Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 12-01-2009

SECÇÃO: Opinião

OS LADRÕES E OS IDOSOS REFORMADOS

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Só vejo uma solução para evitar que os idosos reformados não sejam assaltados, é as pensões de reforma serem directamente depositadas na conta do ladrão.
A situação pessoal e social dos idosos reformados é talvez o problema mais preocupante a que assistimos hoje, porque de quando em quando são vítimas de roubo e espancamento. Tive conhecimento que a pequena criminalidade atrasava os grandes processos. Não posso estar mais de acordo. Com efeito, os nossos tribunais não podem andar a perder tempo com os processos de assaltos a bancos, em que os ladrões apenas levam uma parte absolutamente insignificante dos depósitos bancários, quando existem idosos reformados que são assaltados várias vezes por ano, em que os ladrões lhe levam, sistematicamente, todas as suas economias.
Vou dar um exemplo do meu conhecimento. Um idoso reformado foi assaltado três vezes pelo mesmo individuo e sempre da mesma forma. Como a casa é de telha vã, o jovem retirou umas telhas, introduziu-se na sua casa e assaltou-o. As três vezes foi apanhado pelas autoridades policiais, as três vezes foi presente ao juiz e as três vezes foi posto em liberdade, como manda o Código do Processo Penal.
Chegado o dia do julgamento, o idoso reformado teve que se deslocar ao tribunal com auxílio de uma bengala, porque a saúde assim o permitia, para cumprir o seu dever cívico de depor. Teve de enfrentar a fúria, os insultos e as contínuas ameaças da família e amigos do arguido, todos da mesma laia, sem que houvesse alguém que o protegesse. Apesar de bastante intimidado, o idoso lá acabou por depor, na esperança de que o criminoso, pelo menos, fosse obrigado a devolver-lhe o dinheiro que lhe roubou. Chegado o dia da sentença, foi uma autêntica festa no tribunal. Para o criminoso, respectiva família e amigos, bem entendido, que nunca acreditaram que ele ficasse em liberdade. Foi condenado com pena suspensa e a pagar ao reformado a quantia que lhe tinha roubado.
O reformado, no início, também ficou contente, até lhe explicarem que, apesar do criminoso ter sido condenado a indemnizá-lo da quantia que lhe roubara, ele nunca a iria receber, porque o criminoso, um jovem toxicodependente, não tinha quaisquer bens. “Então mas se ele foi condenado, o tribunal não o vai obrigar a pagar-me?” perguntou o idoso.
Perante tal situação o idoso, um docente aposentado, ficou revoltado e disse: o meu coração ficou ferido pela forma como a nossa justiça goza com as vítimas, proferindo sentenças que só servem para enfeitar, para gáudio dos criminosos e verdadeira humilhação das vítimas.
Como é que isto se resolve? Só vejo uma solução para evitar que os idosos reformados continuem a ser sistematicamente assaltados. A entidade pagadora ordenar que as pensões de reforma sejam directamente depositadas na conta do ladrão.

Por: Manuel Sousa

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