Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 10-11-2008

SECÇÃO: Informação

Museu das Terras de Basto «Ao alcance das mãos»

Drª Ana Paula Assunção falou do Museu das Terras de Basto
Drª Ana Paula Assunção falou do Museu das Terras de Basto
A responsável pelo projecto museológico do Museu das Terras de Basto (MTB), deste concelho, Drª Ana Paula Assunção, particiou no final do mês de Setembro, num Congresso Internacional realizado no Auditório do Pavilhão do Conhecimento – Ciência Viva em Lisboa, com uma intervenção alusiva a este equipamento cultural.
Um Congresso que agregou intervenções de diversas Universidades nacionais e estrangeiras, tais como a Lusófona, a de Westminster, a de Turim, o Instituto Politécnico de Leiria, o Ministério da Educação, entre outras, contando com a presença de mais de uma centena de especialistas e estudiosos.
De destacar no painel das experiências no terreno, a intervenção de La Cité des Sciences et L’Industrie e, naturalmente, a do Museu das Terras de Basto. “Vamos lá tirar as luvas! Educar os museus para a inclusão!” foi o tema da alocução apresentada. A poesia de João Villaret, a música tradicional e a exibição da adaptação da sala de exposições temporárias, no salão «Vamos à Aldeia», com tapete e braille, mostrou a possibilidade de colocar o «património ao alcance das mãos» no MTB. Por outro lado, a participação de uma técnica do Museu das Terras de Basto, encarregue de distribuir aos presentes vários materiais e tecidos tais como o burel, a estopa ou a lã, conferiu uma nota particular a esta apresentação que registou o agrado e a surpresa do público presente. A qualidade deste projecto deixou clara a ideia de que “o museu é um organismo vivo e não apenas um conjunto de colecções” e daí que quando se fala de «tirar as luvas» se pretenda falar da atitude profissional nos museus, galerias e centros de ciência e da consequente necessidade de libertação de uma visão essencialista da identidade cultural, já que “entendemos o museu como um espaço democrático e de perfeita cidadania, de exercício de direitos, a que o próprio património não pode ser alheio”, disse aquela responsável.
O apelo ao vocabulário e a descoberta de sensações está bem presente
O apelo ao vocabulário e a descoberta de sensações está bem presente

Reflectir a museologia em Portugal


De referir que já em Março de 2008, nas VI Jornadas do ICOM, foi manifestada a necessidade de ser feita uma reflexão sobre duas décadas de formação em museologia em Portugal. Reflexão esta, que pode ser o fim de um ciclo e a abertura de novas pistas para outro. Nesta óptica, e durante a sua apresentação, a Drª Ana Paula Assunção, abordou o tema das acessibilidades nos equipamentos culturais e permitiu que o Museu das Terras de Basto fosse o único Museu presente a propor ao IMC/RPM que considerasse a necessidade de inclusão como uma preocupação na política dos apoios financeiros a atribuir. “Adequar a Lei-Quadro e a correspondente política de apoio financeiro do IMC/RPM a projectos de inovação e de real intervenção para uma museologia inclusiva, com a realização de parcerias, de investigação e de análise de casos práticos (…) mas sobretudo, com uma real valorização deste tipo de direitos, tirando muitas e muitas luvas com que se entende ainda o Património em Portugal”, foi o primeiro contributo dado pelo Museu das Terras de Basto tendo em vista a construção de um modelo alternativo.
Sentir as diferentes texturas é um dos exercícios propostos nesta exposição
Sentir as diferentes texturas é um dos exercícios propostos nesta exposição
Neste âmbito, “reconhecemos que muitas exposições não tiram o máximo proveito do seu potencial didáctico” e daí a aposta de, em Cabeceiras de Basto, utilizar “uma maior variedade de canais de comunicação” e consequentemente proporcionar diferentes modos de contacto com as ideias nas exposições ou apresentações, factores conducentes ao êxito do processo comunicativo. Exemplo desta prática é a exposição patente ao público alusiva aos «Trajes festivos em Cabeceiras de Basto no séc. XIX – XX» que permite, além do Braille, o toque das imagens em relevo ou as passadeiras, assim como as palavras de poesia e a música. Também os cheiros da terra, os tecidos e texturas quase únicas, como a lã ou a estopa, o apelo ao vocabulário recorrendo à expressão do que se sente – áspero, duro, macio – estão bem presentes nesta exposição que interage com os diferentes públicos, seja através do jogo, do tacto, fazendo com que o património “seja uma parte de todos e ao alcance de todas as mãos”. “Vamos lá, então tirar as luvas” e “educar os museus para a inclusão”, foram assim, os apelos deixados pela Drª Ana Paula Assunção, que a propósito referiu a importância desta intervenção no Pavilhão do Conhecimento, que colocou Cabeceiras de Basto no mapa da museologia com experiências positivas, trabalhando para a comunidade e com inovação.
À margem da sua intervenção, a Drª Ana Paula Assunção, deixou bem vincada a visão estratégica do Município de Cabeceiras de Basto ao desenvolver este projecto museológico, importante fonte de conhecimento que nos transporta em viagens ao passado e nos projecta no futuro, aliando a tradição e a modernidade, consciente de que a “verdadeira natureza do homem é a cultura” e a qual as sociedades não podem prescindir.

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