Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 29-09-2008

SECÇÃO: Opinião

CONTOS E NARRATIVAS
ESTÁ EM SENTIDO NÃO MEXE

(cont. 3)
As actuais instalações do Regimento de Infantaria n.º 13 formam, no seu todo, um conjunto arquitectónico digno de ser visto. A área de implantação de toda a estrutura tem a forma de um polígono de cinco lados, um pentágono irregular, com tendência para um “trapézio” com dois lados maiores sensivelmente iguais, e com cerca de quatrocentos metros cada um; quanto aos outros dois, o maior deve ter trezentos metros e o menor terá uns duzentos; uma área total, aproximada, que rondará os dez hectares.
O primeiro dos dois lados maiores tem frente para a estrada nacional n.º 2 e fica voltado para nascente, o seu oposto, voltado para poente e para o maciço da serra do Alvão, confina com propriedades rurais; o lado mais pequeno é o que fica voltado para norte e confina igualmente com campos e bosques; os restantes dois lados, que deformam o trapézio e convertem a figura naquilo que ela efectivamente é, um pentágono, ficam voltados para sul e sudeste, e têm frente, respectivamente, para o Largo de Santa Iria e para um arruamento estreito e pouco movimentado, que dali segue até à esquina que antecede o espaço envolvente da porta de armas.
No local onde deveria ficar o vértice formado pelo lado maior, voltado para nascente, e um dos dois que ficam voltados para sul e sudeste, formando uma espécie de reentrância, fica a porta de armas, qualquer coisa de imponente. O referido vértice deu lugar a um pequeno jardim exterior que faz a ligação com o largo de fronte onde se cruzam as estradas nacionais n.º 2 e n.º 15.
Transpondo-se a porta de armas fica ali, logo à direita, a casa da guarda. Olhando em frente, ergue-se uma escadaria de granito, ladeada de belos espaços ajardinados, que dá acesso ao edifício do comando. Este está situado no cimo de uma suave colina e tem uma rua de acesso ao interior de todo o recinto por cada um dos lados. Quem sobe pelo lado direito fá-lo em curva para a esquerda e quem sobe pelo lado esquerdo fá-lo em curva para a direita. Tratando-se de viaturas, estas sobem pela via do lado direito e descem pela via do lado esquerdo, como mandam as regras de trânsito quando há apenas um sentido em cada uma das vias.
Passado o edifício do comando, quer se suba pela via do lado direito, quer pela via do lado esquerdo, entra-se num espaço totalmente plano, com a forma de um quadrado, todo pavimentado a asfalto, é a parada. Do lado nascente da parada, fica uma das frentes do edifício do comando, é aquela que se opõe à frente principal voltada para a porta de armas. Ainda do lado nascente, à esquerda do edifício do comando, encontra-se a casa dos oficiais e à direita a casa dos sargentos.
Depois, alinhadas de ambos os lados da parada, ficam as oito casernas de alojamento das praças, duas delas, a primeira de cada um dos lados, são das praças da companhia de comandos e serviços, que representam o efectivo quase permanente da unidade, as restantes seis, três do lado norte e três do lado sul, são as casernas de alojamento das três companhias de instrução, cada companhia ocupa duas casernas. Tendo, cada uma das companhias de instrução, entre quatrocentos e cinquenta e quinhentos soldados recrutas, conclui-se que cada caserna aloja cerca de duzentos e cinquenta militares.
Do lado poente, temos o refeitório das praças, também este, um espaço de grandes dimensões, com três largas portas ao centro, voltadas para a parada, e ainda outras duas, de idênticas dimensões, uma em cada extremidade. Há ainda os balneários colectivos das praças, a barbearia e grandes arrecadações, tudo pela parte de trás do refeitório.
Entre o topo das casernas e o muro de vedação do lado sul, há o campo de obstáculos e uma pequena carreira de tiro. A carreira de tiro situada no interior do quartel tem cerca de vinte e cinco metros de comprimento.
Do lado oposto, entre o topo das casernas e o muro do lado norte, estão instalados os parques auto, com garagens e oficinas e ainda um campo para a prática desportiva.
Todo o recinto é vedado por um muro com cerca de dois metros de altura e que se encontra cuidadosamente pintado de amarelo claro. Este muro é encimado por três fios de arame farpado, tem guaritas de sentinelas em cada uma das esquinas conforme os vértices do polígono, e ainda, nos três lados de maior extensão, tem uma outra guarita no respectivo ponto médio.
Junto ao muro, existe uma pista em calçada à portuguesa, onde são realizados exercícios e provas de corrida. É nesta pista, que tem cerca de mil e quinhentos metros de extensão, que se realizam as primeiras provas de resistência a que os recrutas são submetidos.
Para além da entrada da porta de armas, que está permanentemente aberta durante o dia, e onde, quem pretende entrar, apenas passa depois de devidamente identificado pela sentinela de serviço, dirigindo-se de seguida ao cabo da guarda que o encaminhará, devidamente acompanhado por uma das praças, para o destino pretendido, há ainda duas outras entradas: a primeira, e a mais importante, fica a meio do muro que confina com a estrada nacional n.º 2 e tem acesso por esta, é por aqui que entra e sai todo o movimento de viaturas pesadas, quer sejam da unidade, quer sejam de quaisquer outras origens ou naturezas; a segunda, situa-se junto da esquina que dá para o largo de Santa Iria e para o cemitério da cidade, esta está quase sempre fechada, apenas é utilizada para entrada ou saída de animais. Não será, muito naturalmente, apenas por isso, mas chama-se, efectivamente, a porta do cavalo.
(Continua)

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