Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 20-10-2008

SECÇÃO: Recordar é viver

AINDA NA ROTA DA LAVOURA TRADICIONAL

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A "Desfolhada"

Quem me dera que viesse
O tempo que há-de vir
O tempo das esfolhadas
Para eu m´ advertir

Eu hei-de ir à desfolhada
Ao teu milho temporão
Hei-de ser tua cunhada
Se casar com teu irmão

Desfolhadeiras do meu milho
Esfolhai o meu milho bem
Não olheis para o caminho
Que a merenda logo vem

Esfolhadas animadas
Com o milho rei
Que seria das esfolhadas
Se não fosse o milho rei

No seguimento das minhas reportagens feitas sobre as “aulas” da lavoura tradicional, patrocinadas pela EMUNIBASTO, com o apoio da Associação dos Zés Pereiras de Basto, entre outras colectividades, depois da lavrada e das sachadas chegou agora a vez da desfolhada do milho.
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Essa prometida e esperada desfolhada aconteceu no dia 23 de Setembro, integrada no programa das populares e tradicionais Festas do Padroeiro S. Miguel. Foi feita à moda antiga, no próprio campo, junto à casa da Portela, na Ponte de Pé, possibilitando que toda a população que estivesse a visitar a feira tivesse também acesso a mais esta “aula”, hoje algo rara.
Eu não poderia lá faltar e, embora não tivesse participado activamente na desfolhada, tentei registar o melhor possível toda aquela dinâmica, para que os leitores que lá não puderam estar nesse dia tenha uma perspectiva aproximada do que ali se passou.
Foi um regalo ver toda aquela gente num frenesim! Enquanto uns cortavam o milho, outros iam-no deitando nos carros de bois para depois transportarem para junto das pessoas que o iriam desfolhar.
Nunca na minha vida e desde que me conheço que nunca tinha visto tal multidão a girar de um lado para o outro! Até a juventude aderiu com entusiasmo o que não deixa de ser um facto a saudar.
Saltava no ar o som das concertinas logo seguido pelo cantar alegre das mulheres que acompanhavam o trabalho com as canções de outros tempos. Os mais idosos, já pouco dados àqueles exercícios de agachar e levantar para cortar o milho, iam-se entretendo com anedotas e cantigas um tanto ou quanto brejeiras. Mas ninguém levava a mal.
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De vez em quando lá se encontrava um milho-rei, o que servia de pretexto para se abraçarem uns aos outros, o que naqueles tempos recuados era um “atrevimento” com que todos sonhavam. Eu até desconfio que um milho-rei muito grande que andava a girar por lá e que era aproveitado para os abraços já devia ter pelo menos dois ou três anos.
Entretanto, enquanto se ia desenrolando este alegre vaivém das pessoas pelo campo da Portela, acompanhadas pelo som das concertinas do António Conde e do senhor Pacheco, ambos de S. Nicolau, pelo Américo de Terreiros e pelo senhor Bernardino Coelho, de Painzela, todos exímios tocadores, ali ao pé iam-se organizando as mesas dos comes e bebes. A Cândida ia abanando as brasas para assar as sardinhas enquanto outras pessoas, funcionários da Emunibasto, colocavam na mesa broa partida às fatias com fartura e colocando os garrafões do “tintol” a jeito para se comer e beber depois dos trabalhos feitos. Todas estas “serviçadas” tiveram a supervisão dos responsáveis organizadores entre os quais a Dra Fátima Neiva e o Dr Francisco Barreto Freitas.
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Acompanhei com agrado esta parte e comi também das sardinhas que estavam boas e fresquinhas como água. O tintinho também estava muito bom.
Foi uma alegria pegada para todos os participantes activos no campo e também para a plateia que assistiu “de camarote” de cima da Ponte.
Vou deixar espaço para as fotos que tirei. Espero que muitos de vós possam recordar os tempos idos em que participavam nas actividades agrícolas, sempre com grande alegria, embora nunca com tantos “ajudantes” nem com tantos espectadores.
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Por: Fernanda Carneiro

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