Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 10-11-2008

SECÇÃO: Recordar é viver

CURIOSIDADES (3)

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Ainda as Intentonas Monárquicas

Caros leitores, espero que tenham gostado dos dois números anteriores, curiosidades 1 e 2, onde escrevo e se reproduzem fotos antigas sobre as guerrilhas entre os republicanos e os realistas em Cabeceiras de Basto, retiradas da revista Ilustração Portuguesa. Como estais fartos de saber de tanto me ouvirdes a mim e a outras pessoas falar nelas, os opositores à nova República Portuguesa, especialmente, em Cabeceiras e concelhos circundantes era formado por homens guerrilheiros, chamados realistas, que eram na sua maioria padres e, eram encabeçados pelo Padre Domingos Pereira, que vivia na Raposeira. Também vos falei um pouco por alto, que ele foi perseguido para o tentarem prender, o que segundo reza a história nunca conseguiram. Ainda no seguimento do que me contaram e pude ler foi condenado na comarca de Cabeceiras de Basto a vinte anos de prisão e também na comarca do Porto a outros vinte. Prisões essas a que sempre escapou. Segundo dizem teve sempre refúgio garantido em casa de amigos fiéis à sua causa como profundo respeito por ele e pela família. Também esteve escondido fora do nosso País, como por exemplo na nossa vizinha Espanha.
O administrador do concelho de Cabeceiras de Basto, João Augusto Mendonça Barreto, fuzilado pelos rebeldes
O administrador do concelho de Cabeceiras de Basto, João Augusto Mendonça Barreto, fuzilado pelos rebeldes
O que não conseguiu evitar foi que lhe tivessem incendiado a sua casa e a do seu irmão Padre Manuel Pereira.
Eu, até já era para dar por encerrada esta mostra de fotocópias de artigos e fotografias antigas, porque os papéis que tinha antes estavam muito maltratados e até já se percebia muito mal alguns textos mas, inesperadamente, chegou às minhas mãos uma revista, em fotocópia claro, de uma revista Ilustrada com fotografias tiradas de propósito para “O Século”, mais designadamente para a sua publicação semanal “Ilustração Portuguesa” saída em 22 de Julho de 1912, no nº 335 do referido jornal, há já quase cem anos portanto.
Fiquei muito feliz ao vê-la e não resisti a pedi-la a quem a tinha consigo. Essa revista tinha outras fotografias e nelas se pode ver a sinalização onde os acontecimentos trágicos aconteceram, como já vos tinha dito o assassinato do Administrado Mendonça Barreto e outros.
Sr. Domingos José de Magalhães que estava junto do administrador de Cabeceiras de Basto, no momento dele ser fuzilado, e que apanhou com uma bala, morrendo momentos depois n'uma casa onde foi recolhido
Sr. Domingos José de Magalhães que estava junto do administrador de Cabeceiras de Basto, no momento dele ser fuzilado, e que apanhou com uma bala, morrendo momentos depois n'uma casa onde foi recolhido
Como sabe da minha paixão por coisas históricas, passadas em Cabeceiras de Basto, a pessoa que tinha a revista emprestou-ma de boa vontade. Como os artigos e as fotografias são referentes às Intentonas da monarquia e são diferentes das anteriores vou mostrá-las neste número e escrever as respectivas legendas tal e qual como estão na Ilustração.
Quero contudo sublinhar mais uma vez que estas introduções que eu faço são coisas que eu ouvi toda a vida a pessoas de idade e a pessoas de família directa do Padre Domingos Pereira e que também, por sua vez, já as ouviram aos seus pais que assistiram na época a elas. Também as ouvi a pessoas, grandes historiadores e conhecedores das causas monárquicas de Cabeceiras. O que eu depois escrevo são bocados dessa história, contados por outros e que eu vou retendo na minha memória mas sem grande rigor histórico sobre datas específicas.
Colégio de S. Miguel de Refojos, edifício da Câmara Municipal  e o Mosteiro de S. Miguel de Refojos Nota: Podem verificar no lado direito da fotografia um pequeno quiosque que não sei ao certo os anos que teria, embora ainda me lembre dele
Colégio de S. Miguel de Refojos, edifício da Câmara Municipal e o Mosteiro de S. Miguel de Refojos Nota: Podem verificar no lado direito da fotografia um pequeno quiosque que não sei ao certo os anos que teria, embora ainda me lembre dele
Devo dizer até com uma certa vergonha que não sou muito dada a reter datas históricas e agora com a idade a avançar muito menos. Também não possuo dados académicos superiores em história que me permitam ir mais longe. Mas penso que para as minhas crónicas simples e aligeiradas não serei obrigada a mais. De qualquer das maneiras tive e tenho ligações com os descendentes deste homem, que contribuiu desta maneira (por bem ou por mal) lutando contra os republicanos, liderando as guerrilhas, para tornar a terra de Cabeceiras de Basto falada e registada nos anais da história.
Creio que me perdoareis esta minha maneira de escrever sobre este tema como se de um romance de capa e espada se tratasse.
Espero ainda que gostem de ver como era Cabeceiras de Basto cujos espaços aparecem neste número datado do longínquo ano de 1912.
Com a devida vénia.
Em Cabeceiras de Basto: Praça Barjona de Freitas (lado sul) onde foi fuzilado o administrador. O Sinal   indica o lugar d’onde os revoltosos fizeram as suas descargas. O sinal * marca o sítio onde ele estava.
Em Cabeceiras de Basto: Praça Barjona de Freitas (lado sul) onde foi fuzilado o administrador. O Sinal indica o lugar d’onde os revoltosos fizeram as suas descargas. O sinal * marca o sítio onde ele estava.


O Secretário das Finanças de Cabeceiras de Basto, sr. Joaquim Augusto Ramos Taborda, ferido pelo rebeldes
O Secretário das Finanças de Cabeceiras de Basto, sr. Joaquim Augusto Ramos Taborda, ferido pelo rebeldes


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