Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 12-01-2009

SECÇÃO: Cultura

……UM COMPOSITOR

foto
Sergei Prokofiev

Sergei Sergeievich Prokofiev nasceu no dia 23 de Abril de 1891na Ucrânia, mais propriamente na vila rural de Sontsovka. Na altura a Ucrânia fazia parte do Império Russo.
O seu pai, Sergei Alekseevitch era Engenheiro Agrónomo e a sua mãe, Maria Grigoreyna era Pianista. A família vivia com um certo desafogo económico, pois tratava-se de um agregado pequeno, visto Sergei Prokofiev ser filho único.
Prokofiev começou a demonstrar desde tenra idade os seus invulgares dotes musicais. Basta lembrar que com apenas 9 anos compôs a sua primeira ópera – O Gigante!
A mãe ao observar este excepcional dote musical do filho mandou-o estudar música para o Conservatório de São Petersburgo. Foi aí que conheceu o compositor russo Rimsky-Karsakov que se vai tornar o principal mentor da sua carreira. Neste momento já contava no seu curriculum duas óperas!
foto
Por ser o aluno mais jovem da sua classe, era visto pelos seus colegas como excêntrico e arrogante. Em 1908 estreou-se como pianista e no ano seguinte especializou-se na composição. Era visto com “enfante terrible”, uma imagem que ele próprio cultivava.
Em 1909 morreu o seu pai, o que lhe vai acarretar o fim do seu suporte financeiro. De qualquer modo Prokofiev já tinha uma certa reputação como compositor. Entretanto compôs os dois primeiros concertos para piano. Destes concertos resultou uma má fama como pianista pela linha nacionalista russa. Em 1913 viajou até Londres e depois até Paris. No ano seguinte terminou o curso do Conservatório em São Petersburgo com nota muito elevada e ganhou um prémio Rubenstein, o que lhe rendeu um piano.
De seguida regressou a Londres onde se relacionou com Igor Stravinsky.
Durante a Primeira Guerra Mundial regressou aos seus estudos musicais, agora para o estudo do órgão. Em 1915 é solicitado pelo Teatro Marvinsky para compor uma ópera. Prokofiev apresenta O Jogador, com base na obra homónima de Fiodor Dostoievsky. Devido à Revolução Russa de 1917 o compositor deixou o país e passa a viver a sua vida entre os Estados Unidos e a França.
Faz muito sucesso nos Estados Unidos e em 1917, como agradecimento à América resolveu completar a ópera O Amor das Três Laranjas.
Após a confirmação do seu êxito Prokofiev começa a dedicar-se mais às mulheres e a frequentar os cabarés da época, ganhando a fama de conquistador. Após um concerto em Nova York conhece a soprana de nacionalidade espanhola, Carolina Codina, mais conhecida por Lina Llubera com quem casa em Setembro de 1923 e de quem teve dois filhos.
Prokofiev começou a fazer apresentações por todo o mundo, nomeadamente pelo Japão, Cuba e Canadá. Compõe óperas, peças infantis, concertos, balés, bandas sonoras para o cinema e sinfonias.
Em 1936, mudou-se definitivamente para Moscovo com a sua família, mas no início dos anos 40 o regime comunista impede-o de sair do país. O regime estalinista começa a proibir o casamento de cidadãos russos com estrangeiros e por isso o seu casamento torna-se inválido.
Com o casamento desfeito Prokofiev casa novamente, mas desta vez com a poetisa Mira Mendelssohn. A censura do regime começa a tomar conta da classe artística e Prokofiev é denunciado por “formalismo burguês”. O compositor ainda tenta resistir, mas acaba por se retratar.
É nesta altura que compõe uma data de sinfonias patrióticas para agradar o regime político ditatorial. Dentro destas sinfonias é de destacar a Sétima Sinfonia (1951) que acaba por receber a título póstumo o Prémio Lenine.
Prokofiev morre subitamente, vítima de hemorragia cerebral a 5 de Março de 1953.

OBRAS-PRIMAS

Óperas

1917 O jogador
1921 O Amor das Três Laranjas
1923 O Anjo de Fogo
1940 Semyon Kotko
1943 Guerra e Paz
1948 História de um Homem Real

Trilhas Sonoras

1933 O Tenente Kijé
1938 Alexander Nevsky
1945 Ivan, o Terrível

Concertos

1911 Concerto para Piano nº 1
1917 Concerto para Piano nº 3

Sinfonias

1916 Sinfonia nº 1 (Sinfonia Clássica)
1925 Sinfonia nº 2, ré menor
1928 Sinfonia n.º 3, dó menor
1930 Sinfonia nº 4, dó maior
1944 Sinfonia nº 5, si bemol menor
1947 Sinfonia n.º 6, mi bemol maior
1951 Sinfonia nº 7, dó sustenido menor

Balés

1929 O Filho Pródigo
1936 Romeu e Julieta
1945 Cinderela

Outras composições

1936 Pedro e o Lobo

……UMA MÚSICA

Sem hesitar escolhi no vasto reportório de Prokofiev a obra “O Pedro e o Lobo”, só pelo simples facto de ser uma música dirigida às crianças.
Trata-se de uma história infantil contada através da música e tem como objectivo pedagógico mostrar as sonoridades dos vários instrumentos musicais. Para o efeito cada personagem da história é representado por um instrumento diferente:

·Passarinho —— Flauta
·Pato —— Oboé
·Gato —— Clarinete
·Avô —— Fagote
·Lobo —— 3 Trompas
·Caçadores —— Tímpano e Bombo
·Pedro —— instrumento de corda

Pedro é um menino que vive com o seu avô no jardim. Um dia o Pedro deixa a porta do seu quintal aberto e o pato foge em direcção à lagoa para tomar banho. Um passarinho observa o pato e uma pequena discussão surge entre eles (“Que tipo de pássaro és tu, se tu não podes voar? Que tipo de pássaro és tu, se tu não podes nadar?”
Entretanto surge o gato do Pedro e o passarinho voa para uma árvore alta. O rabugento do avô do Pedro traz o gato para o jardim e fecha a porta. Passados uns minutos sai do bosque um grande lobo. O gato apercebe-se e foge para uma árvore alta, mas o pato que tinha saída da lagoa é engolido pelo lobo.
Pedro vai buscar uma corda e pede ao passarinho para voar em volta da cabeça do lobo para o distrair e assim conseguir prende-lo pela cauda.
Os caçadores saem do bosque e começam a disparar sobre o lobo, mas Pedro trava-os. O lobo é então conduzido para o Jardim Zoológico. O pato com estava vivo no estômago do lobo e consegue sair pela boca.

Das obras discográficas editadas seleccionei as seguintes quatro:
A




DG – 0734267
(DVD Video)
foto






B



Naxos – 8554170
(CD)
foto




C



Decca – 4441042
foto
(CD)



D




DG – 4293962
foto
(CD)




Se tivesse que escolher uma só hipótese era capaz de optar pela gravação da Naxos (até é a gravação mais económica).

Por: Maia Ramos

© 2005 Jornal Ecos de Basto - Produzido por ardina.com, um produto da Dom Digital. Comentários sobre o site: webmaster@domdigital.pt.