Associação Dinamizadora dos Interesses de Basto
Edição de 29-09-2014

Arquivo: Edição de 18-08-2008

SECÇÃO: Cultura

foto
Johann Sebastian Bach

……UM COMPOSITOR

Johann Sebastian Bach, notável compositor alemão, nasceu a 21 de Março de 1685 em Eisenach no seio de uma família de músicos e faleceu a 28 de Julho de 1750 em Leipzig. Mestre na arte da fuga, do contraponto e do coral ficou para a história como o maior compositor não só da sua era e do seu estilo, mas como o maior compositor de todos os tempos.
A sua mãe faleceu quando Bach tinha nove anos de idade. Um ano após este triste acontecimento morreu o pai, Johann Ambrosius Bach que lhe tinha ensinado os princípios rudimentares da música.
Órfão de pai e mãe vai viver e estudar com o seu irmão mais velho, Johann Christoph Bach, organista de Ohrdruff, aprendendo a tocar órgão e a compor.
Aos 15 anos de idade Bach já era um talento inconfundível e aos 18 anos já era o organista de Arnstadt, graças ao seu grande domínio, aliás muito precoce do instrumento barroco.
foto
Em 1705 conheceu Maria Barbara, sua prima com quem casou e teve 7 filhos.
Bach tomou uma atitude muito corajosa para a época ao introduzir no coro da igreja a sua jovem esposa. Por esta atitude arranjou uma série de transtornos com a igreja luterana e perdeu o lugar de organista. É nesta altura que Bach começa a escrever as suas primeiras cantatas.
Em 1708 foi nomeado organista da Corte e em 1714 director de orquestra na corte do duque Wilhelm Ernst. De 1717 a 1723, o compositor foi Kapellmeister (mestre-capela) na corte do príncipe Leopold de Anhalt-Köthen.
Em 1720 morre a esposa e um ano mais tarde casa com a cantora Anna Magdalena Wülcken de quem teve 13 filhos.
Desde 1723 até à sua morte foi Director de Música na igreja de S. Tomáz na cidade de Leipzig. Morreu em 1750, após uma cirurgia fracassada aos olhos. O compositor foi perdendo a sua capacidade visual até ficar completamente cego, provavelmente por uma diabetes não controlada.
Bach viveu sempre em ambientes modestos e sem grandes contactos com o mundo exterior. Era um grande devoto da igreja luterana, um bom chefe de família e um bom pai e um funcionário pontual mas ao mesmo tempo irascível, sempre em conflito com os seus superiores. Era um homem muito culto mas dedicado à sua enorme produção de obras musicais, que só foram escritas para uso funcional ou para exercícios de música em casa.
De facto Bach não compunha para “exprimir-se” como farão os compositores românticos. Bach compunha por encomenda, o que explica o carácter didáctico de muitas das suas obras.
Um aspecto que custa a creditar é o facto de Bach não ter na sua altura o reconhecimento que lhe era devido.
Era considerado somente como um virtuoso do órgão!
Por exemplo outros compositores barrocos, como Haendel e Telemann tiveram mais apreciação nas suas obras por parte do público.
Após a sua morte, Bach caiu no esquecimento!
Realmente Bach foi vítima da sua época, pois a sua música era frequentemente considerada antiquada. No entanto para as gerações subsequentes ela provou ser uma fonte inesgotável de inspiração.
Enfim fez-se justiça a um dos maiores artistas da humanidade. Actualmente a sua arte é considerada como o fundamento de toda a música.
Bach foi um génio na arte do contraponto. Compôs o Cravo Bem Temperado, considerado por alguns críticos como a representante do Antigo Testamento (sendo as Sonatas para Piano de Beethoven a representante do Novo Testamento), que consiste em 48 prelúdios e fugas. Outra grande obra é a Arte da Fuga, que ficou incompleta com a sua morte. Foi composta com a finalidade de exemplificar as técnicas do contraponto. É conveniente aqui referir os Concertos de Brandenburgo, baseado nos concertos de António Vivaldi.
Bach escreveu muitas músicas para a igreja luterana em particular as cantatas para as missas dominicais e as paixões para as cerimónias de Sexta-Feira Santa.
Outras grandes obras de Bach que não podem ser esquecidas são as Variações Goldberg, as suites orquestrais, as suites para violoncelo, a Missa em Si menor e a Paixão Segundo São Mateus.

