Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 29-09-2008

SECÇÃO: Opinião

VANTAGENS COMPARATIVAS (93)

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O MACHU PICCHU

A cidadela Inca de Machu Picchu é uma das sete novas maravilhas do mundo, situa-se na província de Cusco, a cento e dez quilómetros da capital desta província, a cidade com o mesmo nome de Cusco, e a mil e cem quilómetros da cidade de Lima, a capital do país, o Peru.
Apenas com o intuito de deixar aqui alguma cultura geral, parece-me ser oportuno referir, antes de continuar, todos os nomes, quer das novas, quer das antigas sete maravilhas do mundo. Então, as sete novas maravilhas são: o Machu Picchu, no Peru; o Chichen Itza, no México; o Cristo Redentor, no Brasil; o Coliseu de Roma, na Itália; o Taj Mahal, na Índia; a Grande Muralha, na China; e Petra, na Jordânia. Quanto às antigas sete maravilhas eram, ou são: as Pirâmides de Gizé, no Egipto; os Jardins Suspensos da Babilónia, actual Iraque; a Estátua de Zeus, em Olímpia, actual Grécia; o Templo de Artemis, em Éfeso, actual Turquia; o Mausoléu de Halicarnasso, na Anatólia, actual Turquia; o Colosso de Rodes, na ilha grega de Rodes; e o Farol de Alexandria, no Egipto.
Voltando ao Machu Picchu, aconselho, a todos quantos me lêm, e sem reservas de qualquer espécie, que ali façam a vossa visita. O itinerário é muito simples: tomam o avião da Ibéria no Porto e vão até Madrid, é cerca de uma hora de viagem; em Madrid tomam um avião da Ibéria ou, então, da LAN (Linhas Aéreas Andinas), eu, conhecendo as duas companhias, optaria por fazer a viagem nos aviões da LAN, a viagem entre Madrid e Lima, a capital do Peru, demora um pouco mais de doze horas; depois tomam mais um avião da LAN e vão de Lima até à cidade andina de Cusco, é hora e meia de viagem e o avião aterra, em condições de boa segurança, num pequeno aeroporto que fica a mais de três mil metros de altitude; a seguir entram num autocarro e fazem uns oitenta quilómetros descendo até aos dois mil metros de altitude, sempre nos Andes; depois tomam um comboio de tectos envidraçados e percorrem cerca de quarenta quilómetros a descer pela margem direita do rio Urubamba. O rio Urubamba é um dos maiores afluentes do Amazonas, porém, neste local, em Ollantaytambo, ainda corre bastante pequeno, tem um caudal aproximado ao do nosso Tâmega, aqui por alturas de Mondim.
O comboio tem os tectos envidraçados para que os passageiros possam ver algo da paisagem para os lados, já que olhar para os lados não é outra coisa do que olhar para cima. A composição segue à margem do rio, fazendo curvas como uma serpente, e, de cada um dos lados, há uma vertente com a inclinação muito próxima dos noventa graus e com alturas entre os quinhentos e os mil e quinhentos metros, tudo verdejante de selva amazónica, ficando a impressão que há uma imensidão de vasos afixados ao longo das encostas e, ao fim dos primeiros dez minutos de viagem, no mágico comboio, já se sente dores no pescoço do esforço feito de tentar olhar para cima.
A viagem, em caminho-de-ferro, termina na estação de Águas Calientes. Nesta localidade não existe qualquer meio de transporte motorizado para além de uma frota de mini autocarros movidos a gás, que fazem o transporte de todos os passageiros que, chegados de comboio, desejem subir até ao alto da “Montanha Velha”. Montanha Velha é a tradução Inca de Machu Picchu. A estrada, entre a localidade de Águas Calientes e o alto da “Montanha Velha” é uma sequência de ziguezagues, ora os que vão do lado esquerdo da viatura seguem voltados para o precipício, ora os que vão do lado direito têm o precipício do seu lado. Há locais onde a estrada se encontra cravada na laje vertical e segue como que seja a varanda de um prédio, aqui não se vê chão. Confesso que me arrepiei mais neste pequeno percurso, de cerca de vinte quilómetros, do que em qualquer dos aviões da LAN, a mais de onze mil metros de altitude, por cima da cordilheira dos Andes.
Para quem chega a Ollantaytambo, e como alternativa ao comboio panorâmico, pode optar por subir até ao cimo da “Montanha Velha” utilizando o caminho, ou o trilho, do Inca. O caminho do Inca tem quarenta quilómetros de extensão desde o seu início, em Ollantaytambo, até à cidadela de Machu Picchu, com subidas e descidas íngremes. Encontra-se em bom estado de conservação e é percorrido diariamente por várias centenas de visitantes. No início do trilho existe uma portagem e só é permitida a entrada de quatrocentas pessoas por dia. O percurso de quarenta quilómetros, dada a irregularidade do terreno, demora, em média, quatro dias. Ao longo do percurso existem infra-estruturas apropriados para descanso e pernoita, tudo no mais estrito respeito pelo ambiente e pela natureza.
Os visitantes, que por norma são turistas e investigadores, fazem-se acompanhar por carregadores nativos que prestam os respectivos serviços de transporte dos equipamentos e bens necessários para a alimentação, para a pernoita e para o lazer ou a investigação. Não é permitida a utilização de nada que seja motorizado. Um ou outro cavalo talvez, mas há locais do trilho onde o cavalo terá sérias dificuldades em passar.
O império inca distribuía-se por uma vasta região compreendida por territórios que hoje fazem parte do Equador, da Colômbia, da Bolívia, da Argentina, do Chile e todo o Peru. A capital do império era a cidade de Cusco que, em linguagem dos incas, o quíchua, significava o “Umbigo do Mundo”. Teve o seu início por volta do ano de 1.200 e terminou com a chegada e o saque dos conquistadores espanhóis por volta de 1.530. A cidadela de Machu Picchu foi construída por volta dos anos de 1440, pelo que, em termos de vida activa, não chegou a durar cem anos.
O Peru surpreendeu-me, muito francamente, pela positiva. É um país que está a colher, e da melhor maneira, os frutos do turismo. A classificação da cidadela da “Montanha Velha”, Machu Picchu, como uma das novas sete maravilhas do mundo foi, sem qualquer dúvida, um verdadeiro golpe de sorte.
O seu modelo de organização, em particular no que ao turismo diz respeito, é muito semelhante ao modelo japonês. Tudo na hora certa, no lugar certo e em perfeitas condições.
O Peru tem uma extensa costa marítima voltada para o Oceano Pacífico, onde se situa a capital do país, a cidade de Lima. Tem fronteiras terrestres com o Equador, a Colômbia, o Brasil, a Bolívia e o Chile. Cerca de sessenta por cento da sua área é constituída por selva quase virgem, em particular as províncias do Loreto, do Ucayali e de Madre de Dios, que integram o perímetro da Amazónia.


Por: José Costa Oliveira

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