Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 29-09-2008

SECÇÃO: Cultura

……UM COMPOSITOR

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Joseph Haydn

Franz Joseph Haydn nasceu na Áustria, mais propriamente na vila de Rohrau perto da fronteira com a Hungria, em 31 de Março de 1732. Foi um dos compositores mais importantes do período clássico e um dos mais aplaudidos mundialmente ao lado de Bach, Mozart e Beethoven.
Não nasceu no seio de uma família com tradições musicais. No entanto o seu pai, Matthias Haydn era um apaixonado pela música folclórica e até tocava harpa de ouvido!
Os seus pais aperceberam-se com facilidade que Haydn tinha talento musical e de imediato aceitaram a colaboração de um parente da família, Johan Matthias Franck que era mestre de capela em Hainburg, para lhe ensinar música. Deste modo Haydn, com apenas seis anos partiu para a casa do parente e nunca mais voltou a viver com os pais!
Com a saída da casa dos pais a vida tornou-se muito complicada, pois chegou a ter passado fome e humilhações.
Na casa de Franck aprendeu a tocar cravo e violino e passou a ocupar o lugar de soprano no coral da igreja local. Em 1740 Georg von Reutter, director musical na catedral de Stº Estêvão em Viena andava em digressão pela Áustria à busca de meninos-cantores prodigiosos. Ao contactar Haydn ficou encantado com o seu talento e convenceu-o a ir consigo para Viena. Aí trabalhou durante nove anos como coralista.
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Em 1749 deixou de poder de cantar como soprano. Durante esse período que durou dez anos, Haydn foi acompanhante do compositor italiano Nicola Porpora onde aprendeu composição o que lhe permitiu escrever o seu primeiro quarteto de cordas e a sua primeira ópera. Em 1759 é nomeado mestre de capela do conde Karl von Morzin e começou a dirigir a orquestra de câmara do conde e a escrever as suas primeiras sinfonias. Passado algum tempo a orquestra do conde foi dissolvida, pensa-se que devido a problemas financeiros. Entretanto Haydn arranjou novo emprego no seio da família Esterházy, que era na época uma das famílias mais ricas e importantes do Império Austríaco.
No seio desta família Haydn encontrou uma grande estabilidade de trabalho e teve óptimas condições para o seu desenvolvimento artístico.
Em 1770 casou-se com Maria Anna Keller, mas deste enlace não houve descendência. Consta-se que Haydn teve filhos com a sua amante Luigia Polzelli, que era cantora do palácio.
Durante os cerca de trinta, em que esteve no seio desta família Haydn escreveu uma série de obras, nomadamente as Sinfonias de Paris e a versão para orquestra das Sete Últimas Palavras de Cristo. Gradualmente o seu estilo musical foi-se apurando e a sua popularidade atingiu um patamar mundial muito alto.
Em 1781 Haydn começou a tornar-se amigo de Mozart. A partir desta altura Haydn parou de compor óperas e concertos, que eram os dois estilos musicais onde Mozart se notabilizou e Mozart escreveu seis quartetos a Haydn. De facto esta amizade era sincera e recíproca.
Em 1790 Haydn aceitou um convite bastante convidativo do ponto de vista financeiro para visitar a Inglaterra e aí redigir as suas sinfonias com uma grande orquestra. Foi um grande sucesso!
Haydn atingiu riqueza e uma grande fama. Foi nesta altura que escreveu as 14 sinfonias e o Rondo Cigano, para trio de pianos.
Passado algum tempo decidiu regressar a Viena, onde construiu uma casa. Começou novamente a compor músicas religiosas para coro e orquestra. Surgiram os famosos oratórios A Criação, As Estações o Te Deum e seis missas dedicadas à família Esterházy que marcaram o ponto máximo da sua grande obra musical.
A partir de 1802 Haydn começa a ficar muito debilitado e ter muitas dificuldades para compor. Faleceu em 1809 com 77 anos de idade.

OBRAS-PRIMAS

Sinfonias
1772 Sinfonia n.º 48 em dó Maior – Maria Teresa
1777 Sinfonia n.º 63 em dó maior – Roxolane
1778 Sinfonia n.º 69 em dó maior – Laudon
1781 Sinfonia n.º 73 em ré maior – A caça
1786 Sinfonia n.º 82 em dó maior – O urso
1788 Sinfonia n.º 92 em sol maior – Oxford
1794 Sinfonia n.º 100 em sol maior – Militar
1795 Sinfonia n.º 103 em mi bemol maior – O rufar dos tambores

Música instrumental – Quartetos

1793 Quarteto n.º 1 em dó maior Op. 74
1794 Quarteto n.º 2 em ré menor Op. 76 - Quarteto das quintas
1798 Quarteto n.º 3 em dó maior Op. 76 - Imperador

Música litúrgica

1792 Missa em ré menor – Nelson
1796 Missa em dó menor – Em época de guerra
1785/1796 As sete palavras de Cristo na cruz
1802 Missa para instrumentos de sopro em si bemol maior – Harmonia


Ópera

1751 Der Krumme Teufel
1782 Orlando paladino
1784 Armida

Oratórios

1797 A criação
1801 As estações

Qualquer versão é uma boa compra, no entanto se tivesse que optar por uma só, ficava com a versão B. Se o leitor pensar no custo então compre sem hesitação a versão C.


……UMA MÚSICA

Além de Haydn ser o pai da sinfonia clássica e do quarteto de cordas e de ter escrito muitas sonatas para piano, trios, divertimentos e missas acabei por escolher um oratório, A Criação.
A Criação é uma obra vocal dividida em três partes com versões em alemão e inglês e foi baseado no livro do Génesis e no poema “O Paraíso Perdido” de John Milton.
Das versões dispostas no mercado de discos seleccionei as três seguintes:

A


DG Originals – 4497612
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(CD - 2 discs)
B
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DG Archiv – 4777361
(CD - 2 discs)

C
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Naxos – 8557380-81
(CD - 2 discs)



Por: Maia Ramos

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