OBRAS-PRIMAS

Bach compôs mais de mil obras musicais (!). Devido a este elevado número e devido ao perigo de se perderem algumas obras com o tempo era necessário fazer um inventário.
Em 1950 Wolfgang Schmieder elaborou um catálogo com o registro das obras musicais. Este catálogo ficou conhecido pelas iniciais “BWV”, que significam “Bach Werke Verzeichnis” (“Catálogo de Obras de Bach”).
Este catálogo não é ordenado por ordem cronológica mas sim tematicamente. Por exemplo BWC 1-222 são as Cantatas e BWV 525-748 são as obras para Orgão.

Música coral e vocal

Paixão Segundo S. João, BWV 245
Paixão Segundo S. Mateus, BW 244
Magnificat, BWV 243 em Ré maior
Missa em Si menor, BWV 232

Concertos para teclado (piano ou cravo)

Concertos Nºs 1-7 BWV 1052-1058 (piano ou cravo)

Orquestra

Concertos de Brandenburgo Nºs 1-6 BWV 1046-1051
Suites Orquestrais Nºs 1-4, BWV 1066-1069

Órgão

Tocata e Fuga em Ré menor, BW V565
Tocata e Fuga em Ré menor, BWV 538 “Dorian”
Tocata e Fuga em Fá maior, BWV 540

Composições para teclado (piano/cravo)

Suites Inglesas Nºs 1-6, BWV 806-811
Suites Francesas Nºs 1-6 BWV 812-1817
Variações Goldberg, BWV 988
O Cravo Bem-Temperado, Book 1, BWV 846-869
O Cravo Bem-Temperado, Book 2, BWV 870-893

Composições para instrumentos a solo

Suites para violoncelo, Nºs 1-6, BWV 1007-1012
Sonatas para violino solo, Nºs 1-6, BWV 1001-1006

Concertos para cordas

Concerto para violino, No 1,BWV1041
Concerto para violino, No 2,BWV1942


……UMA MÚSICA

foto
Por ser o meu compositor preferido tenho uma vasta discografia, em CD, em SACD, em DVD e mesmo em vinilo o que me permite ouvir com regularidade este génio. Além de pessoalmente me inclinar mais para as composições para teclado (sobretudo quando interpretadas por cravo), acabo por não fazer qualquer destrinça entre estas e os outros tipos musicais. Esta situação arrasta-me no dia-a-dia, uma certa hesitação ao pegar da estante uma gravação para ouvir no meu sistema de referência a válvulas e neste momento um grande problema para seleccionar uma obra representativa de Bach para este texto.
O órgão é um instrumento barroco e Bach foi o maior organista de todos os tempos.
Aqui está a solução para o problema! É só escolher uma obra para órgão.
E a escolha cai sobre a “Tocata e Fuga em Ré menor BWV 565”. Das múltiplas gravações que conheço seleccionei as seguintes três gravações, que até são fáceis de se encontrarem no mercado discográfico especializado. Se conseguirem a primeira gravação farão uma rica escolha.

A
foto
BBC Symphony Orchestra, Leonard Slatkin
Chandos – CHSA5030
(SACD)


B
Ton Koopman (organ)
DG Archiv – E4109992
(CD)
C

John Butt (organ)
Harmonia Mundi – HMU907249
(CD)

foto
Quem sabe se um dia não iremos ouvir esta grande obra na nossa Igreja de Refojos, a ser tocada no seu órgão de tubos devidamente restaurado, não direi pelo holandês Ton Koopman, mas por Filipe Veríssimo, organista titular do Grande órgão de Tubos da igreja da Lapa (Porto).
Gostava de terminar o texto com uma citação do filósofo britânico Isaiah Berlin:
“When the angels play for God they play Bach: to each other, they play Mozart”
- Tradução: “ Quando os anjos tocam para Deus, eles tocam Bach; entre si, tocam Mozart.”

Por: Maia Ramos

© 2005 Jornal Ecos de Basto - Produzido por ardina.com, um produto da Dom Digital. Comentários sobre o site: webmaster@domdigital.pt.