bandeiras de toda a União Europeia. Uma das obras mais recentes foi a criação do Museu de Arte Sacra na antiga sacristia do Mosteiro.
No aspecto social e cultural muito se tem feito, estando a Câmara Municipal sempre presente no apoio às Associações Recreativas, Culturais ou Desportivas.
Pode dizer-se que a chancela do Município está sempre ligada a tudo que traga bem estar ao povo cabeceirense não esquecendo as freguesias de quem falaremos mais tarde.
Há que salientar que no aspecto político o concelho está agora muito mais pacificado e as pessoas voltaram a ser amigas umas das outras tal como o foram no passado..
Continua

Por: Alexandre Teixeira

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