Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 22-12-2008

SECÇÃO: Reportagem

No Mosteiro S. Miguel de Refojos Núcleo Museológico do Baixo Tâmega abriu ao público

Abriu ao público, no dia 20 de Dezembro, em Cabeceiras de Basto, o Núcleo Museológico do Baixo Tâmega. Trata-se de um novo espaço expositivo, localizado no Mosteiro S. Miguel de Refojos, que agrega várias peças de arquitectura, de escultura e de pintura, numa antiga ala deste Convento Beneditino.

Ana Paula Assunção responsável pelo projecto museológico faz a apresentação do mesmo
Ana Paula Assunção responsável pelo projecto museológico faz a apresentação do mesmo
A abertura deste espaço é o culminar de um intenso trabalho de investigação, inventariação, limpeza, conservação, catalogação e apresentação que decorreu nos últimos meses, para que agora, a população possa “despir o exclusivo olhar religioso e participar na apreciação e usufruto da arte que nos templos se encontra”.
Este projecto que representa um investimento que ronda os 200.000 euros, teve uma participação financeira da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto e mereceu paralelamente o apoio da CCDR-Norte e a colaboração da Paróquia de Refojos, cumprindo com as preocupação de partilha do património artístico do Mosteiro Beneditino de S. Miguel de Refojos.
Dezenas de pessoas marcaram presença na abertura do Núcleo
Dezenas de pessoas marcaram presença na abertura do Núcleo

Proteger, promover e valorizar o património local

Na ocasião, o Presidente da Câmara Municipal, Engº Joaquim Barreto, após ter assinado um protocolo de colaboração com a Paróquia de Refojos, representada pelo Reverendo Padre Fernando Castro, tendo em vista definir os direitos e deveres das partes, disse que este investimento no turismo cultural, assenta numa estratégia de valorização do património, contribuindo também para o desenvolvimento do concelho. Trata-se por isso, de uma aposta no património que “queremos continuar a proteger e a valorizar, assumindo um papel de maior relevância na realidade local”. Para o autarca esta é também uma forma de democratizar a cultura, já que a defesa do património é uma responsabilidade colectiva. Referiu a propósito, que Cabeceiras prima pela sua riqueza patrimonial edificada e distribuida por vários pontos do concelho, tendo no entanto, o seu expoente máximo no Mosteiro Beneditino de S. Miguel. Lembrou ainda, que a Câmara Municipal tem vindo a investir na recuperação do seu património de alguns anos a esta parte, sobretudo naquele que se encontrava ameaçado e que exigia uma rápida intervenção. Proteger, promover e valorizar o património, são alguns dos princípios em que assenta a política cultural do Município de Cabeceiras de Basto, que na sua «missão» procura agregar parceiros, neste caso, como a Paróquia de Refojos, a Fundação A J. Gomes da Cunha, entre outros, e desta forma, desenvolver projectos de suma importância não só para o concelho, como também para a região.
Presidente da Câmara, da Assembleia Municipal, da Junta de Refojos, Pároco de Refojos e representantes do Sr. Arcebispo presente na inauguração
Presidente da Câmara, da Assembleia Municipal, da Junta de Refojos, Pároco de Refojos e representantes do Sr. Arcebispo presente na inauguração
Na ocasião, o Cónego José Leite de Abreu, que aqui se deslocou em representação do Bispo de Braga, D. Jorge Ortiga, corroborou as palavras do edil Cabeceirense, enaltecendo a iniciativa da autarquia de abrir ao público, este espaço que acolhe um importante património histórico.

Mosteiro de S. Miguel de Refojos, um despertar de memórias

Um património que segundo, o Comendador Professor Doutor Vítor Serrão, Historiador de Arte e Professor Catedrático da Universidade de Lisboa, nome de referência incontornável na História da Arte em Portugal e na Europa, validou, sustentado as hispóteses de conclusão que se foram colocando ao longo da investigação efectuada pela mestranda Célia Nunes Pereira, trabalho de que resultou a publicação de um livro intitulado «Mosteiro de S. Miguel de Refojos, um despertar de Memórias» e que permitiu reconhecer um vasto acervo de espécimes que estavam mal assinalados, devolvendo-lhes parte da memória estética perdida e possibilitando o início de um processo de identificação, de conservação e, em alguns casos, de restauração.
Apresentação das telas "descobertas" do período maneirísta
Apresentação das telas "descobertas" do período maneirísta
Na mensagem lida durante a cerimónia de inauguração deste Núcleo, Vitor Serrão, enalteceu a iniciativa da Câmara Municipal pela abertura de um novo equipamento cultural e por tudo o que a ele se associa: investigação, musealização, reabilitação de património, novos caminhos de reflexão. Disse ainda que “o Mosteiro de S. Miguel de Refojos de Basto é uma daquelas impressionantes construções beneditinas em que o Norte de Portugal é fértil em que o peso das memórias históricas e as qualidades do património construído se aliam com sabedoria à força local, à paisagem robusta, ao carácter hierofânico do locus amoenus envolvente; é por isso que o projecto de constituição do Núcleo Museológico do Baixo Tâmega se configura como prioridade absoluta das políticas regionais.”
Referenciou ainda “a responsabilidade da Dra. Ana Paula Assunção, directora-conservadora do Museu das Terras de Basto, que em diálogo constante com a investigação que se ia realizando, levou a cabo a musealização de alguns espaços do cenóbio, tornando-os visitáveis para além da belíssima igreja barroca e rococó e, mais que isso, pretexto para um reconhecimento globalizante desta notável unidade patrimonial e, em termos mais alargados, sobre a caracterização da arte dos beneditinos no Norte de Portugal.”

Estudo revela telas
maneiristas

Para o comendador o estudo levado a cabo, é revelador “da existência, nos acervos inventariados, de um conjunto de cinco telas maneiristas, pintadas no início do séc. XVII por artistas do Porto, que vem colmatar lacunas de conhecimento sobre um período da arte portuguesa particularmente mal documentado no Norte.”
Câmara e Paróquia formam parceria
Câmara e Paróquia formam parceria
Cabeceiras de Basto está, por isso, “de parabéns por ter concretizado este projecto, por se ter rodeado de competentes profissionais que para além do cumprimento da sua actividade puseram um profundo amor e empenho para que da penumbra dos tempos, se levantasse um véu para a reabilitação de um património agora comprovado como de suma importância”. Referiu por fim, que num momento em que os estudos sobre história e arte beneditina adquirem novos patamares de interesse, o Núcleo Museológico pode assumir também, com vantagem manifesta, a dimensão de espaço de apoio à investigação integrada (e em rede) sobre o Património dos Beneditinos na Província do Minho.
Após a visita ao espaço, o numeroso público presente, pode ainda aceder ao sítio deste Núcleo na Internet (www.museocabeceiras.com), ser agraciado com o livro «Mosteiro de S. Miguel de Refojos, um despertar de memórias» e assistir à apresentação do espólio e das peças em exposição.

© 2005 Jornal Ecos de Basto - Produzido por ardina.com, um produto da Dom Digital. Comentários sobre o site: webmaster@domdigital.pt.